A Horse With No Name

cavalo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Supersister

Supersister foi uma banda holandesa de Haia que fazia um rock progressivo que ia do jazz ao pop. Os membros da banda mais predominantes foram Robert Jan Stips (teclados, vocais), Sacha van Geest (flauta), Marco Vrolijk (bateria) e Ron van Eck (baixo).

Começaram as atividades usando o nome de “Sweet OK Sister” em 1968, atuando como uma banda escolar, liderada pelo cantor e compositor Rob Douw, que logo se desligaria do grupo. Os membros remanescentes continuaram como um quarteto musical mais sério, com o nome de Supersister. Seu estilo era o rock progressivo (estilo Canterbury), em que a execução do teclado de Stips tinha o papel dominante.

Debutaram com o álbum de 1970, “Present from Nancy”, emplacando sucessos como “She Was Naked", "A Girl Named You" e "Radio”. Depois de três álbuns, “Present From Nancy” (1970), “To The Highest Bidder” (1971), e “Pudding En Gisteren” (1972), Van Geest e Vrolijk resolveram deixar a banda. Reagruparam novamente com novos membros, Charlie Mariano (instrumentos de sopro) e Herman van Boeyen (bateria) e lançaram o álbum “Iskander” em 1973, trabalho orientado e conceitual de jazz/rock, com base na vida de Alexandre, o Grande. Em 1974, Stips e Van Geest lançaram ainda um outro álbum, “Supersister Ok Sweet”, que por sinal, marcaria o fim da banda.

Após um pedido do festival Progfest, eles se reuniram novamente em 2000, para uma apresentação em Los Angeles. Os quatro membros da banda do período 70-73 decidiram ir mais longe e o resultado foi, além da participação no festival, também a realização de uma pequena turnê pela Holanda no final de 2000 e no início de 2001. Para marcar a ocasião, lançaram um álbum de raridades, “M.A. A”, contendo gravações ao vivo e de estúdio da era 1969-1973. Infelizmente, devido a morte inesperada de Van Geest por insuficiência cardíaca, no verão de 2001, a banda desfez-se novamente. Um show decorrente dessa reunião, gravado no Paradiso em Amsterdam foi lançado em 2001 em CD, “Supersisterious” e em 2006 em DVD, “Supersister OK Sweet”, que incluía também, vários documentários novos e antigos, fotografias e material inédito da banda.

Eles se encontraram mais uma vez como um trio, em 2010, para apresentar duas músicas em um show televisionado em celebração dos 50 anos da música popular holandesa. Após isso, foram convidados para participar do festival Nearfest 2011, iniciaram os ensaios, mas sua apresentação teve que ser cancelada quando Ron Van Eck ficou seriamente doente (ele já estava lutando contra a leucemia por um tempo) vindo a falecer em julho de 2011.

Texto: Wikipédia, traduzido por: Francisco Eduardo.

1970 | ANYWHERE

01 | Anywhere
02 | Louisiana Blues
03 | Black Sabbath
04 | House Of The Rising Sun
05 | Twenty-First Century Schizoid Man
06 | Anywhere



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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Steve Miller Band

Nascido em Milwaukee, Wisconsin, 1943, em meio a uma família de músicos, Steve Miller não poderia ser outra coisa senão músico. Afinal, freqüentavam sua casa pessoas como Les Paul (o inventor da guitarra elétrica), T-Bone Walker e James Cotton. Pertence àquela estirpe de rockstar que não tem um grande público fora dos EUA mas que é especialmente compreendido e adorado pelo povo norte-americano, como Bruce Springsteen, John Mellencamp, Bob Seger, Boz Scaggs, entre muitos outros.

Em 1973, após o lançamento de “The Joker”, hit-seller que atingiu o nº 1 das paradas americanas, Steve resolveu dar um tempo, pois haviam se passado 5 anos de estafante trabalho, com turnês ininterruptas e 8 discos lançados (tudo bem, Frank Zappa seria capaz de fazer isso em 2 anos, mas vamos deixar isso pra depois...). Após um ano e meio de descanso, Steve mergulhou na preparação de seus dois álbuns seguintes: “Fly Like An Eagle” e “Book Of Dreams”.

