A Horse With No Name

cavalo

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Picassos Falsos

CARNE E OSSO
Texto: Mofo

Os anos 80 foram fundamentais para o rock brasileiro se consolidar. E, além das grandes bandas do período - RPM, Legião Urbana, Titãs - surgiram bandas menos famosas, mas extremamente criativas. Uma delas foi o grupo carioca Picassos Falsos, que foi um dos pioneiros ao tentar adaptar o samba, ou soul e o funk ao rock. A principal figura da banda era o vocalista Humberto Effe, que deixou sua marca nos dois discos lançados no final da década de 80. Uma carreira curta, porém, marcante.

Os Picassos Falsos começaram em 1985, no bairro da Tijuca, mas com outro nome: O Verso. O grupo era formado por Humberto Effe (voz e violão), Gustavo Corsi (guitarra, violão e cavaquinho), Caíca (baixo) e Abílio Rodrigues (bateria). Caíca ficou até 1987, quando entrou Zé Henrique Romanholli. Nesse período O Verso deixou de existir, sendo rebatizado pelo vocalista Alvin L. como Picassos Falsos.

E foi com essa formação que o grupo gravou a primeira demo, contendo "Carne e Osso", "Quadrinhos" e "Idade Média". A fitinha teve maciço apoio da rádio Fluminense FM, e acabou chamando a atenção do jornalista e produtor José Emílio Rondeau, o mesmo do primeiro LP da Legião Urbana. O grupo acabou assinando com a RCA, que havia montado um selo chamado Plug, para promover novas bandas. Uma delas foi o Violeta de Outono. Lançado em 1987, Picassos Falsos foi uma estréia inovadora e recebeu elogios por parte da crítica. Os maiores sucessos foram "Quadrinhos" e "Carne e osso", sendo que a primeira fez parte do programa Armação Ilimitada, da Rede Globo.

Os Picassos inovavam ao usar músicas incidentais; "Carne e osso", por exemplo, trazia trechos de "Se você Jurar", de Ismael Silva, além de "Cristina (Carlos Imperial-Tim Maia)", sucesso na voz de Tim.

1987 | PICASSOS FALSOS

01. Carne e Osso
(Mus. Inc. "Se Você Jurar/Cristina")
02 | Quadrinhos
03 | Que Horas São?
04 | Bater À Porta
05 | Últimos Carnavais
06 | Constrastes
07 | Bonnie e Clyde
08 | Um Bêbado
09 | Idade Média
10 | Olhos Mudos

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Com o lançamento, a banda teve uma lotada agendada de shows, onde se destacavam pelo ótimo nível dos músicos e a presença carismática de Humberto Effe, um dos letristas mais subestimados dos anos 80, além de ser um excelente performer. O grupo abusava de suas influências no palco, abusando dos ritmos regionais como ritmos nordestinos, samba, soul e funk.

Se Picassos Falsos foi uma ótima estréia, o próximo LP seria a grande obra da banda. Supercarioca é um disco ainda mais ousado e visionário, mesclando todos os ritmos regionais com Jimi Hendrix. O LP radicaliza os conceitos iniciais da banda, mas teve vendas inferiores ao disco de estréia.

Se as vendas foram mais modestas, o grupo tinha atingido o seu ápice artístico e o shows eram cada vez mais interessantes e cheios de referências. Na faixa "Bolero", a banda citava "Third Stone from the sun", do primeiro LP do The Jimi Hendrix Experience, Are You Experienced.

1988 | SUPERCARIOCA

01 | Retinas
02 | Bolero
(Mus. Inc. "Third Stone From The Sun")
03 | Marlene
(Mus. Inc. "Último desejo")
04 | Verões
05 | Wolverine
06 | Sangue
07 | O Homem Que Não Vendeu Sua Alma
08 | Fevereiro
09 | Fevereiro 2
10 | Rio de Janeiro
11 | Supercarioca

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A banda continuou na estrada, até o adeus, em 1990. Humberto tentou uma carreira solo, lançando um dico em 1990. Gustavo Corsi tocou com Ivo Meireles, Gabriel o Pensador, Marina Lima e Cláudio Zoli, e também com o Rio Sound Machine. Romanholi tentou a vida no Cruela Cruel (que contava com o guitarrista Feranando Magalhães, do Barão Vermelho), até abandonar a música e tentar a vida no jornalismo. Abílio trabalhou com Belchior e Ivo Meireles, abriu um estúdio e uma loja de instrumentos e formou-se em filosofia.

Segundo Gustavo Corsi, a banda se separou porque a gravadora exigia um novo LP e como eles atravessavam uma fase de pouca criativa, aliada com a pressão, resolveram terminar. Após ficar toda a década de 90 sumidos, eis que a banda volta no primeiro ano do Século XXI. O grupo tinha duas idéias: gravar um novo trabalho, Novo mundo, que foi editado apenas em 2005, pelo selo Psicotronica e o show Hipercariocas, onde tocavam músicas de Paulo da Portela, João Donato, Chico Buarque e João Nogueira.

