A Horse With No Name

cavalo

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Plebe Rude


Banda formada nos anos 80 por Philippe Seabra, Gutje, André X e Jander Bilaphra. Phillipe Seabra nasceu em Washington DC, EUA e em Brasília criou a Plebe Rude, que juntamente com outras bandas da cidade, fizeram grande sucesso no cenário do rock brasileiro dos anos 80. Vivendo atualmente entre NY e Brasília, o músico tem uma banda chamada Daybreak Gentleman e continua seus trabalhos com a Plebe Rude.

1985 | O CONCRETO JÁ RACHOU
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Em Brasília, fizeram parte da turma da Colina, integrada por outras bandas como Aborto Elétrico (que posteriormente deu origem Capital Inicial e Legião Urbana), Blitx 64, Metralhas e outras. O estilo da banda, repleto de críticas sociais e políticas, reflete toda a cultura da época, porém com uma preocupação maior nas composições e elaboração dos arranjos e melodias. Por estes fatores, é considerado uma mistura do rock com a influência inglesa e sua invasão oitentista do new wave.

Plebe Rude era umas das mais famosas bandas de Brasília, uma marco importante foi quando a Plebe Rude e a Legião Urbana fizeram um show num festival de rock em Patos de Minas em 5 de Setembro de 1982, primeiro show da recém formada Legião Urbana, abrindo para a Plebe Rude. Após as apresentações, acabaram sendo presos por causa de suas letras, Plebe Rude por uma música chamada "Voto em Branco" e Legião Urbana pela "Música Urbana 2", mas todos acabaram soltos após a polícia local ser informada por eles mesmos que eram de Brasília, temendo que fossem filhos de políticos.

1987 | NUNCA FOMOS TÃO BRASILEIROS
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Plebe Rude chamava muita atenção por onde passava. Tocaram em todas as danceterias importantes do eixo Rio-São Paulo e ainda no legendário Circo Voador. E numa destas apresentações no Circo Voador conheceram Herbert Viana, que haviam “homenageado” na música “Minha Renda”. No princípio, o encontro entre os plebeus e o paralama foi tenso, mas logo Herbert sacou todo o inteligente sarcasmo da Plebe Rude e a partir daquele momento tornou-se um dos que mais ajudaram a Plebe a estourar nacionalmente.

Atualmente conta com Philippe Seabra, nas vozes e na guitarra, Clemente Nascimento, dos Inocentes, também nas Vozes e na Guitarra, André X, no baixo e nos vocais, e Marcelo Capucci na bateria.

Texto | Wikipédia

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Kátya Teixeira


Cantora, compositora e instrumentista, vinda de uma família de músicos, Kátya Teixeira empreende sua viagem musical em perfeita sintonia com a energia telúrica. Fortemente influenciada pelo folclore e pela música latina, seu trabalho faz uma síntese ecológica. Nesta busca, ela consegue um admirável encontro com a riqueza musical oculta ou esquecida.

Seguindo a trilha de uma proposta musical definida, que é a de pesquisar e mesclar a cultura dos povos de todo o mundo como um reflexo de Brasil, ela apresenta um repertório variado, harmonizando voz, violão e rabeca, acompanhada de violões e bandolim e percussão, obtendo assim timbres e nuances, num espetáculo de grande beleza.

Neste trabalho de garimpagem e alquimia musical, nota-se elementos de uma lírica compreensão do homem e da terra. Vez ou outra, as músicas nos remetem a literatura de Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos... No show, temos a impressão de que se está de fato viajando, já que a sequência das músicas segue uma lógica de verdadeiro passeio pelos ritmos das diferentes regiões do país.

Esta curiosa jornada desperta a emoção não só pela beleza, mas também pela coragem de realizar um trabalho tão sério de resgate de raízes. Faz acreditar num país rico. Poucos se aventuram a enveredar tão profundamente na verdadeira MÚSICA BRASILEIRA - rica, complexa, surpreendente e digna.