“Fly Like An Eagle” saiu em maio de 1976 e marcou a carreira de Steve por conter uma maciça quantidade de hits, que fazem parte até hoje, em sua maioria, dos set-lists de shows. Significou também o início do flerte com a música progressiva, que Steve iria explorar mais intensamente nos álbuns seguintes, mas aborda outros ritmos além do rock básico, como blues, rhythm’n’blues e folk. A formação básica da banda para este disco traz, além de Steve nas guitarras, vocais e teclados Roland, Gary Mallaber (ex-Van Morrison Band) na bateria e Lonnie Turner (ex-Eddie Money e Dave Mason Band) no baixo. Lonnie é um antigo amigo de Steve e membro fundador da SMB, enquanto Mallaber se destacaria posteriormente por co-produzir discos platinados de Steve, como Abracadabra e Italian X-Rays.

A primeira faixa, “Space Intro.”, é uma vinheta instrumental de 1’14” executada por Steve no teclado Roland, cujo final se emenda com a faixa-título, um dos maiores hits de sua carreira. Também em clima de rock progressivo, tem seu ponto alto no órgão B-3 tocado por Joachym Young e por um solo final de cítara meio psicodélico. “Fly Like An Eagle” voltou a ser sucesso em 96, na voz do cantor inglês Seal, integrando a trilha sonora do filme “Space Jam”, estrelado por Michael Jordan e os Looney Tunes (Turma do Pernalonga). Chegou ao 2º lugar dos charts em dezembro/76 e está mais uma vez em evidência, por ser tema do jingle atual de TV do US Postal Office (o correio americano), largamente divulgado no país.

Em seguida vem a balada “Wild Mountain Honey”, de Steve McCarty, ainda em clima psicodélico sobre teclados viajantes. A 4ª música, “Serenade”, é o primeiro dos rocks básicos presentes no disco e tem uma levada e letra à la surfmusic. “Dance, Dance, Dance” é uma folksong em ritmo dançante (obviamente), praticamente toda acústica, onde se sobressai o violão dobro de John McFee, outro convidado especial. Na seqüência vem uma cover de K.C. Douglas, “Mercury Blues”, uma das melhores faixas do álbum e uma das mais pedidas em shows.

A 7ª e a 8ª músicas fazem uma dobradinha do que se pode produzir de melhor em rock’n’roll. “Take The Money And Run” conta a divertida estória de um casal, Billy Joe e Bobbie Sue, que são perseguidos pela polícia, tal qual Bonnie & Clyde, porém com final feliz. A música seguinte é um caso à parte... “Rock’n’Me” é provavelmente a mais perfeita combinação de uma guitarra/baixo/bateria já realizada, um exemplo de simplicidade bem sucedida. São 3 minutos exatos de “road” rock contagiante, com o típico vocal cristalino de Steve e uma letra ingênua, sobre um rapaz que percorre os EUA atrás de qualquer emprego que possa lhe dar condição de manter sua namorada. Atingiu o 1º lugar das paradas americanas em agosto/76 e é a música que fecha os shows de Steve, sempre cantada em uníssono com a platéia.

Depois vem uma cover de Sam Cooke (já percebeu como todos os grandes artistas gravam músicas dele?), “You Send Me”, cuja regravação é reputada como sendo até melhor do que a original. Não é pra menos... tem uma excelente harmonia de vocais, acompanhada por um singelo violão acústico e percussão com escovinha. Uma delícia.

Logo após, outra vinheta instrumental nos teclados (“Blue Odissey”) prepara a entrada de um blues no estilo “raízes” , “Sweet Maree”, no qual se destaca a harmônica de James Cotton - mais um convidado especial. O álbum se fecha com “The Window”, uma balada que começa e termina com o órgão progressivo de Joachym Young, mas que assume um tom bluesy no meio, permeada também por ótimas harmonizações vocais.

Foi com “Fly Like An Eagle” que Steve Miller passou a fazer shows em ginásios, em vez de teatros, e com o qual recebeu nada menos que 4 discos de platina, assim como seu sucessor “Book Of Dreams”.


