A Horse With No Name

cavalo

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os Mutantes

Texto: Bel Gasparotto

"Vejo que no fim nada mudou
O mundo ainda gira e ninguém parou
Tudo que foi nunca nos deixou
Nós somos a história que o mundo contou"
'Nada Mudou' - Vitor Trida


E então chega às lojas o mais novo registro de estúdio em 35 anos d’Os Mutantes, “Haih... or Amortecedor”. Nas lojas do mundo todo, menos do Brasil, e é por aí que começa a estranheza do novo trabalho. Uma banda que vai além de ser brasileira, uma banda que exala brasilidade, não ter seu trabalho lançado na terra natal. Europeus, norte-americanos, japoneses, australianos e canadenses já podem conferir “Haih”, mas os brasileiros não.

Como todo fã de Mutantes, resisti um pouco, cheguei a pensar que seria melhor não ouvir para evitar decepção. Seria melhor não ser lançado, existem bandas que acabam e pronto. Mas, como todo fã, não resisti, e talvez pela desconfiança é que o disco surpreende tanto. Engana-se, claro, quem espera encontrar Os Mutantes de 1968 nas novas composições, mas como disse Sérgio Dias, o último mutante original na banda, é um disco honesto e não tem nada a ver com nenhum trabalho anterior, é um trabalho novo.

O disco começa e termina com uma colagem, “Hymns of the World Pt.1 (Intro)” e “Hymns of the World Pt.2 (Final)”. Na primeira parte, Vladimir Putin dirige-se ao exército soviético, na segunda, o hino brasileiro mesclado com o soviético. Soa enigmático.

“Querida Querida” é a segunda faixa do disco, e impressiona pelas altas notas alcançadas pela vocalista Bia Medes. A composição e o ritmo também agradam, denunciam o inegável passado mutante e dão fôlego para seguir a audição, já sem aquele ‘pé atrás’.

O companheiro tropicalista Tom Zé é co-autor de seis faixas e ainda divide com Bia Mendes os vocais de “Anagrama”, uma balada bem melosa e provavelmente a mais pop do disco.

Outra colaboração é do também companheiro de outras datas Jorge Ben Jor, com a inédita “O Careca”. A fórmula parece a mesma de “A Minha Menina”, de 1968: um rock com uma pitada grande de samba, uma letra repetitiva e grudenta, bem menos agradável do que a irmã de 1968.

“2000 e Agarrum” é uma mistura que soa um tanto difícil, talvez a mais estranha do disco. Mistura ritmos latinos com nordestinos e ainda algo que parece uma fanfarra. Francamente, experimentalismo demais e até bem gratuito. Experimentalismo que lembra muito os trabalhos do já citado Tom Zé.

“Bagdad Blues” carrega também um certo experimentalismo, mas não é nada exagerado. Essa sim me parece bem dosada, bem composta e bem cantada. Sim, Sérgio até grita, e fica ótimo!

Ainda nas comparações inevitáveis, “Samba do Fidel” também tem uma irmã de décadas atrás, muito parecida com “El Justiciero” de 1971, menos divertida, porém bem crítica e ácida. “Nada Mudou” também lembra a sonoridade antiga, principalmente o instrumental a la Beatles e os vocais mais adocicados de Sérgio Dias.

“Teclar”, “O Mensageiro”, “Gopala Krishna Om” e “Neurociência do Amor” têm uma cara bem atual, com a pitada certa de saudosismo. Essas realmente me parecem bem ‘honestas’, como foi citado no início.

Todas mostram a pegada de quem viveu e transformou os tempos áureos do tropicalismo, da experimentação, mas que entende que disso só se pode trazer a lembrança, a influência, impossível fazer tudo como era antes. Quem entender isso, essa localização de um álbum d’Os Mutantes no século XXI e não comparar com os loucos anos 70, com certeza vai desfrutar de um belo trabalho.