Fonte | Site Oficial

1997 | KATXERÊ

01. Katxerê
02. Kararaô
03. Aluarados
04. Mãe Áurea
05. Brincando de Roda
06. A Lua Girou
07. Fonte Motriz
08. Dia de Festa
09. Nas Teias da Renda
10. Passarinheiro
11. Alagoando
12. Rebuliço
13. Anauê
14. Chapada dos Guimarães
15. Marianinha
16. Nove Luas

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2003 | LIRA DO POVO

01. Ayvu
02. Alegria Da Criação | Adeus Oh Serra Da Lapa
03. Canto de Fé | Eu sou da lira
04. Maracatu de Brejão dos Negros
05. Cantiga Beiradeira
06. Senhora Rainha | Sabiá piô/Vila Nova/ Guerrear
07. Rainha das Águas | Canoa Branca
09. Desejo
10. Você vai lá pro sertão | Língua Trovador
11. De Kekeke
12. Joaninha
13. Estrela D´Alva
14. Tava Durumindo | Candombe de Jequitibá
15. Tá Caindo Fulô | Balainho De Fulô/ Adeus, Adeus/ Quando a Festa Acabar
16. A Rosa Também Se Muda

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2011 | FEITO DE CORDA E CANTIGA

01. Vem Comigo
02. Coração Poeta
03. Açoite
04. Eu Brasileiro
05. Estrela de Ouro
06. Água D’Água
07. Bruxa do Livramento
08. Don’Ana
09. Modificar
10. Maria, Estrela e Geraes
11. No Umbigo da Viola
12. Receita Pra Pegar Saci
13. Vida Aventureira
14. Barca de Noé
15. Requengá
16. Mãe das Raças
17. O Convite

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2013 | 2 MARES
com Luiz Salgado

01. Asas do Mar
02. Nossa Senhora da Guia
03. Tema Incidental Duas Ventarolas
04. Meu São Gonçalinho
05. São Gonçalo do Brasil. O Santo Que Mudou de Vida
06. Tema Incidental: Eu Subi Lá No Alto do Tempo
07. Vinde Meninas
08. Alegria da Criação
09. As Sete Mulheres do Minho
10. Tia Luzia, Tio José
11. Mineira
12. pena de Colibri
13. Tema Incidental: Sete Mulheres
14. Deusa da Lua
15. Folia de Reis
16. Grândola, Vila Morena

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2016 | CANTARIAR
21 Anos

01. Dois Sertões
02. Os Grilos São Astros
03. Encantado
04. O Canto das Águas Serenas
05. Fotossíntese
06. Roxa Cor da Saudade
07. Canteiros do Coração
08. Flor de Algodão
09. Vento Viajeiro
10. Além de Olinda
11. Canto Lunar
12. A Lua Girou
13. Canto Cego
14. Dia Santo
15. Teus Olhos

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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Judee Sill


Nascida em Oakland, Califórnia, perdeu o pai, Milford "Bun" Sill, morto devido a uma pneumonia em 1952, e o irmão ainda bem jovem. Sua mãe, alcoólatra, se casou novamente com Ken Muse, responsável pela animação de Tom e Jerry. Judee nunca aceitou o fato de sua mãe ter se casado com ele. Ela não simpatizava com o jeito autoritário de Ken. Como que para vingança, passou a andar com turmas rebeldes, se envolveu com crimes e drogas (heroína). Correram boatos que Judee chegou a se prostituir para bancar o consumo de drogas. Foi presa uma vez, e na cadeia, conseguiu largar o vício.

Decidiu também começar a compor, era uma pianista e guitarrista talentosa. Ela foi influenciada em suas composições por Bach e Ray Charles.

Fez uma viagem de carro cruzando os EUA, com duas garotas, quando tinha 19 anos. Nessa viagem, obteve mais contato com o mundo musical. Quando voltou, conheceu David Geffen, que contratou Judee para gravar um disco pela sua nova gravadora - Asylum Records. Através de Geffen, Judee conheceu Graham Nash, que produziu o primeiro single para seu disco - "Jesus Was a Crossmaker".

Seu primeiro disco, de nome Judee Sill, foi aclamado pela crítica, mas era pouco comercializável.

Perfeccionista confessa, Judee podia levar um ano para escrever uma música. Algumas canções ficaram conhecidas por gravações feitas por outros artistas, como "Jesus Was a Crossmaker", que foi regravada pelo The Hollies, e "Lady-O", pelo The Turtles. O segundo disco, Heart Food, foi lançado em 1973. Infelizmente continha o mesmo problema que o primeiro, não conseguindo portanto muitas vendas.