1976 | FLY LIKE AN EAGLE

01 | Space Intro
02 | Fly Like An Eagle
03 | Wild Mountain Honey
04 | Serenade
05 | Dance, Dance, Dance
06 | Mercury Blues
07 | Take the Money and Run
08 | Rock'n Me
09 | You Send Me
10 | Blue Odyssey
11 | Sweet Maree
12 | The Window

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Sebastian Hardie


Sinfônico até a alma! Essa seria uma definição razoável para esse trabalho da mais conhecida e apreciada banda progressiva australiana dos anos 70, porém da mesma forma que diversas bandas dessa época, o quarteto australiano não concebeu um legado razoável, a sua discografia resume-se a duas produções somente, tendo mais uma terceira obra "Symphinity", onde Mario Millo resolveu encampar com o nome de Windchase, nada mais que a denominação do outro prestigiado trabalho do Sebastian Hardie.

Classifico como grande influência do Sebastian Hardie não o Yes e Camel, como muitos apregoam, mas, sobretudo os trabalhos clássicos de Rick Wakeman, principalmente "Journey To The Centre Of The Earth". Do Yes temos apenas suspiros, não contornos óbvios como nas obras de Wakeman, até porque o Yes sempre fora muito quebrado também, enquanto Wakeman solo nos anos 70 foi mais clássico.

O fato de a banda fazer um som acessível, sem muita complexidade, prevalecendo a melodia sobre os atributos técnicos, provoca o desagrado de uma ala de admiradores do progressivo mais complexo e ousado, principalmente daquela turma que gosta de um bom fusion, para esses, a obra em si pode não ser recomendável, mesmo assim é de se ressaltar que apenas com dois trabalhos a banda teve uma aceitação mundial no meio progressivo, mesmo com a maioria das pessoas conhecendo dez ou vinte anos depois dos seus lançamentos.

Por | ProgBrasil

1975 | FOUR MOMENTS

01. Four Moments 1 (Glories Shall Be Released)
02. Four Moments 2 (Dawn of Our Sun)
03. Four Moments 3 (Journey Through Our Dreams)
04. Four Moments 4 (Everything Is Real)
05. Rosanna
06. Openings


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1976 | WINDCHASE

01. Windchase
02. At the End
03. Life, Love and Music
04. Hello Phimistar
05. Peaceful


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1977 | SYMPHINITY (WINDCHASE)

01. Forward We Ride
02. Horsemen to Symphinity
03. Glad to be Alive
04. Gypsy
05. No Scruples
06. Lamb's Fry
07. Non Siamo Perfetti
08. Flight Call

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1997 | LIVE IN L.A.

01. Introduction
02. Glories Shall Be Released
03. Dawn Of Our Sun
04. Journey Through Our Dreams
05. Everything Is Real
06. Rosanna
07. Windchase (Conclusion)
08. Openings
09. Millo's Bizarre Bizet
10. Openings (Conclusion)

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2012 | BLUEPRINT

01. I Wish
02. Vuja de
03. Art of Life
04. I Remember
05. Another String
06. Shame

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???? | MORE MOMENTS

01. All Right Now (Single 1973)
02. Day After Day (Single 1974)
03. Mermaid On The Sand (Single 1974)
04. Horsemen To Symphinity (Mario Millo & Men From Mars Live 1998)
05. Four Moments (Live at Vodaphone Arena 2003)
06. Rosanna (Live at Vodaphone Arena 2003)
07. Openings (Live at Vodaphone Arena 2003)

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Bach | Herz und Mund und Tat und Leben


Herz und Mund und Tat und Leben ("Coração e boca e ações e vida"), BWV 147a, é uma cantata de Johann Sebastian Bach, composta por ocasião da festa da Visitação da Virgem Maria (a Isabel), em Leipzig, em 2 de julho de 1723, embora já existisse numa versão anterior, ligeiramente diferente, de 1716. Apesar de ter a numeração BWV 147 no catálogo completo de suas obras,1 foi, na verdade, a 32ª cantata composta por Bach - entre as que sobreviveram. Bach escreveu um total de 200 cantatas durante sua estada em Leipzig, principalmente para atender à demanda das igrejas locais, que era de quase 60 cantatas diferentes por ano.

Esta cantata é uma das mais célebres de Bach, em especial, o décimo movimento (repetição do sexto, com outro texto), conhecido como Jesus bleibet meine Freude ("Jesus, alegria dos homens").