2009 - HAIH... OR AMORTECEDOR

01 | Hymns Of The World P | 1 (Intro)
02 | Querida Querida
03 | Teclar
04 | 2000 e Agarrum
05 | Baghdad Blues
06 | O Careca
07 | O Mensageiro
08 | Anagrama
09 | Samba Do Fidel
10 | Neurociência Do Amor
11 | Nada Mudou
12 | Gopala Krishna Om
13 | Hymns Of The World P | 2 (Final)

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pão com Manteiga


Banda paulista de rock psicodélico formada em 1976.

Infelizmente a banda lançou apenas um álbum. Um disco homônimo com um tema interessante, estilo medieval. O disco é conceitual e aborda o mundo fantasioso de Avalon e faz criticas a sociedade moderna.

Uma musicalidade muito agradável e com músicos competentes o Pão com Manteiga não recebeu a devida atenção do publico.

INTEGRANTES:

Johnny - vocal e guitarra
Edison - bateria e efeitos
Paulo Som - viola, violão e vocal
Pierre - baixo e vocal
Gilberto - teclados e banjo

1976 | PÃO COM MANTEIGA

Mister Drá
Merlin
Flor Felicidade
Micróbio do Universo
Montanha Púrpura
Multi-Átomos
Serzinho Sem Medo
Cavaleiro Lancelot
História do Futuro
A Feiticeira
Fugindo do Planeta
Virgem de Andrômeda

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pink Floyd

Fonte: Wikipédia

"Shine on You Crazy Diamond" é uma composição de nove partes do Pink Floyd, com letras escritas por Roger Waters, em tributo ao ex-membro da banda Syd Barrett, e melodia escrita por Waters, Richard Wright, e David Gilmour. Ela foi tocada pela primeira vez na sua turnê pela França em 1974. Foi gravada em 1975 para o álbum-conceito Wish You Were Here.

A intenção era de uma música para um lado completo do vinil como "Atom Heart Mother" e "Echoes", mas a música cresceu tanto que dois lados do disco tiveram de ser usados. Ela foi separada em duas partes e usada para abrir e finalizar o álbum.

2009 | SHINE ON LIVE

CD 1:


01 | Shine On You Crazy Diamond
02 | Sings Of Life
03 | Learning To Fly
04 | Sorrow
05 | The Dogs Of War
06 | On The Turning Away
07 | One Of These Days
08 | Time

CD 2:
01 | On The Run
02 | The Great Gig In The Sky
03 | Wish You Were Here
04 | Us And Them
05 | Money
06 | Comfortably Numb
07 | One Slip
08 | Run Like Hell
09 | Shine On You Crazy Diamond (Reprise)

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sábado, 21 de agosto de 2010

Erik Satie

O estilo anticonvencional, econômico e por vezes irônico do compositor Erik Satie representa a primeira ruptura significativa com o romantismo francês do século XIX. Injustamente tomado por muitos como impostor, exerceu grande influência no desenvolvimento da música do século XX, particularmente na França, inclusive entre os impressionistas a quem abertamente ironizava.

Erik-Alfred-Leslie Satie nasceu em Honfleur, Calvados, França, em 17 de maio de 1866. Quando era ainda pequeno, seu pai mudou-se para Paris e deixou-o aos cuidados dos avós, na cidade natal. Seu excêntrico tio Adrien teve provavelmente grande influência sobre a personalidade do menino nesses anos de formação. Aos 12 anos reencontrou o pai, então editor musical em Paris, e em 1879 entrou para o conservatório de música naquela cidade, que depois abandonou. A repulsa aos ensinamentos acadêmicos levou-o a ganhar a vida como pianista de cafés. Seus primeiros trabalhos importantes, Trois gymnopédies (1888) e Trois gnossiennes (1890), expressam sua reação contra a grandiloqüência e o sentimentalismo românticos, por meio de profunda austeridade e da alteração das formas e estruturas tonais tradicionais.

Por volta de 1890, conheceu Debussy -- com quem manteria íntima amizade por mais de trinta anos, até o rompimento, alguns anos antes da morte do músico impressionista -- e tornou-se rosacruz. Escreveu inúmeros trabalhos sob influência da doutrina, como a Messe des pauvres (1895; Missa dos pobres), em que mostrou seu interesse pela espiritualidade medieval mediante o contraste de harmonias cromáticas requintadas com a simplicidade e impessoalidade do cantochão.

