A Horse With No Name

cavalo

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Cocteau Twins


O Cocteau Twins foi formado em 1979 na Escócia pelo guitarrista Robin Guthrie, o baixista Will Heggie - que saiu da banda em 1983, cedendo o lugar para Simon Raymonde -, e a vocalista Elizabeth Fraser (namorada de Guthrie) sob influências de artistas como Kraftwerk, David Bowie, Joy Division, Kate Bush e Siouxsie and the Banshees.

A música da banda ganhou repercussão no cenário independente devido ao pop sofisticado que o trio construiu em seus discos, principalmente a partir do disco 'Treasure'. A canções atmosféricas e a maravilhosa voz de Elizabeth Fraser - cantando letras indecifráveis - contribuíram para a bela e estranha música do grupo.

Cocteau Twins se tornou uma banda ícone da 4AD, e, com seu estilo etéreo, foi uma das percussoras do dream pop. Em 1982, já residindo em Londres, o trio assinou contrato com a gravadora 4AD e lançou o primeiro álbum, 'Garlands'. Na sequência saíram 'Head over Heels' (1983), 'Treasure' (1984) e 'Victorialand' (1986).

2000 | DARK TREASURES
A GOTHIC TRIBUTE TO THE COCTEAU TWINS


01. Rhea's Obsession | Cicely
02. Mephisto Walz | Iceblink Luck
03. Inertia (4) | Athol-Brose
04. Jennifer Hope | Seekers Who Are Lovers
05. Trance To The Sun | The Thinner The Air
06. Andrea Lane | Violaine
07. Absinthee | Shallow Then Halo
08. Faith And Disease | Amelia
09. The Machine In The Garden | Need Fire
10. The Autumns | Garlands
11. Diva Destruction | Persephone
12. Fear Of Dolls | Wax And Wane
13. Godbox | Blood Bitch
14. Oneiroid Psychosis & Kristy Venrick | Treasure Hiding
15. Stare (2) | In Our Angelhood

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Simon Raymonde, que foi convidado para trabalhar no segundo álbum do This Mortal Coil, não participou das gravação de 'Victorialand', um álbum predominantemente acústico que incluiu apenas Guthrie e Fraser. Raymonde retornou ao grupo para 'The Moon and the Melodies' (1986), uma colaboração do trio com o compositor americano Harold Budd.

'Blue Bell Knoll', o quinto álbum do Cocteau Twins foi lançado em 1988. Dois anos depois, em 1990, saiu 'Heaven or Las Vegas', o mais bem sucedido disco do grupo, atingindo o sétimo lugar na parada britânica. 'Heaven or Las Vegas' foi o último álbum de estúdio do trio lançada pela 4AD.

Em 1991, a banda se apresentou no Brasil, na cidade de São Paulo, no extinto Projeto SP.

Pela Mercury Records, o grupo lançou seus dois últimos álbuns de estúdio: 'Four-Calendar Café' (1993) e 'Milk and Kisses' (1996). Em 1997, durante as gravações do que seria o nono disco, o trio se desfez. Em parte, a separação de Guthrie e Fraser foi o principal motivo do fim do Cocteau Twins.

Texto retirado de | Muzplay


1982 | GARLANDS

01. Blood Bitch
02. Wax and Wane
03. But I'm Not
04. Blind Dumb Deaf
05. Shallow Then Halo
06. The Hollow Men
07. Garlands
08. Grail Overfloweth
John Peel Radio Sessions Selections from 1982-1983
09. Dear Heart
10. Hazel
11. Hearsay Please
12. Blind Dumb Deaf
Bonus Tracks (from unreleased first single)
13. Speak No Evil
14. Perhaps Some Other Aeon

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1983 | HEAD OVER HILLS

01. When Mama Was Moth
02. Five Ten Fiftyfold
03. Sugar Hiccup
04. In Our Angelhood
05. Glass Candle Grenads
06. In the Gold Dust Rush
07. The Tinderbox (of a heart)
08. Multifoiled
09. My Love Paramour
10. Musette and Drums

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1984 | TREASURE

01. Ivo
02. Lorelei
03. Beatrix
04. Persephone
05. Pandora (for Cindy)
06. Amelia
07. Aloysius
08. Cicely
09. Otterley
10. Donimo

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1985 | THE PINK OPAQUE

01. The Spangle Maker
02. Millimillenary
03. Wax and Wane
04. Hitherto
05. Pearly-Dewdrops' Drops
06. From the Flagstones
07. Aikea-Guinea
08. Lorelei
09. Pepper-Tree
10. Musette and Drums

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1986 | THE MOON AND THE MELODIES

01. Sea, Swallow Me
02. Memory Gongs
03. Why Do You Love Me?
04. Eyes are Mosaics
05. She Will Destroy You
06. The Ghost Has No Home
07. Bloody and Blunt
08. Ooze Out and Away, Onehow

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1986 | VICTORIALAND

01. Lazy Calm
02. Fluffy Tufts
03. Throughout the Dark Months of April and May
04. Whales Tails
05. Oomingmak
06. Little Spacey
07. Feet-Like Fins
08. How to Bring a Blush to the Snow
09. The Thinner the Air

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1988 | BLUE BELL KNOLL

01. Blue Bell Knoll
02. Athol-Brose
03. Carolyn's Fingers
04. For Phoebe Still a Baby
05. The Itchy Glowbo Blow
06. Cico Buff
07. Suckling the Mender
08. Spooning Good Singing Gum
09. A Kissed Out Red Floatboat
10. Ella Megalast Burls Forever