Nessas apresentações contavam com a presença do percussionista francês David Villefort. Segundo Effe, em entrevista ao jornal O Globo, em 2001, "sempre usamos percussão nos disco, mas no palco éramos um quarteto. Não tínhamos esta preocupação."

2004 | NOVO MUNDO

01 | Você Não Consegue Entender
02 | Porta-Bandeira
03 | Presidente Vargas
04 | Rua do Desequilíbrio
05 | Zig Zag 2
06 | O Filme
07 | Novo Mundo
08 | Até Onde For Seguir
09 | Pra Deixar de Ficar Só
10 | Me Diga Seu Nome
11 | Eletricidade

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O grupo acabou chamando novamente a atenção e foram um dos destaques do TIM Festival, em novembro de 2004, o mais importante evento de música do país, na noite do dia 6. Eles abriram para a cantora PJ Harvey e o Primal Scream. Dividir o palco, no entanto, não animou muito os músicos. Ou como disse disse Romanholi, em uma entrevista ao Globo, em 2001: "O público ainda é ligado no que é produzido lá fora. Eu que já fui roqueiro radical, hoje não troco dez Strokes por um Mestre Ambrósio."

Desde então, a banda reuniu-se ocasionalmente, com planos de lançar um quarto disco jamais concretizado. Os dois discos se encontram fora de catálogo, mas eles foram reunidos na coletânea Picassos Falsos Hot 20, ainda que com as faixas fora de ordem.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Beto Guedes

Oriundo do Clube da Esquina, nesta página sua, Beto Guedes parece reinventar seu próprio clube, depois de tanto frequentar o clube dos irmãos mais velhos, Milton e Lô Borges. Com produção de Ronaldo Bastos e a participação de diversos músicos do antigo clube (Toninho Horta, Flávio Venturini, Vermelho), Beto Guedes acrescenta uma página elétrica ao som dos clubes mineiros de esquina, como num relâmpago. O disco, o som da banda e, principalmente, a voz de Beto Guedes, tem um pouco daquele ar de Minas Gerais, que, mesmo radicado em Belo Horizonte (Beto é de Montes Claros) faz tudo parecer meio de interior, de além das montanhas, de longe do mar. Seu timbre de voz é único, uma recriação tupiniquim de Bob Dylan ou Neil Young, mas com uma certa melancolia que lembra o mar distante, do outro lado da serra.

De certa forma, o clube da esquina e esta página elétrica seriam quase um... Novos Mineiros... Ao som de minas, agrega-se a guitarra fuzz de Beto sem que isso torne o relâmpago um disco de rock'n'roll, como disse, é uma página. E a página do relâmpago elétrico, faixa título que abre o lado A , é uma linda canção de amor na forma de raio, frases curtas e soltas que nunca caem no mesmo lugar, mas que são prenúncio de chuva forte.

Outra página da página é uma leve influência de rock progressivo em canções tanto quanto em faixas instrumentais (Chapéu de Sol) provavelmente devido a presença de Flávio eVenturini, que já tocava com o Terço e estava por formar o 14 bis. A presença de teclados é extensa, ora com Flávio, ora com Vermelho, oras com ambos. Mas a instrumentação não para aí: no mesmo formato do Clube, as seções de gravação incluíam muitos músicos e outro elemento importante é uma percussão variada que se agrega na receita do trovão. Trovão bem temperado, uma vez que com o excesso de sons, muitas vez a textura da massa se sobrepõe ao sabor, o que não é o caso aqui: esta é uma página de canções.

Texto: 1001 discos nacionais

1977 | A PÁGINA DO RELÂMPAGO ELÉTRICO

01 | A Página Do Relâmpago Elétrico
02 | Maria Solidária
03 | Choveu
04 | Chapéu de Sol
05 | Tanto
06 | Lumiar
07 | Bandolim
08 | Nascente
09 | Salve Rainha
10 | Belo Horizonte

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ZERØ


Após ver o vocalista Guilherme Isnard reformular o grupo em 2002 e lançar o CD Electroacústico, o público do Zero comemora agora a reedição em CD do EP Passos no Escuro e do álbum Carne Humana.

Com o título Obra Completa, o CD reúne as dezesseis músicas que o Zero lançou pela gravadora EMI, entre 1986 e 1988. Ficam inéditos em CD a estréia do grupo, ainda em compacto, com 100% Paixão e Heróis, está última disponível no site oficial do grupo para download (http://www.bandazero.com/).

Formado em 1983, o Zero conseguiu seu maior sucesso com a canção Agora Eu Sei, balada romântica que conta com a participação de Paulo Ricardo, na época com o RPM batendo recordes de vendas de seu segundo disco, Rádio Pirata Ao Vivo.

Logo depois, as rádios começaram a tocar Formosa, um rock elegante na linha do Roxy Music e do Duran Duran. Agora Eu Sei e Formosa faziam parte do EP Passos no Escuro, tentativa fracassada da EMI em colocar nas lojas um produto mais barato para o público. A gravadora imaginava que ao lançar um "mini-lp" de sete músicas, cobrando menos por isso, as vendas aumentariam. O plano dos executivos esbarrou nos lojistas que vendiam o tal do "mini-lp" com o mesmo preço de um disco completo.