A partir de 1898, Satie levou vida solitária e excêntrica em Arcueil, subúrbio de Paris, onde não permitia que ninguém entrasse em seu apartamento. Em 1905 retomou os estudos na Schola Cantorum, onde foi discípulo de Vincent d'Indy e Albert-Charles-Paul-Marie Roussel por três anos. Seu temperamento sarcástico manifestou-se nos títulos de suas composições, como Embryons desséchés (1913; Embriões dissecados), e nas indicações ao intérprete, tais como "leve como um ovo", em que parodiava os impressionistas. O balé Parade (1917), com cenário de Jean Cocteau e figurinos de Pablo Picasso, incluía entre os instrumentos objetos insólitos como sirenes, máquinas de escrever e uma roda de loteria, e introduziu na música as concepções revolucionárias do surrealismo e do dadaísmo.

O grupo Les Six, que reunia jovens compositores decididos a criar uma música autenticamente francesa, tomou Satie como patrono espiritual. Sua obra-prima, o drama sinfônico Socrate (1918), para quatro sopranos e orquestra de câmara, baseia-se nos diálogos de Platão. Suas últimas obras para piano, completamente sérias, são cinco noturnos de 1919. Erik Satie morreu em Paris, em 1º de julho de 1925.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.


:: 2009 - AVANT DERNIÈRES PENSÉES ::
(Alexandre Tharaud)

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sonny Terry & Brownie McGhee

SONNY TERRY

Saunders Terrell, mais conhecido como Sonny Terry, nasceu em Greensboro, na Carolina do Norte no dia 24 de outubro de 1911. Seu pai, um fazendeiro o ensinou as primeiras notas na harmônica quando ele ainda era jovem. Ele perdeu a visão de um dos olhos em um acidente quando tinha cinco anos e um outro acidente aos dezoito tiraria a visão quase completa do outro olho. Essa deficiência o impedia de executar os trabalhos na fazenda, então ele logo foi para as ruas, armado de suas harmônicas, para ganhar a vida. Terry desenvolveu seu próprio estilo de tocar, imitando trens e uivos de raposa.

Logo após a morte de seu pai ele conheceu Blind Boy Fuller, um dos pioneiros do Piedmont-style blues, e eles começaram a tocar juntos. Terry gravou com ele pela primeira vez em 1937, pela Vocalion Records. Essa parceria terminaria em 1941 com a morte de Fuller, e ele logo em seguida formaria uma nova parceria, agora com Brownie McGhee.

BROWNIE McGHEE

Walter "Brownie" McGhee nasceu em Kingsport, no Tennessee, no dia 30 de novembro de 1930. Quando criança contraiu poliomielite, o que incapacitou uma de suas pernas. Ele passou boa parte de sua juventude envolvido com a música, cantando no coral "Golden Voices Gospel Quartet". Aos 22 anos ele se tornou um músico viajante e nessa época conheceu Blind Boy Fuller, que influenciou profundamente sua maneira de tocar. Depois da morte de Fuller, J.B Long da Columbia Records fez com que McGhee adotasse o nome de seu tutor e ele passou a se apresentar como Blind Boy Fuller II. Porém o sucesso só viria em 1942, quando ele foi para Nove Iorque em companhia de Sonny Terry.

SONNY TERRY & BROWNIE McGHEE

Brownie conheceu Terry na Carolina do Norte, em 1938, mas só viriam a gravar juntos em 1940. stava formada uma longa e duradoura parceria, que renderia muitos discos. Eles partiriam para Nova Iorque, onde a cena folk estava em ascensão. Lá eles trabalharam com Leadbelly, Josh White e Woody Guthrie. Entre 1942 e 1950, McGhee também trabalhou em sua própria escola de música, a "Home of the Blues, no Harlem. Depois do fim da Segunda Guerra, McGhee fez inúmeras gravações, com e sem Terry, para vários selo R&B como Savoy, Alert, London, Derby, Dot, e Harlem. Sonny Terry fez o mesmo, com gravações para os selos Jackson, Red Robin, RCA Victor, Groove, Harlem, Old Town, e Ember, muitas vezes com McGhee no violão.

