A Horse With No Name

cavalo

terça-feira, 7 de junho de 2011

Carlos Drummond de Andrade


:: VERDADE ::

Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível antigir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

sábado, 16 de abril de 2011

Tame Impala

Na biologia, espécie endêmica é aquela que só ocorre em uma determinada região do planeta. O Tame Impala é de Perth, na Austrália e parece que o seu som – espaçoso, supersônico e psicodélico - só poderia ser feito por quatro sujeitos que habitam uma região tão remota e isolada do planeta, mesmo para os padrões globalizantes. A origem dessa espécie ajuda um pouco a explicar o modo como ela soa no seu disco de estréia, “Innerspeaker”.

Na sua própria definição, o que a banda faz é “psychedelic hypno groove melodic rock music”. Não precisa traduzir: basta ouvir as 11 músicas do disco para perceber que os caras realmente gostam muito de rock psicodélico, sejam os campos floridos dos Beatles em sua fase “ácida” ou as pesadas viagens instrumentais do Cream. O importante, u-hu, é drop out.

É uma trilha interessante e que, apesar de bastante percorrida, ainda serve como inspiração para muita gente boa, como o Spiritualized já provou há algum tempo, quando nos levou para flutuar no espaço. O lance é que a psicodelia do Tame Impala – nome lindo para uma banda – parece diferente de todas as outras. Talvez seja a distância e o isolamento que façam com que o grupo liderado por Kevin Parker (voz, guitarra) pareça com tantos outros, mas nunca deixe de ser, paradoxalmente, tão original e avançado.

“Innerspeaker” reflete, de certa forma, o desenho de sua capa: uma vasta e exuberante floresta, levemente alterada por um campo de força (ou só eu que vi isso?). Na psicodelia do Tame Impala e seus mágicos de Oz, há áreas de atração ao stoner rock (também um filho da psicodelia) e ao pop britânico (via Stone Roses). O que faz com que essa mistura não desande ou soe ordinária é a exuberância técnica dos integrantes da banda – alémde Parker, Dominic Simper (guitarra), Nick Allbrook (baixo) e Jay Watson (bateria) – e sua postura progressista, privilegiando texturas e riffs, em vez de exibições de virtuose.

Além da mixagem de Dave Fridman (Mercury Rev, Flaming Lips), deve ter ajudado também a dar um clima especial/espacial ao disco o fato de ele ter sido gravado em um estúdio em frente ao mar, em Injidup, uma cidade de praia, a quatro horas de Perth. Entenderam? Os caras moram em Perth! Na Austrália!! E foram se isolar ainda mais para fazer “Innerspeaker”!!!

O disco – daqueles para ouvir ALTO e em boas caixas de som - é encharcado de reverb, aquele efeito que dá “espaço” às gravações, fazendo com que, às vezes, elas soem como se tivessem sido feitas em uma grande catedral. Nos vitrais, imagens do Animal Collective, Jimi Hendrix Experience, MGMT (com quem o TI excursionou recentemente), Kyuss e Love. Dentro desse contexto todo, dá para entender o poder e o estranho encanto de músicas como “Arrow time”(que parece que vai virar “I want you”, dos Beatles, a qualquer hora), “Jeremy´s Storm” e, a preferida da casa, “Alter ego”, pesada, grandiosa, ventilada, com todas as suas janelas e dimensões abertas à nossa visitação.

Texto | O Globo

2010 | INNERSPEAKER

It's Not Meant To Be
Desire Be Desire Go
Alter Ego
Lucidity
Make Up Your Mind
Solitude Is Bliss
Jeremy's Storm
Expectations
Bold Arrow Of Time
Runway Houses City Clouds
I DonT Really Mind

segunda-feira, 7 de março de 2011

Five Horse Johnson

Five Horse Johnson é uma banda de blues-rock americana, formada em 1995 de Toledo, Ohio. A banda combina hard rock, o blues e outras influências em uma mistura de stoner rock / blues.

2003 - LAST MEN ON EARTH

Cry Rain
Cherry Red
Soul Digger
Three at a Time
Blood Don't Pay
Love 2 Lose
Sweetwater
B.C. Approved
Sawhill
Yer Mountain

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terça-feira, 1 de março de 2011

Foghat


Foghat é uma banda de rock britânica que teve o auge de seu sucesso na segunda metade da década de 1970. Seu estilo pode ser descrito como blues-rock, dominados por guitarras e guitarras slide. A banda conseguiu cinco discos de ouro, e conseguiu se manter popular durante a era da música disco; a popularidade do grupo, no entanto, entrou em declínio no início dos anos 80.

A banda contava inicialmente com Dave Peverett ("Lonesome Dave") na guitarra e vocal, Tony Stevens no baixo e Roger Earl na bateria. Após os três saírem do Savoy Brown em dezembro de 1970, Rod Price foi chamado para a guitarra e a guitarra slide, e o Foghat foi formado oficialmente em janeiro de 1971. Seu álbum de 1972, Foghat, foi produzido por Dave Edmunds, e tinha um cover de "I Just Want to Make Love to You", de Willie Dixon, que foi muito tocada nas estações de rádio FM da época.