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1990 | HEAVEN OR LAS VEGAS

01. Cherry-coloured funk
02. Pitch the baby
03. Iceblink luck
04. Fifty-Fifty Clown
05. Heaven or Las Vegas
06. I Wear Your Ring
07. Fotzepolitic
08. Wolf in The Breast
09. Road, River and Rail
10. Frou-Frou Foxes in Midsummer Fires

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1993 | FOUR-CALENDAR CAFE

01. Know Who You Are at Every Age
02. Evangeline
03. Bluebeard
04. Theft, and Wandering Around Lost
05. Oil of Angels
06. Squeeze Wax
07. My Truth
08. Essence
09. Summerhead
10. Pur

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1996 | MILK & KISSES

01. Know Who You Are at Every Age
02. Evangeline
03. Bluebeard
04. Theft, and Wandering Around Lost
05. Oil of Angels
06. Squeeze Wax
07. My Truth
08. Essence
09. Summerhead
10. Pur

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1999 | BBC SESSIONS

DISC 1

(From John Peel Radio Session, 15 July 1982)
01. Wax and Wane
02. Garlands
03. Alas Dies Laughing
04. Feathers-Oar-Blades
(From John Peel Radio Session, 31 January 1983)
05. Hearsay Please
06. Dear Heart
07. Blind Dumb Deaf
08. Hazel
(From John Peel Radio Session, 4 October 1983)
09. The Tinderbox (of a heart)
10. Strange Fruit
11. Hitherto
12. From the Flagstones
(From John Peel Radio Session, 10 October 1983)
13. Sugar Hiccup
14. In Our Angelhood
15. My Hue and Cry
16. Musette and Drums

DISC 2

(From Saturday Night Live, 3 December 1983)
01. Hitherto
02. From the Flagstones
03. Musette and Drums
(From John Peel Radio Session, 5 September 1984)
04. Pepper-Tree
05. Beatrix
06. Ivo
07. Otterley
(From Mark Radcliffe Radio Show, 12 March 1996)
08. Serpentskirt
09. Golden-vein
10. Half-Gifts
11. Seekers Who Are Lovers
(From Robert Elms GLR, 10 April 1996)
12. Calfskin-Smack
13. Fifty-fifty clown
14. Violaine

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2000 | STARS AND TOPSOIL

01. Blind Dumb Deaf
02. Sugar Hiccup
03. My Love Paramour
04. Pearly-Dewdrops' Drops
05. Lorelei
06. Pandora
07. Aikea-Guinea
08. Pink Orange Red
09. Pale Clouded White
10. Lazy Calm
11. The Thinner the Air
12. Orange Appled
13. Cico Buff
14. Carolyn's Fingers
15. Fifty-Fifty Clown
16. Iceblink Luck
17. Heaven or Las Vegas
18. Watchlar

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2005 | LULLABIES TO VIOLANE

Disc 1

01. Feathers-Oar-Blades
02. Alas Dies Laughing
03. It's All But an Ark Lark
04. Peppermint Pig (7" version)
05. Laugh Lines
06. Hazel
07. Sugar Hiccup (12" version)
08. From the Flagstones
09. Hitherto
10. Because of Whirl-Jack
11. The Spangle Maker
12. Pearly-Dewdrops' Drops (Alternate version)
13. Pepper-Tree
14. Aikea-Guinea (Alternate version)
15. Kookaburra
16. Quisquose
17. Rococo

DISC 2

01. Pink Orange Red
02. Ribbed and Veined
03. Plain Tiger
04. Sultitan Itan
05. Great Spangled Fritillary
06. Melonella
07. Pale Couded White
08. Eggs and Their Shells
09. Love's Easy Tears
10. Those Eyes, That Mouth
11. Sigh's Smell of Farewell
12. Orange Appled
13. Iceblink Luck
14. Mizake the Mizan
15. Watchlar

DISC 3

01. Evangeline
02. Mud and Dark
03. Summer-Blink
04. Winter Wonderland
05. Frosty the Snowman
06. Bluebeard
07. Three-Swept
08. Ice-Pulse
09. Bluebeard (Acoustic version)
10. Rilkean Heart (Acoustic version)
11. Golden-Vein
12. Pink Orange Red (Acoustic version)
13. Half-Gifts (Acoustic version)

DISC 4

01. Feet-Like Fins (Ambient Remix)
02. Seekers Who Are Lovers (Ambient Remix)
03. Violaine (Ambient Remix)
04. Cherry-Coloured Funk (Ambient Remix)
05. Tishbite (Edit)
06. Primitive Heart
07. Flock of Soul
08. Round
09. An Elan
10. Violaine
11. Smile
12. Tranquil Eye
13. Circling Girl
14. Alice

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domingo, 28 de janeiro de 2018

The Pentagle


Na década de 1960, foram muitos os artistas que buscaram a modernização da música Folk na fusão com o Rock, vide a eletrificação do Bob Dylan. Embora não dispensasse essa tendência, o Pentangle buscou no Jazz e na música medieval o seu diferencial. Entre ótimos resultados, Basket Of Light (1969), disco lançado pela Transatlantic, foi o trabalho melhor sucedido artisticamente e comercialmente.

Formado pelos lendários Danny Thompson (baixo acústico), John Renbourn (voz e violão) e o influente - que diga o Jimmy Page - Bert Jansch (violão/banjo), o grupo é um dos grandes nomes do Folk Inglês. Eles souberam justamente captar no passado europeu a sonoridade que tanto fazia falta no Folk Americano. Daí vieram as influencias medievais e barrocas, seja nos arranjos ou nas linhas melódicas. Tudo isso pode ser representado na ótima versão pra "Lyke-Wake Dirge", uma clássica composição tradicional inglesa.