Sua fama foi diminuindo, até que ela desapareceu quase que por completo do cenário musical. Não se tem certeza do que aconteceu depois, mas é certo que ela retornou para o vício da heroína, e também deve ter se envolvido com cocaína. Infelizmente, morreu de overdose em 23 de novembro de 1979, aos 35 anos.

Fonte | Wikipédia

1971 | JUDEE SILL

01. Crayon Angel
02. The Phantom Cowboy
03. The Archetypal Man
04. The Lamb Ran Away With The Crown
05. Lady-O
06. Jesus Was A Cross Maker
07. Ridge Rider
08. My Man On Love
09. Lopin' Along Thru The Cosmos
10. Enchaanted Sky Machines
11. Abracadabra
12. The Pearl (Original Version)
13. The Phoenix (Original Version)
14. Intro-The Vigilante (Live)
15. Lady-O (Live)
16. Enchanted Sky Machines (Live)
17. The Archeypal Man (Live)
18. Crayon Angels (Live)
19. The Lamb Ran Away With The Crown (Live)
20. Jesus Was A Cross Maker (Live)
21. Jesus Was A Cross Maker (Home Demo)

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1973 | HEART FOOD

01. There's a Rugged Road
02. The Kiss
03. The Pearl
04. Down Where the Valleys are Low
05. The Vigilante
06. Soldier of the Heart
07. The Phoenix
08. When the Bridegroom Comes
09. The Donor
10. Jig
11. The Desperado (Outtake)
12. The Kiss (Demo)
13. Down Where the Valleys are Low (Demo)
14. The Donor (Demo)
15. Soldier of the Heart (Demo)
16. The Phoenix (Demo)
17. The Vigilante (Demo)
18. The Pearl (Demo)
19. There's a Rugged Road (Demo)

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2005 | DREAMS COME TRUE

Disc 1
01. That's The Spirit
02. I'm Over
03. Apocalypse Express
04. The Living End
05. Things Are Lookin' Up
06. The Good Ship Omega
07. Last Resort
08. Til Dreams Come True
09. Living End (Studio Demo)
10. I'm Over (Studio Demo)
11. Til Dreams Come True (Instrumental)

Disc 2
01. Dead Time Bummer Blues
02. Sunny Side Up Luck
03. Emerald River Dance (Home Recording)
04. Waterfall
05. North County
06. Farmer's Daughter (The Chickens In The Garden)
07. The Wreck Of The FFV (Fast Flying Vestibule)
08. 500 Miles
09. Oh Boy The Magician (Instrumental)

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2007 | LIVE IN LONDON
The BBC Recordings 1972-1973

01. Jesus Was A Crossmaker
02. Lady-O
03. The Lamb Ran Away With The Crown
04. Enchanted Sky Machines
05. The Kiss
06. Down Where The Valleys Are Low
07. There's A Rugged Road
08. The Phoenix
09. The Donor
10. Soldier Of The Heart
11. Interview
12. Enchanted Sky Machines
13. The Kiss
14. Down Where The Valleys Are Low
15. The Phoenix
16. Jesus Was A Cross Maker
17. The Kiss
18. Down Where The Valleys Are Low

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Jurema | Mestiça


A historiadora, cantora e compositora Jurema Paes lança seu segundo disco, Mestiça, em que se apoia sem purismos em ritmos tradicionais brasileiros, como a chula e o maxixe. Batuques africanos se misturam a efeitos sonoros, samplers e outras técnicas de estúdio.

A produção do disco teve início em 2013, quando a cantora começou a juntar o repertório. Chegou a reunir mais de cem músicas. Dessas selecionou 11 composições dos autores Tiganá Santana, Elomar, Roberto Mendes, Nizaldo Costa, Marcos Vaz, Zeca Baleiro e Patrício Hidalgo. O cantor e compositor Elomar é antigo conhecido de Jurema, pois o pai da cantora, o também compositor Fábio Paes, é parceiro de Elomar de longa data. “Ele é como se fosse um tio de segundo grau”, conta Jurema. Do repertório do cantador estão em Mestiça as canções “Chula no Terreiro” e “Imbuzeiro”.