Mesmo assim, o formato abriu as portas do mercado para bandas como Plebe Rude (que estreou com O Concreto Já rachou) e do Zero.

Pouco tempo depois, Guilherme Isnard e cia estavam em estúdio para gravar Carne Humana. Seguindo na linha tecnopop do disco de estréia, o grupo colocou nas paradas o rock Quimeras e a balada A Luta e o Prazer.

Por divergências musicais, a banda se separou na virada da década de 90, voltando a se reunir em 2002 para o lançamento de Electroacústico, CD que traz vários dos hits do grupo em novas versões.

A capa de Obra Completa homenageia um trabalho do pintor Norman Rockwell, The Conaisseur, que retrata um observador diante de uma tela de Pollock, questionando a arte abstrata.

2003 | OBRA COMPLETA

Cada Fio Um Sonho
Agora Eu Sei
Formosa
Os Olhos Falam
Passos No Escuro
Quero Te Contar
Algum Vício
Quimeras
Linha da Vida
Abuso de Poder
Medo de Voar
Carne Humana
Seu Planeta
Game Over
Sem Pudor
A Luta e o Prazer

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Muzak

Power-trio paulista de post punk, criado em 1984 e formado por Osmar (baixo e voz), Nivaldo (guitarras), Victor Leite (bateria) e Régis (bateria - substituindo Victor). Surgiram dentro da cena underground em São Paulo, influenciados primeiramente, pelas bandas inglesas Killing Joke e Gang of Four. As letras de suas canções tinham como característica o caos urbano e suas consequências e o som produzido era muitas vezes propositalmente assimétrico e hardcore (Ilha Urbana) servindo de trilha sonora para suas divagações existenciais e críticas.

Em 1985 foram convidados a participar de uma coletãnea do selo Baratos Afins chamada Não São Paulo, onde foram gravadas as músicas Ilha Urbana e Jovem Ateus.

Em 1986 foram contratados pela EMI-Odeon e lançaram o mini-lp Muzak, contendo as musicas: Onde Estou, Pés no Vazio, Céu Escuro, Teu Coração, Longe Demais e Rosto Humano.

Em 2004 a dupla Tétine juntamente com a gravadora inglesa Soul Jazz Records lançou na Europa a coletânea The Sexual Life of Savages - Underground Post-Punk from São Paulo, com a faixa Ilha Urbana, no mesmo ano outra coletânea semelhante é lançada na Alemanha pelo selo Man Recordings com o título No Wave, contendo a musica Ilha Urbana…

Texto: Last.fm

1986 | MUZAK

01 | Onde Estou?
02 | Pés no Vazio
03 | Rosto Humano
04 | Longe de Mais
05 | Teu Coração
06 | Céu Escuro


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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Serge Gainsbourg


O INVENTOR DO POP FRANCÊS NA ERA DO ROCK

Serge Gainsbourg é simplesmente o mais importante compositor do pop francês da segunda metade dos anos 50 em diante, ou seja, a chamada era do rock, não contando gigantes pré-rock como Chevalier, Trenet ou Piaf. Talvez não seja inadequado comparar Gainsbourg a Chico Buarque; o gaulês foi melodista igualmente versátil e inspirado, usando todos os ritmos possíveis, e também escreveu letras à altura (em francês e inglês), cheias de jogos de palavras e achados poéticos eivados de lirismo, cinismo e ironia. Gainsbourg também convida comparações com outros grandes compositores como o inglês Noel Coward e os norte-americanos Randy Newman e Tom Lehrer.

É verdade que Gainsbourg veio de um ambiente mais liberal e propício à criatividade que Chico Buarque: a França, ainda por cima Paris, terra do existencialismo, os "filhos de Karl Marx e da Coca-Cola", como diz Godard – ou, para citar agora-me-foge-quem, aquela interpretação mais radical do "carpe diem" latino, não de simplesmente aproveitar cada dia, mas sim vivê-lo como se fosse o único, queimar a vela pelas duas pontas e pelo meio, não confiar no futuro, pois a vida e o amor são apenas camuflagens frágeis e passageiras que escondem o nada, ô dó. Como dizem os existencialistas franceses, Deus não existe, mas em compensação os franceses sim – ou, na frase do próprio Gainsbourg, "o homem criou Deus, o inverso está por ser provado".

Talvez Gainsbourg tenha sido quem melhor aplicou o existencialismo à música pop, tanto em suas letras quanto em sua própria vida. Para começar, os homens franceses são mestres da feiúra charmosa, e Gainsbourg era típico ("a beleza do feio nota-se imediatamente", dizia), inclusive sonoramente, com a voz que se espera de quem fumava cinco maços de cigarros por dia – hábito que manteve até o fim, sem contar bebida, drogas e noitadas, mesmo após sofrer três enfartes e perder dois terços do fígado. Bem que amigos e médicos o aconselharam, mas ele nem quis saber, justificando: "Eu sobrevivo desde que nasci. Minha mãe quis abortar quando engravidou. Em 1942 a polícia nazista tentou nos prender. Minha mãe me salvou com minhas duas irmãs. Depois cresci sob uma boa estrela amarela, a que usei durante a ocupação. O que vivi depois é um presente."