A instrumentação em alguns momentos também escapa do convencional, vide o carrilhão em "Hunting Song" e a cítara em "Once I Had A Sweetheart". Esses timbres somados a delicadeza das composições embalaram muitas viagens psicodélicas daquele período.

A canção que mais rendeu sucesso ao grupo foi "Light Flight", isso graças a BBC britânica (que incluiu a faixa no seriado Take Three Girls), já que seu arranjo pouco convencional, que propunha mudanças da fórmula compasso e tons, não era dos mais fáceis de assimilar.

É possível encontrar os violões com afinações alternativas, técnica difundida por Bert Jansch, nas ótima "Springtime Promises" e "Sally Go Round The Roses".

Trazendo na capa uma emblemática foto tirada no Royal Albert Hall, Basket Of Light é um belo registro de um período mágico da música.

Texto | País do Baurets

1969 | BASKET OF LIFE

01. Light Flight
02. Once I Had A Sweetheart
03. Spring Time Promises
04. Lyke-Wake Dirge
05. Train Song
06. Hunting Song
07. Sally Go Round The Roses
08. The Cuckoo
09. House Carpenter
10. Sally Go Round The Roses 1
11. Sally Go Round The Roses 2
12. Cold Mountain
13. I Saw An Angel

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Roger Waters


Gravado ao vivo em 1999 e 2000 durante a turnê norte-americana, "In The Flesh" registra composições de todas as épocas de sua carreira, desde "Set The Controls For The Heart Of The Sun" (lançada originalmente em 1968) até a inédita e atualíssima "Each Small Candle".

Acompanhado por uma excelente equipe de apoio, Waters resgata a essência perdida pelo Floyd, através de versões emocionantes (e totalmente Progressivas) de obras esquecidas como "Dogs" (de 1977), "Welcome To The Machine" (de 75), "Pigs On The Wing" (de 77), "Mother" (de 79) e a já citada "Set The Controls...".

Profundamente marcantes são também as versões de músicas de sua carreira solo, particularmente das faixas "Perfect Sense (parts 1 and 2)", "It's a Miracle" e "Amused To Death", ambas do album "Amused To Death".

Belíssima também é a sua nova composição (a já mencionada "Each Small Candle"), um verdadeiro hino antibélico e com melodia e interpretações de grande profundidade emocional.

Ao escolher sua equipe, Waters procurou selecionar pessoas realmente experientes, que tivessem ligação com o estilo das músicas que seriam executadas e com a própria história do Pink Floyd.

Assim sendo, recrutou os seguintes músicos:

Snowy White | Guitarrista que já participara do Floyd durante a turnê de "The Wall". Também atuou com nomes como Richard Wright (outro membro do Floyd), Thin Lizzy, Jim Capaldi e Peter Green;

Jon Carin | Tecladista que participou das turnês de "Delicate Sound Of Thunder" e "Pulse" e também das gravações de estúdio de "Division Bell";

Andy Fairweather Low | Guitarrista, baixista e vocalista que pertence ao cenário rock desde os anos 60, quando integrava o Amen Corner. Trabalhou como músico de estúdio durante muitos anos, tendo atuado com personalidades como Eric Clapton, George Harrison e as bandas The Who e Foghat;

Graham Broad | Eclético baterista que trabalhou com nomes tão díspares quanto Mike Oldfield e Tina Turner ou Alexis Korner e Beach Boys;

P.P. Arnold | Famosa cantora de Soul atuante desde a decada de 60. Trabalhou com artistas como Peter Gabriel, Eric Burdon, Freddie King, Stephen Stills e Graham Nash, além de bandas como The Nice, Humble Pie, Nektar e Small Faces;

Katie Kissoon | Outra tradicional cantora de estúdio, tendo atuado com, entre muitos outros, George Harrison, Eric Clapton e o próprio Waters;

Completam o time o guitarrista e vocalista Doyle Bramhall II, o tecladista Andy Wallace, a cantora Suzannah Melvoin e, principalmente, o Produtor e Engenheiro de Som James Guthrie, companheiro de Roger desde os tempos de "The Wall" (onde trabalhou como engenheiro e co-produtor) e responsável pela remasterização de toda a discografia do Pink Floyd.

Guthrie foi o responsável direto pela excelente qualidade sonora que se apresenta em "In The Flesh", pois conseguiu reproduzir em qualidade digital todo o "feeling" analógico que foi registrado naquelas mágicas apresentações.

Apesar disso tudo, no entanto, ocorreram alguns pontos negativos, causados fundamentalmente pela ausência da voz característica de David Gilmour em músicas como "Wish You Were Here", "Breathe", "Time", "Money" e "Comfortably Numb".

Ficamos todos, então, a imaginar como seria se a mais revolucionária banda de rock de todos os tempos se reunisse novamente...