O efetivo orquestral e o conjunto de vozes são constituídos por:
vozes solistas: soprano, contralto, tenor e baixo;
coro a 4 partes;
orquestra: trompete, 2 oboés, fagote, 2 violinos, viola, e baixo contínuo.
Há também uma segunda formação orquestral com: trompete, 2 oboés, Oboé d'amore, 2 Oboés da caccia, 2 violinos, viola, e Contínuo (incluindo Violoncelo e Violone no Movt. Nº 7).

A maior parte do texto usado na cantata 147 é de Salomão Franck, enquanto os textos originais do 6º e 10º movimento foram escritos por Martin Janus em 1661. O texto do 10º movimento é inspirado no versículo bíblico que cita:…no Teu nome e na Tua memória está o desejo da nossa alma. (Cântico de confiança na proteção Divina).

HERZ UND MUND UND TAT UND LEBEN

The Amsterdam Baroque Orchestra & Choir
Conductor - Ton Koopman
Soprano - Lisa Larsson
Alto - Elisabeth von Magnus
Tenor - Lothar Odinius
Bass - Klaus Mertens

01. Chorus: Herz und Mund und Tat und Leben
02. Recitativo: Gebenedeiter Mund!
03. Aria: Schäme dich, o Seele nicht
04. Recitativo: Verstockung kann Gewaltige veblenden
05. Aria: Bereite dir, Jesu, noch itzo die Bahn
06. Chorus: Wohl mir, daß ich Jesum habe
07. Aria: Hilf, Jesu, hilf, daß ich auch dich bekenne
08. Recitativo: Der höchsten Allmacht Wunderhand
09. Aria: Ich will von Jesu Wundern singen
10. Chorus: Jesus bleibet meine Freude

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FELIZ NATAL | MERRY CHRISTMAS

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Trapeze


Quando Glenn Hughes ingressou no Deep Purple em 1973, seu nome ficou, de imediato, famoso em todo o mundo. Mas, ao contrário de seu novo companheiro David Coverdale, que antes de responder a um anúncio da Melody Maker e entrar na banda de Ritchie Blackmore, Ian Paice e Jon Lord tinha apenas experiência com grupos desconhecidos, Hughes não era nenhum novato. O baixista e vocalista, nascido em 21 de agosto de 1952 na cidade inglesa da Cannock, já havia impressionado meio mundo com a sua passagem pelo Trapeze, uma das melhores bandas de hard rock da primeira metade dos anos setenta.

O Trapeze surgiu em março de 1969 na cidade de Wolverhampton, Inglaterra. Seus fundadores foram o vocalista e trompetista John Jones e o guitarrista e tecladista Terry Rowley, responsável pelo nome do conjunto. Os dois haviam se conhecido em uma banda chamada The Montanas. A dupla foi atrás de músicos com pensamentos parecidos com os seus, e os encontrou nas figuras do guitarrista Mel Galley e do baterista Dave Holland, além do já citado Glenn Hughes.

Após vários ensaios e um número cada vez maior de shows pelos clubes londrinos, o então quinteto assinou com a Threshold Records, criada pelo Moody Blues inicialmente para lançar apenas os álbuns do grupo e os trabalhos solos de seus integrantes, mas que acabou se transformando em um selo com catálogo próprio, subsidiado à gravadora Decca.

Em 1970 chegou às lojas o primeiro play do grupo, tendo com título apenas o nome da banda. A produção foi de John Lodge, baixista do Moody Blues. O álbum traz um hard rock calcado no blues, e apesar de ser um bom disco, passou meio batido pelo público. Logo após o lançamento, John Jones e Terry Rowley deixaram o conjunto, retornando para o Montanas, onde permaneceriam até 1978.

Reduzido a um trio, o Trapeze voltou ao estúdio para gravar o seu segundo álbum. Lançado em novembro de 1970, Medusa é bastante superior ao primeiro trabalho. Novamente produzido por John Lodge, o disco apresenta um hard rock coeso e afiado, com passagens instrumentais requintadas e de muito bom gosto, adornadas pela voz singular de Glenn Hughes, um dos maiores vocalistas da história do hard rock.

Medusa abre com "Black Cloud", faixa que apresenta uma das características marcantes do Trapeze: a alternância entre momentos mais pesados com outros mais calmos, levando o ouvinte por estradas muito bem construídas, que desembocam em trechos onde o pau como solto. Ótimo começo!