Sonny Terry & Brownie McGhee estão entre os primeiros artistas de blues a excursionar pela Europa, durante a década de 50. Eles também viajaram com vários festivais de folk e blues, por toda América, Canadá e Europa, aparecendo em programas de tv e filmes. Eles só se separariam em 1970, para cuidarem de seus problemas pessoais. Terry continuou tocando e gravando até falecer em 1986. Brownie passou os próximos 10 anos tocando em festivais e gravando. Sua última aparição foi no Chicago Blues Festival de 1995, pouco antes de falecer, aos 80 anos, no dia 16 de janeiro de 1996.

Texto retirado de: Blues Everyday


1978 | MIDNIGHT SPECIAL

01 | Sonnys Squall
02 | Red River Blues
03 | Gone Gal
04 | Blues Before Sunrise
05 | Sweet Lovin Kind
06 | Midnight Special
07 | Take This Hammer Whup
08 | Too Nicey Mama
09 | Meet Me Down The Bottom
10 | Tryin To Win
11 | Blues All Around My Head
12 | East Coast Blues
13 | Muddy Water
14 | Beggin And Cryin
15 | My Plan
16 | Trying To Destroy Me
17 | Everything I had Is Gone
18 | Jealous Man
19 | Understand Me
20 | Blues Of Happiness

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Gershwin, Ella & Louis

ELLA FITZGERALD

Ella Fitzgerald nasceu a 25 de abril de 1917 em Newport News, Virginia. Vivendo dentro de uma família pobre, Fitzgerald foi uma sem-teto durante algum tempo antes de se lançar na carreira profissional em 1934, com sua vitória numa competição amadora no Apolo Theater.

Contratada pelo baterista e líder de banda Chick Webb, Fitzgerald se tornou a parte mais importante da orquestra de Webb com a magnífica interpretação de "A-Tisket, A-Tasket" entre outros sucessos. Quando Webb morreu em 1939 Fitzgerald assumiu liderança da sua banda durante os próximos dois anos.

Em 1941 ela começou uma carreira de solo, ao mesmo tempo em que se tornava uma das vocalistas mais populares dos anos quarenta graças a uma série de standards lançados pela gravadora Decca.

No final dos anos 40 Fitzgerald começou a deixar o swing e o popular para voltar às raízes do jazz adotando o bop, muito em voga na época. Ela começou a utilizar o scat singing, estilo de canto popularizado por Louis Armstrong, o que aumentou sua credibilidade no cenário de jazz.

No final de 50 Fitzgerald começou a gravar Para a Verve várias séries de álbuns dedicados às canções de artistas como George Gershwin, Cole Porter, Jerome Kern e Duke Ellington.

Fitzgerald entava em seu período "clássico", sendo melhor conhecida do que já era. Para o fim da década de 60 ela adotou material popular mais contemporâneo, seguindo para a Pablo de Norman Granz onde ela se voltaria mais uma vez para o jazz.

Na década de 80 Fitzgerald estava sofrendo de problemas de saúde e com declínio vocal ela deixou de gravar em 1989, vindo a falecer em 14 de junho de 1996.

GEORGE GERSHWIN

Nascido no Brooklyn, Nova York, com o nome de Jacob Gershowitz, filho de pais imigrantes judeus, oriundos da Rússia, aos 15 anos George já era um talentoso pianista e deixou o colégio para trabalhar como sonoplasta no New YorkŽs Tin Pan Alley (onde se encontravam os mais importantes editores de música).

George compôs a maioria das suas obras em parceria com o seu irmão Ira Gershwin. Entre 1920 e 1924, escreveram canções para as revistas de teatro e conheceram Paul Whiteman, que contratou George para escrever uma peça de jazz para um concerto. O resultado foi "Rapsody in Blue".

Depois fez outros trabalhos voltados para o clássico, como "Um americano em Paris" (1928) e "Segunda Rapsódia" (1931). Com seu irmão Ira, compôs os musicais "Lady Be Good" (1924), "Strike Up The Band" (1927), "Girl Crazy" (1930) e "Of Thee I Sing" (1931), a primeira comédia musical a ganhar o prêmio Pulitzer.