Texto | Claudio Fonzi

2000 | IN THE FLESH

01. Intro
02. In The Flesh
03. The Happiest Days Of Our Lives
04. Another Brinck In The Wall
05. Mother
06. Get Your Filthy Hands Off My Desert
07. Southampton Dock
08. Pigs On The Wing (Part 1)
09. Dogs
10. Welcome To The Machine
11. Wish You Were Here
12. Shine on You Crazy Diamond (Parts 1-8)
13. Set The Controls for The Heart Of The Sun
14. Breathe (In The Air)
15. Time
16. Money
17. The Pros And Cons Of Hitch Hiking (Part 11)
18. Perfect Sense (Parts 1 And 11)
19. The Bravery Of Being Out Of Range
20. It’s A Miracle
21. Amused to Death
22. Brain Damage
23. Eclipse
24. Comfortably Numb
25. Each Small Candle
26. Finale-Eclipse

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Glass Harp


Só para provocar o chifrudo, aquele que se intitula “o pai do rock”, Deus costuma privilegiar determinados músicos com um talento excepcional e alistá-los na legião de missionários que espalha a palavra de Seu filho por aí. Realmente, o rock cristão não costuma empolgar os adeptos do lado negro do rock’n’roll, mas fico imaginando o tinhoso querendo seduzir um ou outro desses talentos não só para fazer desfeita ao rival, mas porque gostaria muito de tê-los no som ambiente que embala os cômodos quentinhos de sua morada.

Philip Tyler Keaggy, ou Phil Keaggy, guitarrista do power trio norte americano Glass Harp, é uma dessas figuras que valeriam qualquer esforço satânico. Não que sua vida tenha sido virtuosa a ponto de merecer um texto no verso de um desses santinhos que se distribuem nas igrejas. Muito pelo contrário: Phil foi uma típica criança americana nos anos 50 e um clichê de adolescente nos 60.

Nascido em 1951 na cidade de Youngstown, Ohio, aos quatro anos de idade perdeu metade do dedo médio da mão direita em um acidente com a bomba d’água que abastecia a casa da fazenda onde morava. E crescer com nove dedos nas mãos não encoraja ninguém a empunhar uma guitarra, não é mesmo? Por isso Phil pediu ao pai uma bateria no seu aniversário de 10 anos. Ao invés disso, ganhou uma guitarra Sears Silvertone e penou até aprender a tocá-la. Poucos anos depois trocou por uma Stratocaster e lá pela metade dos anos 60 já tocava nas bandas de garagem locais e tinha como concorrente outro futuro guitar hero: Joe Walsh (James Gang, Eagles).

Em 1965, na escola, Phil começou sua amizade e parceria com o baterista, guitarrista e compositor John Sferra. Ao voltar cheio de idéias de uma curta estadia na Califórnia com a banda The New Hudson Exit, em 1968, Phil convidou John e o baixista Steve Markulin para formarem o Glass Harp. Passaram então a rodar o circuito colegial e de clubes da região de Youngstown, ganhando entrosamento e uma certa notoriedade, além de gravarem várias demos. Uma delas, “Where Did My World Come From” acabou virando um single lançado pelo selo United Label.

Glass Harp, Human Beinz, Raspberries e o James Gang de Joe Walsh eram as bandas mais populares do nordeste de Ohio nessa época. E após a saída de Markulin para se juntar ao Beinz, o Glass Harp recrutou o baixista e flautista Daniel Pecchio para o seu lugar. A crescente fama do grupo, no entanto, começou a trazer problemas para seus membros que, ainda no final da adolescência, tiveram que abandonar a escola e estudarem por correspondência para darem conta dos compromissos. O ano era 1969 e eles não apenas ganharam uma edição da “Battle of the Bands” da região, como também a atenção de um dos jurados que estava lá como olheiro do produtor Lewis Merenstein, votado na época como produtor do ano pela Rolling Stone pelo seu trabalho no disco Moondance, de Van Morrison.

Bastou uma ouvida nos demos e uma olhadinha na banda ao vivo para convencer Merenstein a apadrinhar o grupo, oferecendo inclusive um contrato para alguns discos no prestigiado selo Decca. Bom, eu não tenho os ouvidos de um produtor musical nem sou músico, minha ignorância musical também me impossibilita afirmar se o Phil Keaggy glissandeia, arpejeia ou simplesmente embuceteia na guitarra, mas pelo que a gente lê de quem ouviu o Glass Harp ao vivo nesses idos de 69 e comecinho dos 70, os garotos impressionavam. A guitarra ágil de Keaggy soava carregada de lirismo e a cozinha de Sferra e Pecchio não era apenas competente, era versátil e poderosa. Em suma, eles prometiam.

O entusiasmo pela banda era tamanho que um gaiato qualquer chegou a espalhar um boato de que Jimi Hendrix, ao ser entrevistado em um programa de TV ou nas páginas da Rolling Stone, teria afirmado que Phil Keaggy era o melhor guitarrista do mundo. Essa historinha corre solta até hoje, mesmo depois dos vários desmentidos de Keaggy, já que Hendrix dificilmente conhecera a banda ao vivo e seu disco de estréia, embora gravado no Electric Lady Studios, de Jimi, em Nova York, e produzido por Merenstein, ficaria pronto duas semanas após a morte do guitarrista.

De toda forma, antes de gravarem esse disco, um fato influenciaria e muito o som do jovem guitarrista e de sua banda: a mãe de Phil, grande entusiasta e apoiadora incansável do Glass Harp, morreu em fevereiro de 1970. Keaggy tinha apenas 19 anos e havia sido um adolescente nômade em função de sua vida de músico, mas muito apegado à família. Como músico em plena era hippie, começava a se envolver com drogas e todos os excessos do psychedelic way of life. Inconformado com a morte da mãe e confortado pelas palavras de fé de uma de suas irmãs, fez uma reflexão de vida e resolveu se converter ao cristianismo, usando a música como expressão de sua crença.