Na sequência temos um dos ápices da carreira do trio. "Jury" começa como uma balada, onde os destaques são a interpretação de Hughes e a guitarra de Galley. Após essa breve e excelente introdução mais lenta, a faixa cai em um hard clássico, mudança feita pelo antológico riff de guitarra de Mel Galley, que Glenn Hughes e Dave Holland seguem com precisão cirúrgica. Essa segunda parte da canção evolui, com Hughes cantando muito, enquanto Galley

rege os trechos instrumentais. E, no final, tudo volta para o começo, como uma viagem em loop em uma máquina do tempo. Sensacional!

O tempero funk, outra das características do Trapeze, aparece em "Your Love is Alright" e "Makes You Wanna Cry", com o embalo sendo apimentado com generosas dose de peso. Já o rock bate ponto forte em "Touch My Life", uma das melhores faixas do disco, que conta com um dos grandes riffs de toda a carreira de Galley. Mais uma vez percebe-se a variação entre momentos mais calmos e outros mais explosivos, tornando a canção muito interessante.

Uma das mais belas composições gravadas nos anos setenta vem a seguir. "Seafull" é uma espécie de blues carregado com ainda mais emoção e sentimento, onde Hughes canta como se fosse um anjo caído. As linhas vocais criadas pelo baixista e vocalista são tão lindas que chegam a doer. A parte instrumental mostra toda a sensibilidade do trio, conduzindo o ouvinte por uma odisséia regada com imagens do passado e sonhos de um futuro melhor.

O disco fecha com sua faixa-título, uma canção que não poderia ter nascido em outra época que não naquele final dos anos sessenta e início dos setenta. O belo arranjo mostra o quanto o grupo influenciou todo o hard rock subsequente. Os trechos acústicos tornam a canção ainda mais bela, revelando todo o poder da voz crua de Hughes. Um encerramento perfeito para um álbum de tão alto nível como Medusa. ... (continua)

Por | Ricardo Seelig

1970 | MEDUSA

01 | Black Cloud
02 | Jury
03 | Your Love is Alright
04 | Touch My Life
05 | Seafull
06 | Makes You Wanna Cry
07 | Medusa

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Triumvirat


Triumvirat foi uma banda alemã de rock progressivo formada em 1969.

Durante o início, a banda executava músicas de sucesso em lugares famosos de sua cidade natal, Colônia. The Nice e Emerson, Lake & Palmer foram bandas que influenciaram a direção musical do Triumvirat, tanto que a banda incorporou algumas músicas dessas bandas em seu repertório. No alto de sua fama durante a era do rock progressivo na década de 70, o Triumvirat era constantemente chamado de Emerson, Lake & Palmer alemão, ou clone ELP, devido a virtuosidade clássica de Fritz nos teclados e sintetizadores.

No início da década de 1970, a banda enviou uma fita demo para a EMI Records em Colônia e ganhou seu primeiro contrato de gravação. Foram produzidos outros álbuns durante a mesma década, incluindo Mediterranean Tales: Across The Waters e Illusions on a Double Dimple. Em 1975, a banda atingiu o ápice de seu sucesso comercial com o lançamento de Spartacus, que é considerado por muitos um álbum clássico do rock progressivo.

A banda sofreu várias mudanças pessoais (incluindo a perda do vocalista Helmut Köllen, que morreu de asfixia por monóxido de carbono enquanto ouvia algumas de suas músicas de estúdio no carro enquanto o motor estava ligado, em sua garagem). A banda terminou em 1980 com o lançamento de seu álbum final, Russian Roulette.

1973 | ILLUSIONS A DOUBLE DIMPLE

01 | Ilusions On a Double Dimple
       a. Flashback
       b. Triangle
       c. Illusions
       d. Dimplicity
       e. Last dance
02 | Mister Ten Percent
       a. Maze
       b. Dwning
       c. Bad deal
       d. Roundabout
       e. Lucky Girl

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

It's a Beautiful Day


Fundado em 1967, o grupo californiano It's a Beautiful Day tornou-se um dos símbolos da segunda geração de grupos de San Francisco. A psicodelia de suas canções, as perfomances endiabradas de seus músicos nos palcos, e a crescente onda lisérgica do verão do amor, foram suficientes para tornar o It's a Beautiful Day o maior expoente do novo cenário da música de San Francisco no final dos anos 60 e início dos 70, ao lado do Santana e após o estrondoso sucesso de grupos como Moby Grape, Jefferson Airplane e The Doors (considerados da primeira geração).