Serge Gainsbourg ganhou o presente da vida em 2 de março de 1928, batizado Lucien Ginzburg e filho de judeus fugidos da Rússia. Seu pai era pianista e transmitiu este dom ao filho, que logo arrumou empregos e bicos como transcritor de partituras e pianista de jazz. Um dia o rapaz percebeu que poderia ganhar um pouco mais como compositor, e resolveu adotar um pseudônimo – não para esconder sua ascendência judia, mas sim porque "Lucien Ginzburg é nome de barbeiro de bairro". A princípio assinou-se Julien Crux, mas após três anos escolheu o prenome Serge, forma francesa de "Sergei", em honra a seus antepassados russos, e passou a grafar seu sobrenome como Gainsbourg, gozando seus professores que não conseguiam escrever Ginzburg."...

Logo Gainsbourg chamou a atenção do meio musical. Descoberto pelo grande empresário e produtor franco-búlgaro Jacques Canetti (também descobridor de Jacques Brel, Michael Legrand e muitos outros) assinou com a Philips (onde gravaria por toda a vida – quem diria ser esta a mesma Universal Music de hoje?) em 1958 (pois é, ele já tinha trinta anos). Em 31 anos Gainsbourg gravou 27 LPs (incluindo um em dupla com seu primeiro parceiro, o compositor e arranjador Alain Goraguer, e a atriz/cantora Juliette Greco, outro com Brigitte Bardot e, claro, um terceiro com Jane Birkin), além de ter músicas ou versões gravadas por meio mundo.

As pérolas de Gainsbourg gravadas por outros incluem "Poupée De Cire, Poupée De Son", lançada por France Gali (e que muitos de vocês devem ter conhecido com Wanderléa, "Boneca De Cera, Boneca De Pano"), "Comment Te Dire Adieu" (versão de "It Hurts To Say Goodbye" do norte-americano Jack Gold) e "L’Anamour" (ambas sucessos com La Hardy), "69 L Ánnée Erotique" (lançada pela atriz e cantora inglesa Jane Birkin), "La Javanaise" (lançada por Juliette Greco e regravada por Rita Lee nos anos 90) e "Harley-Davidson", sucesso de Brigitte Bardot, regravado pelo Shocking Blue (sim, o grupo holandês) e a inspiração para o início de "Metamorfose Ambulante" de Tio Raul – além de grande ausência numa recente coletânea de músicas dedicadas à mítica motocicleta.

Embora não fosse estritamente roqueiro, o versátil Gainsbourg era muito bom de rock, muitas vezes parodiando e esculhambando o gênero – que tal, em plena era do twist, ouvir um disco chamado "Réquiem Pour Un Twister"? E "Oh Oh Cheri", rockabilly da dupla Jil & Jan, sucesso de Françoise, foi parodiado por Gainsbourg como "Oh Oh Sheriff", gravado num LP todo em francês da inglesa Petula Clark. Sempre bem-humorado, Gainsbourg oferece opções para todos os gostos, do melhor ao pior, da escatologia à irreverência e humor negro, como em "En Relisant Ta Lettre", que comenta os erros de ortografia do último bilhete da amante suicida ("Ao reler tua carta/noto que tua ortografia é como tu/‘É tu que eu amo’/tem um "m" só [...] ‘eu te suplico’/faltou o pingo no "i"/‘sou escrava’/não tem crase/‘das aparências/isso é ridículo’/O "i" é maiúsculo..." À primeira vista podendo soar machista, Gainsbourg gozava até o machismo, como em "Les Femmes, Ça Fait Pédé" ("As Mulheres Nos Dão Vontade De Virar Bichas").

Aliás, Gainsbourg parodiava não só o rock, mas tudo, inclusive ritmos jamaicanos ("Couleur Café", "Pauvre Lola") e música erudita: "Jane B.", cantada por La Birkin, é explicitamente inspirada no Prelúdio Número 4 de Chopin, e o "Mercado Persa" de Kethelby foi transformado em (fiquem sentados) "Oh My Lady Heroine". E isso não é nada perto de seu arranjo reggae para o hino nacional francês em 1979.

Mantendo pique e inspiração até o fim, Gainsbourg, logo antes de morrer, em 1990, ainda compôs dois discos inteiros para Jane Birkin (Amours Des Faintes) e Vanessa Paradis, a Carla Perez francesa, intitulado Variations Sur Le Même T’Aime. Notaram o trocadilho do título? Gainsbourg, já comentamos, compunha muito bem em francês e também em inglês, sendo grande fã de aliterações e jogos de palavras em geral. Outro bom exemplo é sua letra para "Comment The Dire Adieu", cheia de trocadilhos com o fonema "ex".