Assim como as de Elomar, as canções em Mestiça bebem nas tradições dos trovadores, em matrizes ancestrais. Jurema canta em inglês, espanhol, francês e quimbundo, língua natural de Angola usada por Tiganá Santana na sua composição “Nkongo”. Os arranjos misturam atabaques, melodias vocais com samples e técnicas de estúdio contemporâneas. “Maxixe e chula, Proteus e Pro Tools, cantos de trabalho, rodas de cantoria, partidos-altos, cidades baixas. Tudo está na música urdida por Jurema”, defende Zeca Baleiro, que participa do disco.

O álbum conta ainda com Chico César, Lenna Bahule, Letieres Leite e Tiganá Santana e foi gravado em São Paulo e mixado na Suécia, contato realizado por meio de Tiganá. Jurema diz que o trabalho de estúdio teve muita importância no resultado final, que aponta para uma nova sonoridade na música brasileira atual. “Os próprios produtores trabalham também com a engenharia de som. Esses profissionais estão buscando uma sonoridade do Brasil do século XXI”, diz.

Por | Itamar Dantas

2014 | MESTIÇA

01. Ogum de Ronda
02. Imbuzeiro (com Chico Cesar & Tiganá Santana)
03. Não Pedi
04. Nkongo (com Chico Cesar)
05. Le Mali Chez La Carte Invisible (com Tiganá Santana)
06. Fulorá
07. Elizabeth Noon
08. Água da Chuva
09. Maxixe Nagô
10. La Canã
11. Chula no Terreiro (com Zeca Baleiro)
12. Nkongo Remix (com Chico Cesar & Tiganá Santana)

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Linda Perhacs


Linda Perhacs lançou seu primeiro álbum em 1970, mas não conseguiu alcançar um bom exito nas vendas, o disco não recebeu tanta importância e foi esquecido no tempo.

Anos depois o Parallelograms foi redescoberto e ganhou popularidade graças ao surgimento da New Weird America e a Internet. Suas canções têm sido destaque em trilhas sonoras de muitos filmes, incluindo Daft Punk's Electroma.

Em dezembro de 2013, a Asthmatic Kitty Records anunciou para março de 2014 (44 anos apos o lançamento do Parallelograms) o lançamento do segundo álbum de Linda Perhacs.

The Soul Of All Natural Things foi gravado em 2012 e 2013, e contou com os produtores Fernando Perdomo e Chris Price. Outros colaboradores do álbum incluem Julia Holter e Ramona Gonzalez.

1970 | PARALLELOGRAMS

01. Chimacum Rain
02. Paper Mountain Man
03. Dolphin
04. Call Of The River
05. Sanday Toes
06. Parallelograms
07. Hey, Who Really Cares?
08. Moons And Cattails
09. Morning Colors
10. Porcelain Baked. Over Cast. Iron Wedding
11. Delicious
12. If You Were My Man (Demo)
13. If You Were My Man (Alternate Take)
14. Hey, Who Really Cares? (With Intro)
15. Chimacum Rain (Demo)
16. Spoken Intro To Leonard Roseman
17. Chimacum Rain (Demo)
18. BBC Interview (2005)
19. I Would Rather Love (Previously Unreleased)

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2014 | THE SOUL OF ALL NATURAL THINGS

01. The Soul Of All Natural Things
02. Children
03. River Of God
04. Daybreak
05. Intensity
06. Freely
07. Prisms Of Glass
08. Immunity
09. When Things Are True Again
10. Song Of The Planets

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Crosby, Stills, Nash & Young | Déjà vu


"A gente achava que podia mudar o mundo."
Graham Nash, 2002


Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Para seu segundo álbum, David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash chamaram o amigo Neil Young, discípulo do Buffalo Springfield, que tinha acabado de lançar After The Gold Rush, um de seus trabalhos mais importantes.

Foram quase 800 horas de gravação, em circunstâncias nada auspiciosas. A namorada de Crosby, tinha morrido num acidente de carro em setembro de 1969 - e ele não se recuperou, buscando consolo na heroína. Bebidas e cocaína abundavam no estúdio; o grupo brigava o tempo inteiro - o bem-humorado Young vivia ausente - e Nash foi forçado a assumir o papel de pacificador. De algum jeito, eles acabaram fazendo uma obra-prima que captou o espírito da cultura da Costa Oeste dos Estados Unidos no início dos anos 70.