Porém, o sucesso do grupo não foi o suficiente para mantê-lo na ativa por muito tempo. Em apenas seis anos de vida, o grupo lançou quatro discos de estúdio e um álbum ao vivo, mas alterou momentos de instabilidade, que ocasionaram em diversas mudanças na sua formação, fazendo-o ser mais reconhecido por ser "a banda que gravou o tema original de Child in Time" (gravado pelo Deep Purple no álbum In Rock, de 1970) do que pelos méritos reais que o grupo possui.

1969 | IT'S A BEAUTIFUL DAY | Esse é um dos álbuns mais essenciais do flower-power californiano. Ele está no mesmo patamar de Cheap Thrills (Big Brother & The Holding Company) e Surrealistic Pillow (Jefferson Airplane). Nele, estão os maiores sucessos gravados pelo It's a Beautiful Day. A canção que abre o LP, "White Bird", é um marco do rock californiano. O casal David LaFlemme (violinos, voz) e Linda LaFlamme (teclados, voz), além de Pattie Smith (voz), Hal Wagenet (guitarras), Mitchell Holman (baixo, vocais) e Val Fuentes (bateria) criaram uma linda balada, com destaque para as passagens de violino e para as lindas vocalizações da dupla Pattie-David, além do órgão de Linda, que se sobressai na canção seguinte, a épica "Hot Summer Day", uma espetacular balada latina comandada pelo baixo de Mitchell e pela harmônica de Bruce Steinberg. "Wasted Union Blues" trás a acidez típicamente californiana na guitarra de Hal, em um som que possui um ritmo alucinante. Outra bela canção encerra o lado A, "Girl With No Eyes", agora com Linda fazendo um belo trabalho no cravo, tendo destaque novamente para o violino de David.

01 | White Bird
02 | A Hot Summer Day
03 | Wasted Union Blues
04 | Girl With No Eyes
05 | Bombay Calling
06 | Bulgaria
07 | Time Is



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O famoso riff que deu origem a "Child in Time" abre o lado B, na imortal "Bombay Calling". As lindas notas orientais do violino são seguidas pela repetição das mesmas pelo órgão de Linda, de onde Hal surge com um vigoroso e efusivo solo de guitarra, em uma fantástica faixa instrumental, repleta de duelos entre órgão e violino. "Bulgaria" é a mais intimista das canções, com um andamento soturno e ao mesmo tempo hipnotizante. Para encerrar, um delírio em foma de música, "Time Is", com uma embalada sessão instrumental de abertura, que lembra músicas tradicionais russas, e com Linda se revelando uma espetacular tecladista. Admiradores de Jon Lord, ouçam e constatem por que o It's A Beautiful Day era fonte de inspiração para o Purple. A canção encerra-se em um delirante free-jazz, com muita percussão e psicodelia, que fecha com chave de ouro o melhor álbum do grupo, e um dos melhores da história da Califórnia. A capa de It's A Beautiful Day foi feita por George Hunter e pintada por Kent Holliseter, e foi eleita a vigésima quarta capa mais bonita de todos os tempos pela revista Rolling Stone.

1970 | MARRYING MAIDEN | Os LaFlamme acabaram separando-se, e para o lugar de Linda, Fred Webb foi o contratado. Depois de um período conturbado, o grupo contou com a ajuda de Jerry Garcia (líder do Grateful Dead) e assim, gravou outro belo álbum. Marrying Maiden não tem a potência do álbum de estreia do grupo, mas destaca canções de muito bom gosto, e principalmente, revela outro talentoso tecladista, agora Webb. Jerry foi o responsável por tornar o som do grupo mais próximo do Southern Rock, e também sugeriu "a vingança" do It's a Beautiful Day para o plágio que o Deep Purple havia feito com "Bombay Calling". Logo na abertura do LP, a fantástica instrumental "Don and Dewey" provoca os britânicos, chupando sem-vergonha o riff da canção "Wring That Neck", registrada no álbum do Deep Purple Book Of Taliesyn (1968). Um jazz rock fenomenal, mas que destoa bastante do resto do LP, o qual é mais leve, entre o Southern e o country, como pode ser comprovado na canção seguinte, a bonita "The Dolphins". "Essence of Now" lembra The Mamas & The Papas, com as bonitas vocalizações de Pattie e David. Outra instrumental, "Hoedown", é um country rock efervescente, com David solando de forma rápida e dançante, passando então para um solo de banjo feito por Jerry Garcia, que também é responsável pelo hilário solo de pedal steel guitar que vem na sequência.