Gershwin compôs para a Broadway e para o teatro de concerto clássico e a sua música reúne elementos destes distintos universos. Conheceu igualmente o sucesso na autoria de canções populares. Entre as suas composições, muitas foram para o cinema e algumas se tornaram clássicos do jazz, em particular as gravadas por Ella Fitzgerald, com Louis Armstrong.

Uma das ambições de Gershwin era a criação de uma ópera, e a realizou com "Porgy and Bess", em 1935, baseada num livro de DuBose Hayward, com letras do próprio autor e de Ira Gershwin.

1998 | ELLA FITZGERALD & LOUIS ARMSTRONG
Our Love Is Here To Stay: Ella & Louis Sing Gershwin

01 | I Got Plenty O' Nuttin'
02 | He Loves And She Loves
03 | A Woman Is A Sometime Thing
04 | They Can't Take That Away From Me
05 | Let's Call The Whole Thing Off
06 | Strike Up The Band
07 | Things Are Looking Up
08 | They All Laughed
09 | A Foggy Day
10 | How Long Has This Been Going On?
11 | Summertime
12 | Love Is Here To Stay
13 | There's A Boat Dat's Leavin' Soon For New York
14 | 'S Wonderful
15 | I Was Doing All Right
16 | Oh, Lady Be Good

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Crack: um problema de todos !

Texto: Jorge Carlet
Como Morcegos À Luz do Dia

Não é mais segredo para ninguém que o crack emergiu do submundo e está espalhando seus devastadores efeitos sobre todos. Sobre todos ? Sim amigo, quando falamos de crack não estamos tratando apenas sobre os usuários, o que já seria mais do que suficiente para levantarmos nossas bundas da poltrona e fazermos algo a respeito. Quem não conhece alguém que embarcou nessa canoa prá lá de furada e as conseqüências diretas e indiretas disso tudo ? Estou falando de algum amigo, vizinho, conhecido ou mesmo daquele estranho que vemos em estado lamentável sucumbindo às terríveis crises de abstinência. E nessas ocasiões a desesperada busca por mais e mais doses que aplaquem as dores torna a busca pela próxima pedra como objetivo último de uma vida que se esvai quase que irremediavelmente. E de alguém neste estado de sofrimento não podemos exigir o cumprimento de todas aquelas regras que tornam tolerável nossa convivência em sociedade. A conseqüência lógica e imediata é o aumento da criminalidade pois a busca pela grana necessária, na medida em que o vício se aprofunda, vai se sobrepondo aos valores civilizatórios. E neste estágio de dependência o livre arbítrio passa a ser nada além do que uma longínqua abstração.

Pois outro dia conversava a esse respeito com amigos, enquanto bebericava minha horrorosa cerveja sem álcool - já há alguns anos o único contato que tenho com o álcool é quando lavo as mãos com álcool gel 70%. Contei-lhes sobre a grande iniciativa da minha amiga e escritora Jana Lauxen http://www.janalauxen.blogspot.com/ de criar uma rede de blogues a partir deste http://www.todoscontraocrack.blogspot.com/ por ela criado. Objetivo: conscientizar e buscar alternativas para diminuir ou, por quê não, acabar com o flagelo do crack. O argumento da Jana que conquistou minha adesão incondicional foi o de que o crack é um problema de todos, não só por uma questão de humanidade, o que já seria mais do que suficiente, mas também pelas conseqüências que cedo ou tarde baterão à nossa porta. Todos concordaram e elogiaram a iniciativa. Trocamos impressões sobre as notícias que saíram na imprensa a respeito da iniciativa de traficantes de Santa Cruz do Sul/RS, segundo a qual teriam feito um acordo com Associações Comunitárias comprometendo-se a não venderem mais crack a partir de meados de dezembro (na verdade assim que acabassem seus estoques, pois não são tão bonzinhos assim) e, se for preciso, reprimirem quem não cumpra o trato. A partir daí voltariam a vender só o que tradicionalmente vendiam: maconha e cocaína.