"Carry On" - como "Suite: Judy Blues", do álbum de estréia do CSN, em 1969 - é uma maravilha camaleônica, com harmonias arrepiantes, uma das melhores músicas já feitas para curar a ressaca na manhã de domingo. "Our House" e "Teach Your Children" comprovam o dom de Nash para fazer melodias simples e cativantes. "Almost Cut My Hair" traz Crosby em sua luta contra o autoritarismo, com sua voz gutural em contraponto às harmonias vocais puras, características do grupo. A majestosa "Helpless" é a homenagem de Young aos amplos espaços abertos de seu Canadá natal, enquanto "Country Girl" é uma peça admirável, com arranjos ambiciosos.

Com seus vocais incomparáveis, sua dinâmica musicalidade e a perfeita carpintaria das canções, não é de admirar que o álbum tenha sido catapultado ao primeiro lugar nos Estados Unidos.

1970 | DÉJÀ VU

01. Carry On
02. Teach Your Children
03. Almost Cut My Hair
04. Helpless
05. Woodstock
06. Deja Vu
07. Our House
08. 4 + 20
09. Country Girl
a. Whiskey Boot Hill
b. Down, Down, Down
c. Country Girl (I Think You’re Pretty)
10. Everybody I Love You

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

David Bowie | A Trilogia de Berlim


Enquanto viveu na Alemanha, Bowie gravou três dos mais importantes discos de sua carreira.


A Trilogia de Berlim reúne os três discos que David Bowie gravou enquanto vivia na capital alemã. Ele trocou a Inglaterra e os EUA por Berlim para tentar se afastar das drogas, e também pelo interesse crescente pela música pré-eletrônica que então vinha sendo produzida no país (Kraftwerk, kraut rock, Neu!, Conny Plank). Lá, dividiu um apartamento com seu amigo Iggy Pop - outro que também precisava de "novos ares'.

Foi em Berlim que Bowie produziu juntamente com Tony Visconti e Brian Eno três álbuns clássicos de sua discografia: Low (77), "Heroes" (77) e Lodger (79). Durante este período extremamente fértil, ajudou Iggy a gravar seus dois primeiros discos solo (The Idiot e Lust For Life) e também excursionou com o cantor pela Europa e pelos EUA como seu tecladista e backing vocal em 1977. De todos os álbuns, apenas "Heroes" foi totalmente gravado na cidade, mas o termo "trilogia de Berlim" é usado pelo próprio Bowie para descrever esta época.

Esta transformação artística de Bowie já dava seus primeiros passos no álbum que precedeu a trilogia (Station To Station, 1976), onde seu novo personagem, o Thin White Duke (cujo nome "coincidentemente" era o alter-ego ideal para esta época cocainômana), desfilava influências do kraut rock aliados ao soul/funk de sua fase pós Ziggy Stardust/Alladin Sane.

(Nota: quem quiser conhecer a fundo esse período na carreira de Bowie pode comprar o livro Bowie in Berlin: A New Career in a New Town de Thomas Jerome Seabrook, ou o documentáro Under Review 1976-79 - The Berlin Trilogy que reúne entrevistas e vídeos raros desta fase, intercalados por críticas de especialistas). Vamos aos discos.

1977 | LOW | DOWNLOAD

"Sem o disco Low, nós não teríamos o Joy Division, o Human League, o Cabaret Voltaire e muito menos o Arcade Fire. A lenda ainda vive", profetiza um crítico do site Pitchfork Media.

A melhor forma de ouvir Low é em sua versão original, em vinil, dada a diferença de sonoridades e enfoque de cada lado do disco: o lado A é formado por canções pequenas e fragmentadas com influências que precediam o electro, o punk rock e a new wave, enquanto o lado B é composto apenas por longas faixas instrumentais - e é neste lado que o dedo mágico de Eno pesa mais forte.

Os vocais de Bowie ainda sentem os abusos cometidos por ele em seu até então recente vício em cocaína, e soam como gelo seco - o que não deixa ofuscar o brilho de canções como "Always Crashing in the Same Car" e "Be My Wife", dois grandes petardos de sua carreira. Low também acerta em cheio em outras faixas hoje consideradas clássicas como "Sound + Vision" e "Breaking Glass".