01 | Don and Dewey
02 | The Dolphins
03 | Essence of Now
04 | Hoedown
05 | Soapstone Mountain
06 | Waiting for the Song
07 | Let a Woman Flow
08 | It Comes Right Down to You
09 | Good Lovin’
10 | Galileo
11 | Do You Remember the Sun?

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A interessante "Soapstone Mountain" encerra o lado A, em uma suave canção, na linha de "Essence of Now", com um refrão grudento e com Hal tocando de forma sublime. É nessa canção que a lisérgica guitarra de Hal dá as caras. "Waiting For The Sun" é uma rápida viajem lisérgica com vozes e um french-horn criando uma sonoridade muito estranha, seguida pela melosa "Let A Woman Flow", um jazz suave, quase bossa-nova, com trechos cantados em espanhol. O jazz é retomado em "It Comes Right Down To You", onde Jerry Garcia novamente participa com o pedal steel guitar e banjo, destacando nessa canção o clarinete de Richard Olsen. "Good Lovin'", com um refrão grudentíssimo, resgata os ácidos acordes do primeiro álbum do grupo. A linda "Galileo", com barulhos de vento e um dedilhado da guitarra seguidos por flautas, e a triste "Do You Remember The Sun", que conta com um refrão marcante, encerram esse bom LP, que apesar de estar longe do LP de estreia, é uma ótima sequência para a carreira do grupo. A capa de Marrying Maiden é tão bonita quanto a de seu antecessor. Tendo o nome de A Joint Venture, a pintura foi construída por James William Redo III e Roberto Perez-Dias, e só fica relegada a segundo plano justamente pelo fato da capa do LP de estreia ser muito bela. Existe uma segunda capa que também é tão bonita quanto a original, mas que não é muito conhecida dos fãs da banda.

1971 | CHOICE QUALITY STUFF / ANYTIME | Depois de uma série de bem sucedidos shows, onde o grupo foi um dos destaques no Stamping Groung Festival da Holanda, em 1970, e do Festival de Bath, no mesmo ano, o grupo passa por uma nova reformulação, com Tom Fowler (baixo) e Bill Gregory (guitarra) substituindo Mitchell e Hal respectivamente. Porém, o clima entre os membros do grupo já não era o mesmo, principalmente David, que pensava em uma carreira solo, assim, gravam com o clima de fim de festa o chamado Disco do camelo. Dividido em duas partes, esse álbum caracteriza-se justamente de partes bem distintas. Choice Quality Stuff é pesado e bem trabalhado, abrindo com a fantástica "Creed of Love", a qual possui um dos grandes refrões da carreira do grupo, além de um ótimo duelo entre Bill e David. "Bye Bye Baby" é um agitado blues que traz para o estúdio as improvisações que o grupo fazia ao vivo. "The Grand Camel Suite" mantém o bom nível, em uma ótima faixa instrumental que conta com uma cozinha bem southern rock. "No World For Glad" é próxima do hard setentista, e "Lady Love" é um funk psicodélico que lembra o Experience de Jimi Hendrix.

01 | Don and Dewey
02 | The Dolphins
03 | Essence of Now
04 | Hoedown
05 | Soapstone Mountain
06 | Waiting for the Song
07 | Let a Woman Flow
08 | It Comes Right Down to You
09 | Good Lovin’
10 | Galileo
11 | Do You Remember the Sun?