1970 | GLASS HARP

01. Can You See Me
02. Children's Fantasy
03. Changes
04. Village Queen
05. Black Horse
06. Southbound
07. Whatever Life Demands
08. Look In The Sky
09. Garden
10. On Our Own
11. Voice Of God Cry Out (Previously Unreleased)

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Não pense com isso que o homônimo LP de estréia do Glass Harp seja trilha sonora de missa de domingo. Longe disso, mas que tem o dedo do Homem lá, isso tem. Para começar, é belíssimo, com harmonias tão ricas que nem o mais iluminado dos beatos conseguiria descrever. No entanto, é power rock. E dos bons, daqueles de arrepiar. O que dão um pouco de bandeira são as letras: “Can You See Me” e “Look In The Sky” são verdadeiros hinos de fé e mesmo as músicas compostas por Sferra ou Pecchio são carregadas de soul. A produção magnífica de Merenstein, recheada por belíssimas intervenções de cordas e pontuada aqui e ali pela flauta etérea de Pecchio, chega a ser deslumbrante. E olha que nem citei ainda a guitarra de Keaggy, lírica, comovente, inventiva, muitas vezes celestial. O álbum é foda.

O Glass Harp é hoje considerado um dos pioneiros do rock cristão contemporâneo, mas nem por isso seus membros eram coroinhas de plantão. Ao vivo, esse power trio era diabólico, na mais pura tradição creamniana, com ferozes jams que se prolongavam acima dos 30 minutos e toneladas de peso martelando os ouvidos. Como contratados do selo Decca, tocaram do Fillmore ao Winterland Ballroom e abriram para Yes, Alice Cooper, Traffic, Chicago, Grand Funk Railroad e mais um monte de super bandas. E convenhamos que não dava para ser muito bonzinho ao encarar a platéia de tia Alice.

1971 | SINERGY

01. Can You See Me
02. Children's Fantasy
03. Changes
04. Village Queen
05. Black Horse
06. Southbound
07. Whatever Life Demands
08. Look In The Sky
09. Garden
10. On Our Own
11. Voice Of God Cry Out (Previously Unreleased)

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Em 1971, com seus integrantes na faixa dos 20 anos apenas, o Glass Harp já prometia ser the next big thing, carregando de tinta a imprensa musical e caindo nas graças do público americano e dos críticos, impressionados com a ousadia camaleônica de suas apresentações ao vivo. Seu segundo disco, Synergy, ainda mantinha as estruturas harmoniosas da estreia, mas desta vez arriscava um pouco de folk, abusava do hard rock e se aventurava no progressivo. As músicas “Mountains”, “Never Is A Long Time” e “One Day At A Time” devem ter feito muito big star procurar seu médico atrás de uma boa receita de analgésico para dor de cotovelo.

Reunidos com Merenstein e os executivos da Decca, começaram a traçar planos para o primeiro registro ao vivo da banda, que deveria ser lançado como o próximo LP. A oportunidade chegou quando o Glass Harp foi convidado para ser a banda de abertura do concerto do Kinks, a ser realizado em 1972 no Carnegie Hall. Três verdadeiros desafios para três garotos: tocar no maior templo da música americana, abrir para uma das mais lendárias bandas do rock inglês e reverter a costumeira indiferença do público novaiorquino. O que se ouve dessa gravação, tirando os primeiros minutos de natural nervosismo, é uma verdadeira celebração ao rock’n’roll, quase uma hora de energia pura, incontida, impiedosa. Cinco músicas apenas no set list: a poderosa “Look In The Sky”, a paquidérmica “Never Is A Long Time”, a adaptação do clássico hino gospel “Do Lord”, a pirotécnica “Changes” e a épica “Can You See Me”, esta última com 30 minutos de improvisos fantásticos e um medley da então inédita “David And Golliath” e “One Day At A Time”. Uma merecida ovação da platéia encerra o show.

1972 | IT MAKES ME GLAD

01. See Saw
02. Sailing On A River
03. La Da Da
04. Colt
05. Sea And You
06. David & Goliath
07. I'm Going Home
08. Do Lord
09. Song In The Air
10. Let's Live Together
11. Little Doggie (Previously Unreleased)

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Inexplicavelmente, esse registro só viria a público na forma de CD vinte e cinco anos depois. No lugar dele foi lançado em 1972 o terceiro álbum de estúdio da banda: It Makes Me Glad. Um disco mais contemplativo, mas ainda assim maravilhoso. Ele contém as três músicas que os fãs apelidaram “The Trilogy”: uma suíte épica de 10 minutos composta das músicas “David and Golliath”, “I’m Going Home” e “Do Lord”.

Logo após o lançamento desse LP e no auge da fama, Phil Keagy decide abandonar a banda e abraçar de vez o gospel, iniciando uma carreira solo coroada com algumas dezenas de álbuns, prêmios e indicações para o Grammy de melhor álbum na sua categoria. A banda ainda tentou seguir em frente, recrutando o guitarrista Tim Burks e o violinista Randy Benson. O som do grupo enveredou para o progressivo, mas nenhum registro dessa nova fase viu a luz do dia. O grupo encerrou de vez suas atividades em 1973. Os três membros originais da banda se reuniram novamente em 1997 e desde então têm lançado CDs e excursionado regularmente. Vários vídeos de suas novas apresentações podem ser vistos no YouTube.

1997 | LIVE AT CARNEGIE HALL 1972

01. Look In The Sky
02. Never Is A Long Time
03. Do Lord
04. Changes
05. Can You See Me




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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Leaf Hound


Formado nos idos de 1970 em Londres, o Leaf Hound lançou apenas um álbum, que simplesmente assombra pela qualidade, impacto, excelente execução e canções que beiram a perfeição e nos chocam por saber que bandas inferiores conseguiram êxito enquanto o Leaf Hound praticamente nada conseguiu em sua época.