Embora requeira um audição mais cuidadosa, o lado B de Low mostra um Bowie amadurecido e ávido por mudanças. "Art Decade" e "Weeping Wall" são pura improvisação jazzy mesclada com os experimentos ambient de Eno, enquanto "Warszawa" explora a sensação vazia que Bowie sentiu ao visitar a cidade de Varsóvia em 1973 - sentimento este que percorre todo o disco, que se chamou Low justamente por causa dos altos e baixos que o músico sentia longe das drogas durante a gravação do mesmo.

Embora o álbum seguinte seja considerado pela maioria como o ápice da fase alemã de Bowie, este é um trabalho que merece todo o respeito, e sua experiência permanece atual.

1977 | "HEROES" | DOWNLOAD

O segundo álbum da trilogia é o que mais tem a cara da cidade, dividida em dois por um opressivo muro. Faixas como "Joe the Lion", "Beauty and the Beast" e "The Secret Life of Arabia" são, no mínimo, pontos altos de sua carreira.

Não há como ignorar uma faixa como "Heroes", uma de suas melhores criações até hoje. A velha história de dois jovens que se amam e que se encontrar através do muro de Berlim ganha força especial na voz desesperada e apaixonada de Bowie: a frase "nós podemos ser heróis, nem que seja por apenas um dia" resume tudo. Esta canção histórica ganhou várias versões ao longo dos anos, em especial a cantada por Debbie Harry e seu grupo Blondie.

O álbum possui algumas faixas instrumentais como "Sense of Doubt" e "Neuköln", ambas com um clima mais introspectivo e de guerra-fria, mas o restante do álbum projeta uma atitude muito mais positivista e esperançosa do que Low. "V2-Schneider" é uma bem humorada homenagem à Florian Schneider, um dos líderes do Kraftwerk. A faixa é marcada pelo saxofone intencionalmente fora de ritmo de Bowie, que começou a tocá-lo na hora errada mas, gostando do resultado final, resolveu continuar assim mesmo.

Um dado interessante é que o próprio Kraftwerk fez uma homenagem à dupla Bowie/Iggy em um de seus maiores clássicos, a faixa "Trans-Europe Express" (77), onde eles declamam os versos "From station to station / back to Düsseldorf City / Meet Iggy Pop and David Bowie".

Várias faixas de "Heroes" foram incluídas no filme Christianne F. (77), com Bowie interpretando ele mesmo na película. O compositor Phillip Glass recriou "Heroes" e Low com músicos de uma orquesta americana nos anos 90 em seus álbuns Heroes Symphony e Low Symphony.

Bowie conta que o nome do disco é escrito entre aspas para dar ênfase à ironia existente no conceito do que é heroismo.

1979 | LODGER | DOWNLOAD

O último álbum da trilogia foi gravado parte na Suíça, parte em Nova Iorque e tem uma sonoridade mais acessível dos que os outros dois, sem grandes viagens instrumentais e com uma veia pop bem mais carregada - ainda que sem perder o experimentalismo. Na época foi recebido friamente pela crítica e fez menos sucesso que Low e "Heroes", e hoje em dia é considerado um dos álbuns mais injustiçados do músico.

E não é pra menos: só a faixa "Boys Keep Swinging" (devidamente acompanhada do clipe em que Bowie aparecia "contracenando" com três hilárias personas-bowiescas travestidas) já vale metade do álbum, resgatando suas idéias sobre sexualidade e gênero de álbuns anteriores. Na mesma linha rocker, chega "Look Back In Anger", outro grande trabalho.

Lodger também tem aventureira e exótica, puxada por faixas como "African Night Flight" e "Yassassin (Turkish for Long Live)". A faixa "DJ" era uma bem humorada crítica ao universo dos disc-jockeys, e seu vídeo, dirigido por David Mallet (grande favorito de Bowie, trabalhando com ele em diversos outros) trazia o músico destruindo um estúdio de gravação.

Apesar de completar 30 anos, a trilogia berlinense causou efeitos em todas as gerações seguintes de músicos que escutaram estes discos, e até hoje se mostra relevante. Seja tirando experiências da própria vida que Bowie levava na época (a luta contra as drogas e a canalização do vício para uma produção criativa - crises tão comuns e viscerais) ou como influência sonora (sua esperta mistura de gêneros e sua vontade de brincar como experimentalismo), Low, "Heroes" e Lodger formam uma verdadeira trinca de ouro da música moderna que continuará inspirando músicos e artistas por muito tempo.

Por | Alisson Gøthz