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Os membros do Santana Jose Chepito Areas (percussão), Coke Escovedo (percussão), e Gregg Rolie, (teclados) participam da faixa "Words", uma paulada que não poderia deixar de lembrar as canções do Santana, com os vocais sensuais de Pattie se destacando, além do fantástico solo de Greg, encerrando o lado A com muito peso. Já Anytime é bem mais calmo. "Place Of Dreams" é uma canção sessentista, assim como a bonita instrumental "Oranges & Apples", que conta com o trompete de Bill Atwood, o qual participa de "Anytime", uma leve e dançante canção, na linha das canções de Janis Joplin com a Kosmic Blues Band, e que tem o ponto alto no solo de saxofone feito por Atwood. "Bitter Wine" trás de novo o pessoal do Santana, e o embalo é retomado em uma faixa que é cantada por Pattie e David juntos, encerrando o álbum com a ótima "Misery Loves Company", com um fantástico solo de Bill. A engraçada capa com o camelo andando pelo deserto e se imaginando dirigindo um carrão entre vários parceiros de corcovas, foi feita por George Benett, e chegou a causar alguma polêmica nos EUA por apresentar os testículos do mamífero. O Disco do camelo foi o último a contar com David LaFlamme, que decidiu seguir carreira solo pouco depois do grupo lançar o bom ao vivo at Carnegie Hall (1972), mas não foi o último da discografia.

1972 | AT CARNEGIE HALL

01 | Don and Dewey
02 | The Dolphins
03 | Essence of Now
04 | Hoedown
05 | Soapstone Mountain
06 | Waiting for the Song
07 | Let a Woman Flow
08 | It Comes Right Down to You
09 | Good Lovin’
10 | Galileo
11 | Do You Remember the Sun?

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1973 | IT'S A BEAUTIFUL DAY ... TODAY | Sem David, Patti, Val, Bill e Fred tocaram o barco com Bud Cockrell (baixo) e Greg Bloch (violino). Essa formação gravou o derradeiro álbum do grupo. O som do It's a Beautiful Day mudou bastante, fugindo totalmente da psicodelia, e criando um espaço mais homogêneo para as vocalizações de Pattie, Bill e Bud, misturando bonitas baladas e canções mais dançantes. "Ain't That Lovin' You, Baby" é a canção que abre os trabalhos, com um cadenciado andamento, onde sem dúvida as vocalizações são o maior destaque, assim como o ótimo solo de Bill. "Child" é um triste blues, levado pelo piano e pelas tristes notas da guitarra, onde Pattie mostra todos os seus dotes vocais. "Down on the Bayou" é mais setentista, com um andamento swingado e dançante, tendo um ótimo solo de hammond. "Watching You, Watching Me" é uma canção cuja levada do baixo lembra "Ramble On", do Led Zeppelin, porém sendo uma canção bem mais leve. O lado A encerra com a linda balada "Mississippi Delta", levada por piano, violino e uma emotiva interpretação vocal do grupo, com um clima bem sessentista. A agitada "Ridin' Thumb" destaca os vocais sensuais de Pattie Smith, sobre mais uma levada swingada do grupo, abrindo o lado B com bastante ritmo. O piano de "Mississippi Delta" volta a estar presente em outra linda canção, "Time", um bluesão sensacional onde Fred mostra seu talento com o piano, enquanto "Lie to Me" retoma o andamento sessentista, com bonitas passagens vocais e também do piano. "Burning Low" é uma agitadíssima canção, onde a levada de baixo e piano, acompanhando as vocalizações de Pattie e Bill, dão um tempero pop ao som de ... Today, que encerra-se com "Creator", uma triste canção soul, que deixa a sensação de que o It's a Beautiful Day podia entrar no novo mundo da música com bastante vigor, e com potencial para continuar na ativa por muitos anos.

01 | Don and Dewey
02 | The Dolphins
03 | Essence of Now
04 | Hoedown
05 | Soapstone Mountain
06 | Waiting for the Song
07 | Let a Woman Flow
08 | It Comes Right Down to You
09 | Good Lovin’
10 | Galileo
11 | Do You Remember the Sun?

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Porém, o grupo acabou logo após o lançamento desse álbum. Algumas reuniões ocorreram nas décadas posteriores. Em 1989, Pattie Smith faleceu em um acidente de carro. Fred Webb faleceu no ano seguinte e em 1997, David LaFlamme retornou com o grupo, porém apenas para apresentações, sem gravar nenhum disco de estúdio, mas apresentando aos novos e velhos fãs os clássicos que marcaram a carreira desse grande grupo, que mesmo em seu pequeno período na Terra, teve sua relevância destacada entre muitos nomes do rock, principalmente Ian Gillan, o qual em uma entrevista em 1990, afirmou que o grupo havia sido uma das maiores influências na Mark II do Deep Purple.

Por | Mairon Machado