Formada pelos irmãos Derek e Stuart Brooks na guitarra e baixo, Mick Halls na outra guitarra, Keith G. Young na bateria e pelo excelente vocalista Peter French, o Leaf Hound praticamente nasceu do legendário Black Cat Bones – grupo onde se encontrava os irmãos Brooks.

O quinteto lançou esta pequena obra-prima do hard rock, chamada Growers of Mushroom em pleno 1971 pela Decca Records tendo sido gravado em apenas um dia (na verdade uma sessão de 11 horas de estúdio) e ainda hoje surpreende pela força e que chega a lembrar em alguns momentos grupos de sucesso como Free e principalmente o Led Zeppelin, o que pode ser percebido na faixa Freelance Flend, que abre o disco e nos traz à lembrança a música Good Times Bad Times, contida no álbum de estréia do grupo de Page e Plant. Já a bela Sad Road to the Sea tem uma levada mais acústi ca, é linda de morrer e destaca um belo solo de guitarra de Brooks.

A terceira faixa é Drowned My Life in Fear, também de primeira linha. A longa faixa Work My Body, com seus oito minutos, é a suíte do disco, um hard rock que se mistura com blues produzindo um belo resultado final principalmente pelo trabalho das guitarras e vocais. Na sequência, ainda temos With a Minute To Go, a grande balada do disco. Possui um belo andamento, vocal emocionado, linha de baixo muito interessante e violões ao fundo. A faixa título já é curti nha, interessante e não chega a cortar o barato, mas dá pra dar uma respirada durante sua execução.

O hard rock intenso volta com tudo em Stagnant Pool. A faixa é daquelas arrasa quarteirão com as duas guitarras solando o tempo todo, baixo pulsante e pesado e uma bateria pra lá de efi ciente. Após o lançamento do álbum na Inglaterra e de um relativo sucesso em seus shows, Growers of Mushroom foi editado também na Alemanha pelo selo Telefunken, porém acabou não alcançando o sucesso esperado e a banda dispersou-se.

Com o fim prematuro, Peter French seguiu para o Atomic Rooster, alcançando então muito sucesso com o estupendo In Hearing Of. Logo depois ele ainda participaria do excelente Cactus, dos ex-Fanilla Fudge Carmine Appice e Tim Boggert. O disco teve importantes reedições anos atrás inclusive em vinil num material gráfico incrível contando com um superpôster, capa dupla, dura e ótima prensagem. Recentemente, o Leaf Hound se reagrupou para realizar nossos trabalhos mas certamente a química de 1971 já não será a mesma.

Fonte: Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

Texto retirado do blog | A Máquina de Fazer Sonhos

1971 | GROWERS OF MUSHROOM

01.Freelance Flend
02. Sad Road to the Sea
03. Drowned my Life in Fear
04. Work my Body
05. Stray
06. With a Minute to Go
07. Growners of Mushroom
08. Stagnant Pool
09. Sawdust Ceasar

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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Trace


O tecladista holandês Rick van der Linden (nascido a 05 de agosto de 1946) começou a estudar piano ainda na infância, e, em 1966, juntou-se ao The Incrowd, que se tornaria o Ekseption, grupo com o qual alcançaria o sucesso, e de quem seria o principal compositor. Em 1973, com ciúmes das atenções dedicadas pela mídia ao seu tecladista (e também dos royalties a mais que ele ganhava por compor as músicas), os outros membros da banda pediram que ele saísse, deixando o prodígio das teclas livre para montar um grupo que satisfizesse plenamente suas intenções musicais.

A princípio com o baterista Peter de Leeuwe como parceiro, Rick formou o Ace, mas rapidamente julgou que Peter não estava no nível que ele desejava, e o substituiu por Pierre van der Linden, primo do tecladista, e recém saído do Focus, outro gigante do progressivo holandês. Com a chegada de Jaap van Eik para o baixo, Rick realizou o seu desejo de ter um grupo nos moldes do Nice (banda que revelaria o tecladista Keith Emerson), mas, após assinar um contrato com a gravadora Philips, descobriu que outro conjunto tinha os direitos do nome Ace. Rebatizado então como Trace, o grupo partiu para as gravações de seu primeiro álbum, um dos pilares do progressivo holandês em todos os tempos!

Confira agora a curta, porém qualificada, trajetória do Trace!

1974 | TRACE

01. Gaillarde
02. Gare Le Corbeau
03. Gaillarde
04. The Death Of Ace
05. The Escape Of The Piper
06. Once
07. Progression
08. A Memory I
09. The Lost Past
10. A Memory II
11. Final Trace
12. Progress
13. Tabu

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Precedida por um single com as canções "Progress" (que tem partes que lembram bastante o Focus, especialmente pelo uso do Hammond por parte de Rick) e a viajante "Tabu" (uma adaptação para a composição de Dizzy Gillespie, e onde todos os músicos se destacam, com os teclados em maior evidência), a estreia do Trace abre com uma obra em três atos chamada "Galliarde" (composta de um misto de um arranjo para uma peça de J.S. Bach e para uma tradicional dança polonesa), cuja primeira parte tem um começo muito animado, seguido de um tema com efeitos de teclados muito semelhantes aos que Keith Emerson costumava utilizar no ELP, impressão reforçada pelo arranjo da excelente "cozinha", culminando em um final mais calmo antes do início da segunda parte (intitulada "Gare le Corbeau"), apenas com baixo e bateria executando uma melodia de orientação jazzística, para a canção se concluir com a retomada de "Galliarde", que ressurge do ponto calmo, passando pelo tema que lembra o ELP e voltando então ao início de tudo.