Citamos a versão reggae de Gainsbourg para "A Marselhesa", carro-chefe de seu LP 'Aux Armes Et Cetera', de 1979. Franceses mais patriotas, incluindo veteranos da segunda guerra mundial, protestaram em massa. Emérito provocador, Gainsbourg conseguiu chocar até seus conterrâneos franceses, para quem "merde" e "putain" não são palavrões. Para Gainsbourg, escandalizar o Vaticano (como ele fez com "Je T’Aime... Moi Non Plus") era moleza. Ele gozou até a si mesmo e sua herança judaica num LP inteiro, 'Rock Around The Bunker!' Sem falar em "Les Sucettes", que France Gall gravou sem perceber a, ahn, sutileza da letra: "Aninha adora pirulitos/Pirulitos de aniz [...] quando o suco chega à garganta de Aninha/ela vai ao céu [...] e quando ela sente que debaixo da língua/só ficou o palito/ela corre de volta à loja". Acredite se quiser: Gali só se deu conta da lambuzeira quando o disco se tornou grande sucesso. (Fula da vida, ela nunca mais falou com Gainsbourg. Mas, também, quem mandou não prestar atenção?) Menos sutil foi a reação bastante espontânea de Gainsbourg ao se deparar com a gritadeira Whitney Houston num programa de TV: "I want to fuck you!".

Mas Gainsbourg, sátiro e gozador, foi também grande pessoa. Casado com Jane Birkin durante doze anos, continuou seu amigo e parceiro musical mesmo após o fim do romance. Ambos tiveram uma filha, Charlotte, também atriz e cantora (e que gravou com o pai um dueto cujo título diz tudo, "Lemon Incest"). E quatro anos antes de morrer Gainsbourg produziu outro pepê, o garoto Lulu, em parceria com Bambou, jovem modelo francesa de origem chino-alemã; Gainsbourg lhe dedicou uma música cujo início diz "Quando eu sumir, jogue um pouco de urtiga sobre meu túmulo, meu pequeno Lulu."

Enfim, o assunto Serge Gainsbourg é dos mais ricos, assim como sua obra. Bem comentou a feminista Bardot ao morrer o amigo: "Ele me provou que alguns homens podem ser gênios." E toda sua obra está disponível, devidamente reeditada pela Philips francesa numa caixa de onze CDs, 'De Gainsbourg A Gainsbarre', bem como todas suas letras, reunidas em 'Dernières Nouvelles Des Étoiles', livro organizado pelo escritor e gainsbourgólogo Franck Lhomeau e lançado pela editora parisiense Plon Pocket em 1994. Parafraseando o próprio Gainsbourg, ao rever sua obra, há muito poucos erros a apontar...


1971 | HISTORIE DE MELODY NELSON

01 | Melody
02 | Ballade de Melody Nelson
03 | Valse de Melody
04 | Ah! Melody
05 | L’Hôtel Particulier
06 | En Melody
07 | Cargo Culte

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Tool


Tool é uma banda rock norte-americana, vencedora de Grammy Awards, que foi formada em 1990 em Los Angeles, Califórnia. A banda vendeu mais de 20 millhões de cópias em todo o mundo, e é constituída pelo baterista Danny Carey, o baixista Justin Chancellor, o guitarrista Adam Jones, e o vocalista Maynard James Keenan. Os Tool fizeram digressões mundiais e produziram álbuns que obtiveram bons resultados nas tabelas musicais internacionais.

O Tool emergiu com um som heavy metal no seu primeiro LP, Undertow, numa altura em que o gênero era dominado pelo thrash metal, e mais tarde atingiram o topo do movimento de metal alternativo com o lançamento do segundo LP, Ænima, em 1996. Os seus esforços para unificar a experimentação musical, artes visuais e uma mensagem de evolução pessoal continuou com Lateralus (2001) e o seu mais recente álbum, 10,000 Days (2006), oferecendo à banda aclamação e sucesso a nível mundial.

Devido à incorporação de artes visuais e álbuns relativamente longos e complexos, os Tool são geralmente descritos como um grupo com um estilo transcendente, parte do rock progressivo e do art rock. A relação entre a banda e a indústria musical é ambivalente, por vezes marcada por censura pela insistência dos membros da banda em ter privacidade.

A história do Tool começa em 1990, quando Maynard James Keenan, aluno da Kendall College of Art & Design, conheceu Adam Jones, técnico em efeitos especiais do estúdio de Stan Winston. Eles descobriram ter outra coisa em comum fora a fascinação por arte contemporânea: a música. Maynard e Adam começaram a compor juntos e chamavam dezenas de músicos para ensaiar. Eles usavam o estúdio de ensaio pessoal de Danny Carey, vizinho de Maynard e amigo de Adam. Danny foi apresentado a Adam por Tom Morello (ex-guitarrista do Audioslave, atual Rage Against the Machine), com quem Adam havia tocado baixo numa banda chamada Electric Sheep. Por indicação de Morello, Danny Carey se ofereceu para tocar bateria com Maynard e Adam, pois ao mesmo tempo sentia pena dos dois por não acharem ninguém para tocar (as pessoas que eles chamavam nunca retornavam ou então sequer apareciam).