Mais sobre Foghat: ::AQUI ::

1972 | FOGHAT

01 | I Just Want to Make Love to You
02 | Trouble,Trouble
03 | Leavin' Again (Again!)
04 | Fool's Hall of Fame
05 | Sarah Lee
06 | Highway (Killing Me)
07 | Maybellene
08 | A Hole to Hide In
09 | Gotta Get to Know You

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gary Moore

O LEGADO DE GARY MOORE

O rock perdeu um de seus grandes guitarristas. O irlandês Gary Moore morreu na madrugada de domingo, aos 58 anos. Embora as causas da morte ainda não tenham sido confirmadas, a autópsia aponta para morte natural.

Moore foi um dos grandes guitarristas do rock e um dos maiores bluesmen contemporâneos. Começou sua carreira no grupo Skid Row (uma banda de blues-rock influenciada pelos Bluesbreakers de John Mayall, muito diferente da banda de hair metal), com quem gravou três discos entre 1970 e 1971.

Fez amizade com o baixista e vocalista Phil Lynott, do Thin Lizzy, e participou da banda esporadicamente. Em 1979, Moore gravou o disco Black Rose: A Rock Legend, um dos melhores registros do grupo.

Seu grande sucesso comercial veio com o disco Still got the blues, de 1990. Nesse disco, fica claro o talento de Moore na guitarra, unindo sentimento e técnica de uma maneira única. Em sua carreira solo, o guitarrista ainda gravou outros álbuns importantes, como After hours, de 1993, e Live at Monsters of Rock, um disco ao vivo impecável lançado em 2003.

Moore ainda colaborou com os Traveling Wilburys (o supergrupo de Jeff Lynne, Tom Petty, Bob Dylan, Roy Orbison e George Harrison), tocando o solo de “She’s my baby”, música do disco Traveling Wilburys Vol. 3, gravado após a morte de Orbison.

Por: André Sollitto

1990 | STILL GOT THE BLUES

Moving On
Oh, Pretty Woman
Walking by Myself
Still Got the Blues
Texas Strut
Too Tired
King of the Blues
As the Years Go Passing By
Midnight Blues
That Kind of Woman
All Your Love
Stop Messin' Around

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

The Raven

:: O CORVO ::

de Edgar Allan Poe
tradução: Fernando Pessoa


Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

The Carpenters

Músicos de sensibilidade e de formação jazzística desde muito jovens, Richard e Karen Carpenter souberam amalgamar a suavidade e a densidade desse gênero musical com uma linguagem pop, influenciada por artistas como os Beatles.

Depois de algumas experiências em conjuntos, pelos anos 60, como o Richard Carpenter Trio e outro, embrião da linguagem musical que eles iam entronizar pelos anos seguintes, Spectrum, ambos desenvolveram um estilo que chamou a atenção do trompetista Herb Alpert, líder do mítico conjunto tex-mex mariachi boogie-woogie, Tijuana Brass, então um dos donos da gravadora A&M, e até então o artista de maiores vendagens deste selo.

A despeito de terem carta branca para gravarem um álbum ao seu estilo, não lograram o êxito esperado. No entanto, nos ensaios para o segundo disco, Alpert sugeriu a os dois uma antiga canção do maestro Burt Bacharach, chamada Close To You. O tema, que chegou a ser gravado por Richard Chamberlain e Dionne Warwick, nem com o próprio Bacharach havia feito o sucesso esperado — com relação a outras músicas do compositor. Mesmo hesitante, Richard aceitou pô-la no próximo compacto.

Lançada em maio de 1970, não só virou um sucesso acachapante quanto catapultou a dupla para o mundo, com canções românticas e marcantes, como Only Yesterday e I Need To Be In Love, além de covers de qualidade e muito bom gosto, como Please Mr. Postman (Marvelettes) e There’s a Kind Of Hush (Herman’s Hermits), entre outros.

O álbum homônimo, que viria à luz em agosto daquele mesmo ano, mostrava o gênero easy listening, que Karen e Richard transformaram numa avassaladora fórmula de sucesso. E tão insólito quanto o grande êxito inesperado do cover do autor de This Guy’s In Love With You foi o do segundo single do álbum, a linda We’ve Only Just Begun, que originalmente não passava de um jingle de um banco californiano.

Lançado no Verão de 70, subiu ao segundo lugar na parada da Billboard junto com Close to You, um verdadeiro fenômeno. Além dessas duas canções, o disco da dupla também trazia canções de Richard do tempo do Spectrum, como Maybe It’s You e versões bem particulares para dois outros temas de Bacharach, Baby It’s You e I’ll Never Fall In Love Again e ainda outra regravação bem peculiar de um antigo sucesso dos quatro cabeludos de Liverpool, Help! Contudo, mesmo soando ligeiramente comercial (e não deveria não deixar de ser) Close To You possui momentos bem experimentais, como uma obscura canção deles, Second Part, exótica e densa, bem diferente dos sucessos de Karen e Richard, e que fecha de forma singular o LP.

Texto: 1001 albuns

1970 | CLOSE TO YOU

01 | We've Only Just Begun
02 | Love Is Surrender
03 | Maybe It's You
04 | Reason To Believe
05 | Help
06 | (They Long To Be) Close To You
07 | Baby It's You
08 | I'll Never Fall In Love Again
09 | Crescent Noon
10 | Mr | Guder
11 | I Kept On Loving You
12 | Another Song

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