Outra faixa baseada em uma peça clássica (desta vez de Edvard Grieg) é "The Death of Ace", uma canção mais lenta, apresentando até um certo tom melancólico, com total destaque para os teclados de Rick, mas também dando o devido brilho a van Eik e a Pierre, que executa aqui um trabalho soberbo de bateria, como também acontece em "The Lost Past", seu "momento solo" no álbum, que vem intercalado entre as duas partes da melancólica "A Memory", comandada pelos teclados. "Once" apresenta novamente um andamento jazzístico em sua parte intermediária, com algumas vocalizações "estranhas" feitas pelo tecladista, e até citação à clássica "Hall of the Mountain King", deixando clara a influência deste estilo sobre o principal compositor do Trace. A longa "Progression" (mais de doze minutos) é outra que demonstra o quanto Rick van der Linden foi influenciado pelos compositores clássicos, além de o tecladista usar e abusar de seu arsenal de instrumentos, como também ocorre em "Final Trace", que fecha o disco original com um tom quase de hino sacro, em contraste com a divertida "The Escape of the Piper", onde o piano é o destaque, e que inclui algumas linhas executadas na gaita de foles.

A edição em CD ainda acresceu as duas faixas saídas do single de estreia, não incluídas originalmente no álbum. Apesar de alguns efeitos de teclados soarem bastante datados hoje em dia, este disco ainda permanece como um marco dentro do rock progressivo, apresentando um tecladista no mesmo nível dos grandes ídolos do instrumento no estilo, e uma cozinha azeitada e eficiente. Pouco depois de uma excursão pela Inglaterra, Pierre, cansado da rotina de turnês e gravações que enfrentava desde sua época com o Focus, decide deixar o Trace, que foi buscar na própria Grã-Bretanha o substituto para seu baterista!

1975 | BIRDS

01. Bourée
02. Snuff
03. Janny (In A Mist)
04. Opus 1065
05. Penny
06. Trixie-Dixie
07. King-Bird
Bonus Tracks.
08. Birds (Short Edit)
09. Tabu (Second Version)

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Após testar quinze bateristas, Ian Mosley (ex-Wolf) foi o escolhido para o posto, e o Trace gravou um álbum menos "progressivo" que o primeiro, onde os teclados e sintetizadores adotam timbres mais "modernos" para a época, fugindo um pouco da sonoridade presente no primeiro registro, como podemos conferir em "Snuff", um tema agitado, que lembra a trilha dos filmes do gênero blaxploitation embora tenha uma parte mais "clássica" no meio, com destaque para o trabalho de Jaap e Mosley.

Duas adaptações para obras de J.S. Bach aparecem no track list, sendo elas a bela "Opus 1065" (do "Concerto for Four Hands"), que conta em seus quase oito minutos com a participação especial do violinista Darryl Way (então membro do Curved Air, e que executa um interessante solo ao instrumento) e "Bourrée", onde não é interpretado o mesmo trecho que estamos acostumados a ouvir com o Jethro Tull, mas sim um outro tema mais rápido (onde o grito de um macaco é interpretado, segundo o encarte, pelo gerente de turnê do grupo, Coen Hoedeman). "Janny (In A Mist)" é um curto tema escrito em 1928 pelo músico de jazz Bix Beiderbecke, onde Rick toca solo ao piano, instrumento que também domina "Penny", com um arranjo jazzístico em sua melodia. "Trixie-Dixie" é uma curta vinheta quase sem sentido, uma simples brincadeira de estúdio que encerrava um dos lados da versão original em vinil. A suíte "King Bird" é dividida em onze partes, e, com quase vinte e dois minutos, ocupava todo o outro lado do vinil (encontrei versões com a faixa por vezes no lado A, em outras no lado B, embora o encarte do CD cite que ela compõe o lado B), com o enredo do "conto" imaginado por Rick representado em uma divertida história em quadrinhos no encarte original (o qual perdeu muito do atrativo visual quando passado para as reduzidas dimensões do disco digital), apresentando muitas variações ao longo de sua duração, e podendo ser considerada a única canção tipicamente "prog" do disco (talvez ao lado de "Opus 1065").

Curiosamente, é a única faixa dos dois discos a apresentar trechos de guitarra e letra nos vocais de sua melodia, ficando o instrumento e a voz a cargo de Jaap van Eik. A versão em CD inclui duas músicas bônus presentes apenas em um single lançado antes do álbum, sendo elas uma nova versão para "Tabu" e uma "short edition" de "Birds", com pouco mais de três minutos e meio. Apesar de bastante recomendável, não é um disco do mesmo nível do primeiro, e o baixo número de unidades vendidas à época repercutiu esta realidade. Com isto, a banda ficou sem a possibilidade de realizar uma turnê de divulgação (apesar de alguns poucos shows realizados logo após o disco ser colocado à venda), o que ocasionou a saída de Jaap van Eik e Ian Mosley, indo a dupla primeiro para o Chain of Fools, com o baixista depois unindo-se ao Vitesse, e o baterista indo tocar com o Footswitch, depois com o guitarrista Steve Hackett (ex-Genesis), e, futuramente, com o Marillion, onde permanece até hoje!