Na mesma época, Paul D'Amour tinha se mudado para Los Angeles para trabalhar no meio cinematográfico, realizando efeitos especiais para dos filmes O Exterminador do Futuro, Jurassic Park e Predador 2, e já estava desistindo de ser músico quando conheceu Adam, que o convidou para tocar, sendo Paul um excelente baixista. Uma curiosidade: D'Amour estava sempre de mau-humor, e seu estado de espírito influenciou muito a sonoridade das músicas, que encaixaram perfeitamente com sua personalidade. Com a banda formada, eles começaram a ensaiar regularmente na casa de Danny Carey.

Depois de quase se chamarem Toolshed, eles escolheram a alcunha de ser simplesmente Tool, pelo fato de quererem que sua música fosse uma "ferramenta" para a compreensão da Lacrimologia, a "ciência do choro" como terapia, que consiste em evoluir explorando sua dor física e emocional. Os temas mais comuns nas composições são críticas à religiosidade, à sociedade americana e à sexualidade.

Mesmo sendo uma banda de sonoridade alternativa e incomum, o Tool ganhou as paradas de sucesso, em parte, pela polemica, em parte por seus clipes, obras lapidadas a esmo e elevadas ao status de "curta-metragens". Após certo tempo, eles começam a abrir shows para Rollins Band, Rage Against the Machine e Fishbone. Nessa época, eles gravam demos de quatro canais das canções Cold & Ugly, Hush, Part of Me, Jerk-Off, Crawl Away e Sober. Apenas as quatro primeiras entrariam no EP Opiate, lançado em Abril de 1992, pela Silvertone Records, da Virgin.

Opiate, que continha apenas as composições mais pesadas e curtas, fez com que todos achassem que se tratava de uma banda de trash metal. Assim, a banda conseguiu uma certa exposição e boa vendagem com Opiate. Gravaram um clipe para Hush (dirigido por Ken Andrews, do Failure), onde todos da banda aparecem amordaçados e nus, com uma placa escrita: "Parental Advisory: Explicit Parts" cobrindo suas partes íntimas, pois a música fala sobre censura. O vídeo não foi lançado de maneira oficial, e mesmo sendo boicotado pela MTV americana, não impedediu sua repercussão, e a faixa Sweat foi adicionada à trilha sonora do filme Scape From L.A.

Chega às lojas Undertow, em uma versão censurada do primero álbum original. Algumas lojas trocaram a capa original (um desenho de uma escultura de Adam Jones, uma espécie de caixa torácica vermelha com costelas em forma de tentáculos) por um código de barras gigante. A parte interior e traseira do encarte ainda traziam fotos como uma mulher extremamente obesa nua, sozinha, e uma outra foto da mesma mulher com um homem nu deitado sobre ela, além de uma radiografia com um enorme vibrador dentro de uma cavidade anal. Em edições não censuradas, existem também fotos de uma vaca lambendo suas genitálias e um porco empalado por uma série de garfos - esta, real. Como a arte gráfica do álbum sugere, Undertow é um álbum cru, com nuances mais melódicas e densas, faixas beirando os cinco minutos.

Com o álbum catapultado pelos vídeos de Sober (dirigido por Adam Jones e Fred Stuhr, ganhou as categorias de "Melhor Artista Novo" e "Melhor Clipe De Hard Rock/Metal" na MTV) e Prison Sex (primeiro clipe totalmente dirigido por Adam), o Tool conseguiu ser uma das atrações principais do Festival Lollapalooza '93. O álbum traz também Intolerance - que claramente faz alusões ao período em que Maynard serviu o Exército Americano nas linhas "You lie, cheat and steal" em oposição a "I will not lie, cheat or steal", principais princípios ensinados aos soldados). A enorme Bottom tem participação especial de Henry Rollins. Swamp Song e a faixa-título fazem alusão a uso de drogas, o tema principal do álbum. A última faixa, Disgustipated é uma narrativa sarcástica sobre o que seria o apocalipse que as cenouras enfrentam em todos os dias de colheita, com o som de machados e marretas marcando o tempo.

Turnês intermináveis, especulações de que a banda era adepta do satanismo, aumentam sua popularidade a cada show. A banda não se sente ameaçada por isso, pois o que queriam era que as pessoas ficassem perturbadas e excitadas com a sua música. Na letra de Prison Sex, por exemplo, trata de abusos sexuais que Maynard teria sofrido na infância. Isso pode te-lo tornado uma pessoa mórbida e sadomasoquista - segundo as especulações. Mas nada disso foi comprovado, e o que sabemos é que Maynard teve uma educação extremamente religiosa e opressora, que espelha sua revolta contra as novas religiões e as antigas ortodoxas.

Ænima, lançado em 1996, ganhou um título que é a junção das palavras "Anima" (termo cunhado por Carl Jung) e "Enema" (inimigo). Durante o processo de composição, Paul D'Amour anuncia sua saída da banda. Paul resolveu dar vasão a sua paixão por outros estilos músicais. O grupo então começa a testar outros baixistas, entre eles Frank Cavanagh do Filter, Scott Reeder do Kyuss, e Shepherd Stevenson, do Pigmy Love Circus. O escolhido foi Justin Chancellor, do Peach, banda que excursionou com o Tool na Europa em 1994. Justin não aceitou o convite de imediato, pois estava montando um novo projeto com o guitarrista de sua antiga banda (com quem tocava desde os 14 anos de idade). Percebendo que não poderia deixar a oportunidade para trás, ele entrou para o Tool. Quando o single Ænima foi lançado, o Tool logo sofreu novamente uma represália: o clip de Stinkfist (primeiro single do disco) foi rejeitado pela MTV, que alegou que o título da música era ofensivo. Depois de inúmeros protestos por parte dos fãs, a emissora passou a exibir o vídeo com o nome de Track #1, por ser a primeira faixa do álbum.