Vejam só, até para os traficantes o crack passou a ser problemático; imagine-se para nós cidadãos comuns... Por instantes ficamos pensativos, até que o silêncio foi rompido por um de nossos amigos (que fuma seus baseadinhos) e que saiu-se com uma afirmação que nos surpreendeu : "tá muito mais fácil conseguir crack do que um baseado !" Como assim ?, perguntamos espantados. "É isso aí que vocês ouviram. Conseguir uma droga pesada como o crack é facílimo; mas conseguir uma leve como um baseado tá difícil." E completou: "conheço vários parceiros que passaram a usar crack pois não conseguem mais maconha".

A revelação caiu como uma bomba. Como é que pode uma coisa dessas ? Estaríamos, por uma suposta política míope no que se refere ao trato da drogadição, fazendo gol contra ? As autoridades estão apreendendo maconha demais e, inadvertidamente, abrindo as portas para o crack ? Será que é mais difícil efetuar apreensões de crack ? Será que os traficantes daqui são mais burros do que os de Santa Cruz do Sul ? Será que...? Será que...? Será que... ?".
Diante do non sense da situação ficamos boquiabertos e sem respostas plausíveis. Mas aquela afirmação ficou desfilando pelos meus neurônios...

Bueno, mas o fato é que é absolutamente inequívoco que uma grande parcela de qualquer sociedade do planeta necessita ou gosta de "sair do ar" vez ou outra. E isso vale para qualquer forma utilizada: seja por meio do uso de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas. Trata-se de um fenômeno sociológico largamente comprovado e sobre o qual mais cedo ou mais tarde teremos que erguer o tapete e discutir o tema com maturidade e sem preconceitos, pois não caberá mais embaixo dele. E aí meus queridos, a questão terá que ser enfrentada pois os métodos repressivos adotados até agora tem se revelado um fracasso absoluto onde quer que tenham sido adotados. E talvez esteja chegando a hora de enfrentarmos o problema e, quem sabe, transferirmos a questão da da esfera da Segurança para a da Saúde Pública.

Vejam bem: cada vez que agimos por medo tendemos a acreditar que qualquer problema só pode ser resolvido através da repressão. E nessas ocasiões sempre achamos que a punição é o melhor remédio. Então pedimos leis mais "duras" para isto ou para aquilo; e vamos abarrotando os presídios de gente que talvez não precisassem estar lá, na escola do crime. Pois eu acho que punição nem sempre é a solução. E no caso da drogadição, há muito venho amadurecendo o ponto de vista de que estamos caminhando na contramão. Mas esta é uma opinião provisória que, dependendo de argumentos racionais pode ser modificada. Por ora, os fatos e dados estatísticos só a reforçam.

Mal comparando, quando as DST´s, em especial o HIV, passaram a assombrar a humanidade, deixamos de fazer sexo ? Claro que não, felizmente. Simplesmente foram adotadas medidas alternativas e preventivas e a festa continuou. Agora tem uma coisa, com o crack não há festa, e isto tem que ficar claro. Mas, como falei no parágrafo anterior, em todos os lugares há uma "festa" nos subterrâneos das cidades, que talvez fossem menos perigosas para todos se fossem regradas com maturidade e reponsabilidade - vários são os exemplos positivos mundo afora. Entretanto, preferimos enfiar nossas cabeças num buraco como fazem as avestruzes, pensando estar resolvendo o problema com a criminalização. Assim, cortamos a luz pensando acabar com a festa. Mas ela continua, mesmo no escuro. E agora, pela incrível contradição descrita por nosso amigo, parece que trancamos a porta por fora e estamos deixando apenas um vírus letal como alternativa. Muito inteligente...

De qualquer forma, independentemente do que você pensa, considere que nossos pontos de vista individuais só tendem a enriquecer quando em contato com outros. Então fica o convite: se você tem um blog, passa lá em http://www.todoscontraocrack.blogspot.com/ , pegue o selo da campanha e poste no seu blog, orkut ou seja lá o que for. E divulgue, discuta; converse com seus amigos, colegas e conhecidos.

Lembre-se do que dizia o grande Chico Sciense: "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar!"