1976 | THE WHITE LADIES

01. Legend (Part I)
02. Interlude I
03. Confrontation
04. Interlude II
05. Dance Of The White Ladies
06. Doubts
07. Trace I
08. Witches' Dance
09. Surrender
10. Interlude III
11. Pathetique
12. Legend (Part II)
13. Interlude IV
14. The Rescue
15. Trace II
16. Back Home
17. Meditation - For Rene
18. Flashback
19. Conclusion

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Sem a "cozinha" que lhe acompanhava até ali, Rick assumiu de vez o papel de "dono" da banda (tanto que o disco é creditado a Rick van der Linden and Trace), e resoveu investir em uma sonoridade ainda mais sinfônica, e mais próxima à da música clássica. Com a presença dos ex-membros do Ekseption, Cor Dekker (baixo) e Peter de Leeuwe (bateria e guitarras, ele que havia sido o baterista original do Trace), e a presença de diversos outros músicos, como Dick Remelink (também ex-Ekseption, sax e flauta), Hetty Smit (vocais) e até um segundo tecladista (Hans Jacobse), a nova formação gravou um álbum bastante diferente dos anteriores, para contar, através de dezenove faixas (onde boa parte são pequenas vinhetas com menos de um minuto, e a maior não chega a quatro minutos), uma lenda local sobre a esposa de um fazendeiro "raptada" pelos espíritos das "white ladies" do local.

Com a presença de uma orquestra e de um narrador (papel de Harry Schäfer, amigo de Rick e autor das letras) em algumas faixas, os dois lados do vinil original se desenvolvem no formato de suíte, como se fossem uma única composição. Sendo assim, é bastante difícil apontar destaques, mas me sinto compelido a citar "Dance of the White Ladies" (que poderia passar por uma composição da carreira solo do também tecladista Rick Wakeman, se não fosse a presença do saxofone), as duas adaptações para trechos de obras de Ludwig van Beethoven ("Pathétique" e "The Rescue"), "Back Home" (onde o saxofone retoma a sonoridade jazzística presente em algumas músicas dos primeiros discos), a agitada "Witches' Dance" e a calma "Meditation (for René)" (outra composição que lembra bastante o Focus, assim como "Doubts") para aqueles que quiserem "descobrir" o álbum, o qual, reitero, só será compreendido em sua totalidade quando escutado na íntegra. Para mim, este é o menos interessante dos três álbuns da banda, mas, mesmo assim, apresenta muitas qualidades.

As parcas vendas do terceiro LP e a ausência de uma turnê promocional fizeram com que Rick desistisse de vez do Trace, organizando então uma volta do Ekseption, visto que alguns ex-membros do grupo já estavam ao seu lado. Em paralelo ao trabalho com este grupo, o tecladista manteve uma longa carreira solo ao longo dos anos, além de escrever algumas trilhas sonoras para filmes europeus, participar como convidado de diversos trabalhos e dos projetos Cum Laude e Mistral. O talentoso músico viria a sofrer um AVC em 2005, vindo a falecer a 22 de janeiro de 2006 em seu país natal, deixando para nós um enorme legado musical e uma obra que comprova que ele foi um dos maiores gênios do teclado do século XX, obra esta do qual o Trace foi uma parte importantíssima!

Texto | Micael Machado

sábado, 13 de janeiro de 2018

Aardvark


Um som prog sem uma guitarra? Isso é exatamente o que este quarteto do início dos anos 70 britânico se propôs a fazer. Originalmente, eles se tornaram conhecidos principalmente porque "Paul Kossof" e "Simon Kirke" tocavam na banda antes de sair para formar a banda lendária "Free".

A partir de então, "Aardvark" era principalmente gravado em estúdio e no momento em que gravou seu único álbum, a formação consistia em "Stan Aldous" (baixo), "Frank Clark" (bateria), "Steve Modista" (teclados, gravador, vibrafone) e "Dave Skillin" (vocal).

Comparações não são fáceis, mas, provavelmente, alguém poderia dizer que sua música tem o poder de "ELP" misturado com um pouco de R & B à la "Procol Harum" e início do "Moody Blues". Tons de "Greenslade" e "Pink Floyd" também estão presentes.

Como é de se esperar, o material do "Aardvark" é altamente órgão Hammond, o peso da música que está sendo realizado pelo fuzzed-up órgão Hammond que mais ou menos simula o trabalho de uma guitarra distorcida. Os vocais crescentes por "Skillin" são agradáveis ​​e a música, embora não seja muito original com pouca falta de variedade, é bastante melódico.

O álbum contém interação de piano / teclado, bem como alguns bons riffs de guitarra e refrões harmônicos.

Os pontos baixos: seguindo a moda do início dos anos 70, muitas faixas se arrastar por muito tempo. Além disso, possivelmente porque o Hammond dominante não resisti ao teste do tempo, o álbum infelizmente parece bastante desatualizado.

Finalmente, os cortes que funcionam melhor tendem a ser os menos progressistas. No geral, "Aardvark" é um esforço musical honesto para os tempos, um interessante experimento de arte rupestre mais cedo com uma ligeira vantagem progressiva.

Recomendado exclusivamente para colecionadores de início dos anos 70, heavy prog órgão Hammond. Fãs de "Spring", "Cressida" ou "Fields" também deve dar-lhes uma tentativa.

Texto retirado do blog | A Máquina de Fazer Sonhos

1970 | AARDVARK

01. Copper Sunset
02. Very Nice Of You To Call
03. Many Things To Do
04. Greencap
05. I Can't Stop
06. Outing
07. Once Upon A Hill
08. Put That In Your Pipe

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