Ænima é um álbum recheado de mensagens subliminares. Em quase todas as faixas, Maynard está sussurrando algo, inteligível ou não. Faixas como Eulogy, Forty-Six & 2, Hooker With A Penis, Pushit e Ænema dividem espaço com músicas que são quase como vinhetas: Useful Idiot, Message To Harry Manback, Intermission e Die Eier Von Satan (discurso me alemão que é nada mais do que uma receita de um tipo de biscoito cookie). Sendo o design gráfico da capa de Ænima primoroso, recheado de holografias estranhas e soturnas, este rendeu ao grupo um prêmio por "Melhor Embalagem de Álbum" no Grammy de 1996. Foram indicados ainda a categoria de "Melhor Vídeo Clip e Curta-Metragem" por Stinkfist.

Maynard começara a se apresentar em shows totalmente careca, com o corpo inteiramente pintado ou então vestido de mulher, adicionando ainda mais estranheza à perfomance do Tool. Em meio à imensa turnê, a banda lança o single e o clipe de Ænema, concorrendo a prêmios na MTV - que desta vez não censurou a criatividade do grupo. Ænema ganhar então um Grammy de "Melhor Performance de Metal", em 1997.

Após o estouro dos shows de promoção de "Ænima", o Tool resolve dar um tempo. Maynard grava a música You Can't Kill The Revolution com o Rage Against The Machine, faz um dueto num show com Tori Amos, cantando Muhammad My Friend e forma o a banda Shandi's Addiction, com Billy Gould (Faith No More), Tom Morello e Brad Wilk (guitarrista e baterista do Rage Against the Machine) para participar do disco-tributo à banda Kiss gravando a música Calling Dr. Love. A Volcano Entertainment, gravadora do Tool, processou a banda por ter violado cláusulas do contrato, alegando que o grupo estaria participando de projetos em outros selos, e assim procurando novas propostas de contrato. A banda travou uma batalha com gravadora, e alegava que a mesma estaria negligenciando uma cláusula que constava no acordo original. A briga durou mais de um ano, até que no final ambas as partes resolveram fazer um novo acordo, evitando medidas judiciais. O Tool renovou o seu contrato, incluindo a gravação de mais três álbuns.

Em 1998, após as batalhas judiciais, os integrantes envolveram-se em vários trabalhos paralelos com bandas amigas: Adam Jones toca em alguns shows com a banda Melvins e monta uma banda experimental com King Buzzo, chamada Noiseland Arcade. Maynard começa a ter mais contato com outros músicos, organizando o projeto Tapeworm, com Trent Reznor e Danny Lohner, ambos do Nine Inch Nails. Nesta época, tocam e compoem sem compromisso, e não há nenhum registro comprovado de gravações do projeto.

Mais tarde, Maynard restabelece contato com Billy Howerdel, técnico de som das sessões de Ænima. Howerdel mostra suas composições e Maynard se oferece para participar do projeto que ele estava montando com a baixista Paz Lenchantin. Está formada a banda A Perfect Circle, que acabaria se tornando a ocupação de Maynard durante um bom tempo.

Com o Tool paralisado por conta de problemas contratuais, Maynard pode se dedicar completamente ao A Perfect Circle. Formado por Maynard, Billy Howerdel, Troy Van Leeuwen, Paz Lenchantin e Josh Freese, o grupo começa a tocar em shows beneficentes e abre a turnê de 2000 do Nine Inch Nails. Tentando enganar seus fãs, Maynard passa a usar uma peruca. Mas ele logo é descoberto, por causa da grande atenção que o A Perfect Circle acaba despertando com o álbum Mer De Noms.

Quando o A Perfect Circle deu um tempo, o Tool imediatamente voltou às atividades. Para acabar com os boatos de que a banda havia acabado, eles lançam, em 2000, o box Salival, que se trata de um DVD com os cinco clipes da banda e um CD com faixas ao vivo e raridades. Dentre elas, versões de No Quarter, do Led Zeppellin, You Lied (cover da banda Peach, de Justin Chancellor), a faixa escondida Maynard's Dick e Pushit, em versão ao vivo mais longa que a original onde o professor de percussão de Danny Carey, Aloke Dutta, dá uma canja. A embalagem é uma pequena caixa negra com um livreto (no mesmo estilo do álbum do show P.U.L.S.E. do Pink Floyd) com fotos de shows e cenas dos vídeos.

A banda demite o empresário Ted Gardner, que também ameaça processar a banda, alegando atraso dos honorários. Nenhuma notícia sobre o ocorrido vaza para a imprensa. Após seis anos desde o lançamento de Ænima, Lateralus é lançado. O grande apelo do álbum é o clipe futurista de Schism, com a música Mantra" como introdução. A banda está agora revigorada, com Adam Jones mais refinado, mostrando mais técnica em seus riffs. Faixas como Reflection e The Patient trazem a brilhante voz de Maynard em destaque, contrastando com as belicosas The Grudge e Ticks And Leeches (faixa que a banda evita apresentar ao vivo, devido o esforço vocal de Maynard). Neste álbum, a banda pode ter assimilado influências do Hinduísmo, filosófica e musicalmente. A banda ganha mais um Grammy, desta vez com a música Schism.

O Tool lança ainda os clipes de Parabol e Parabola - em sequência, como no álbum - resultando num enorme vídeo, que acaba dificultando a veiculação do mesmo pela mídia e pela MTV. Terminada a turnê de Lateralus em 2003, Maynard volta a se reunir com o A Perfect Circle e planeja o lançamento do segundo álbum do grupo, Thirteenth Step. Danny Carey se dedica a estudar percussão com seu professor Aloke Dutta e a gravar com o Pygmy Love Circus, enquanto Adam segue sua carreira com efeitos especiais e escreve material novo para o Tool com Justin Chancellor.

10000 Days é o quarto álbum de estúdio lançado em Maio de 2006 e tem características em comum com as do álbum Lateralus: o design gráfico ficou a cargo de Alex Grey, o mesmo de Lateralus, dentre outras. Neste álbum, os elementos da música alternativa trouxeram ainda mais à tona as tendências progressivas da banda, deixando os fãs em dúvida entre qual dos trabalhos personifica a obra-prima da banda.

Vicarious, faixa de abertura, tem uma composição envolvente, lembrando em alguns momentos a música Schism. Como se fosse um retrato da carreira da banda, sem deixar de ser criativa, tem guitarras explosivas e dinâmicas, cheias de riffs que alternam alucinadamente. Wings for Marie, composta por duas partes, foi feita por Keenan devido a morte de sua mãe. Explicou numa entrevista, que sua mãe sofria de uma paralisía que a incapacitava parcialmente. O período de duração entre a paralisia e sua morte foi de exatamente vinte e sete anos. Dez mil dias. Atualmente a banda faz a turne de promoção do álbum.

Texto: Wikipédia

1992 - OPIATE

01. Sweat
02. Hush
03. Part of Me
04. Cold and Ugly (Live)
05. Jerk-Off (Live)
06. Opiate


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1993 - UNDERTOW

01. Intolerance
02. Prison Sex
03. Sober
04. Bottom
05. Crawl Away
06. Swamp Song
07. Undertow
08. 4°
09. Flood
69. Disgustipated

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1993 - LIVE AT BIG MELE FESTIVAL
(Bootleg)


01. Cold & Ugly
02. Intolerance
03. Hush
04. Undertow
05. Sober
06. Prison Sex
07. Swamp Song
08. Sweat
09. Opiate (Featuring Layne Staley)
10. Flood
11. Jerk-Off

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1996 - ÆNIMA

01. Stinkfist
02. Eulogy
03. H.
04. Useful Idiot
05. Forty-Six & 2
06. Message to Harry Manback
07. Hooker With a Penis
08. Intermission
09. Jimmy
10. Die Eier von Satan
11. Pushit
12. Cesaro Summability
13. Ænima
14. (-) Ions
15. Third Eye

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2000 - SALIVAL

01. Third Eye (Live)
02. Part of Me (Live)
03. Pushit (Live)
04. Message to Harry Manback II
05. You Lied
06. Merkaba
07. No Quarter
08. L.A.M.C.

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2001 - LATERALUS

01. The Grudge
02. Eon Blue Apocalypse
03. The Patient
04. Mantra
05. Schism
06. Parabol
07. Parabola
08. Ticks & Leeches
09. Lateralus
10. Disposition
11. Reflection
12. Triad
13. Faaip de Oiad

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2006 - 10,000 DAYS

01. Vicarious
02. Jambi
03. Wings for Marie (Pt 1)
04. 10,000 Days (Wings, Pt 2)
05. The Pot
06. Lipan Conjuring
07. Lost Keys
08. Rosetta Stoned
09. Intension
10. Right in Two
11. Viginti Tres

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Robert Cray


Robert Cray (Columbus, Geórgia, 1 de agosto de 1953) é um músico estadunidense, considerado um expoente da nova safra de artistas do blues.

Começou sua carreira influenciado pelos Beatles mas, ao assistir um espetáculo de Albert Collins, resolveu seguir o caminho do blues. Ao lado de Albert Collins e Johnny Copeland registrou o já clássico álbum Showdown!. Suas músicas foram regravadas por artistas como Eric Clapton (Bad Influence) e Albert Collins (Phone Booth).

1986 | STRONG PERSUADER

Smoking Gun
I Guess I Showed Her
Right Next Door (Because Of Me)
Nothin' but a Woman (feat. The Memphis Horns)
Still Around
More Than I Can Stand
Foul Play
I Wonder
Fantasized
New Blood

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