Pintura: Sr. do Vale
0,72m x 0,54m
Meus estágios:
além terra
além mar
além céu...
Sou muito mais
do que cabe em mim
por isso flutuo
levito
inspiro a fim de ter a força
que me leva acima
para observar meu infinito.
Lara Amaral
Do blog:
...::: Partículas do Sentido :::...
A Horse With No Name
cavalo
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Levitação
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Garotos Podres
Primeiro álbum da banda Garotos Podres, editado em 1985.
Gravado e mixado em 12 horas em 8 canais no estúdio Vice-Versa em São Paulo, produzido por Redson, vocalista e guitarrista do Cólera. Inicialmente seria lançado em demo-tape, porém foi lançado pelo selo Rocker em formato LP.
A música "Johnny" foi censurada, sendo proibida a sua execução pelos meios de comunicação. As músicas "Papai-Noel Filho da Puta" e "Maldita Polícia" foram mudadas propositalmente pela banda para burlar a censura.
Em 1986 foi lançada uma segunda tiragem pelo selo Lup-Som. Em 1987 o selo Lup-Som lança uma terceira tiragem com o título Pisando na M..., e com outra capa. A origem do título se deve ao incidente em que os Garotos Podres, insatisfeitos com os trabalhos e o descaso da gravadora, pisaram em merda de cachorro pela rua e deram um passeio pelo escritório acarpetado desta gravadora.
Esse álbum chegou a marca das 50.000 cópias vendidas, um recorde de vendagem de discos independentes na época do lançamento.
Gravado e mixado em 12 horas em 8 canais no estúdio Vice-Versa em São Paulo, produzido por Redson, vocalista e guitarrista do Cólera. Inicialmente seria lançado em demo-tape, porém foi lançado pelo selo Rocker em formato LP.
A música "Johnny" foi censurada, sendo proibida a sua execução pelos meios de comunicação. As músicas "Papai-Noel Filho da Puta" e "Maldita Polícia" foram mudadas propositalmente pela banda para burlar a censura.
Em 1986 foi lançada uma segunda tiragem pelo selo Lup-Som. Em 1987 o selo Lup-Som lança uma terceira tiragem com o título Pisando na M..., e com outra capa. A origem do título se deve ao incidente em que os Garotos Podres, insatisfeitos com os trabalhos e o descaso da gravadora, pisaram em merda de cachorro pela rua e deram um passeio pelo escritório acarpetado desta gravadora.
Esse álbum chegou a marca das 50.000 cópias vendidas, um recorde de vendagem de discos independentes na época do lançamento.
1985 - MAIS PODRES DO QUE NUNCA01. Não Devemos Temer
02. Johnny
03. Insatisfaçâo
04. Maldita Preguiça
05. Vou Fazar Cocô
06. Anarkia Oi
07. Eu Não Sei o Que Quero
08. Papai-Noel Velho Batuta
09. Miseráveis Ovelhas
10. Liberdade (Onde está?)
11. Führer
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Gueto
Por: Luiz Carlos Betenheuser Júnior
A banda Gueto surgiu em meados da década de 80, na zona norte paulistana, atingindo o sucesso no final dos 80 início dos 90, quando chegou a fazer dois shows em dias consecutivos em Curitiba, no antigo Aeroanta (que ficava na Rua Piquiri).
Tidos agora como visionários, a frente do seu tempo em tempo em se tratando de Brasil, por misturarem o rock, o rap, o funk, o heavy metal e o hip hop. Tudo misturado, criou um som funkly, dançante sem ser chato. Justamente por ser ao mesmo tempo dançante, sem ser xarope (pelo contrário), a banda agradava públicos de ambos os sexos.
O primeiro disco, “Estação Primeira”(1987), que tinha Márcio, Júlio César, Marcola e Edson-X na banda, contou com o trombonista Raul de Souza e o percussionista Luiz Batera. Desse primeiro trabalho, as músicas “G.U.E.T.O”, “Estação Primeira”, “A mesma dor“ e “Borboleta Psicodélica” foram os carros-chefes do disco, chegando a tocar bastante na rádio Estação Primeira.
A mistura de ritmos deixou ao Gueto o legado de ser uma banda de vanguarda em se tratando de bandas brasileiras, revolucionando conceitos muito utilizados mais de duas décadas depois.
Nos shows, a banda costumava tocar uma versão para “The Lady don’t Mind”, do Talking Heads, e “I Can See Clearly Now”, de Johnny Nash, com destaque para os falcetes de Júlio César, o JC.
A banda fez mais um disco que teve boa aceitação do público “E agora é pra dançar?”. Com a saída do vocalista, a banda perdeu força, lançou anos depois um disco fraquíssimo, que não foi bem aceito pelos fãs. No final do século passado, a Warner relançou os dois primeiros trabalhos do Gueto.
1987 | ESTAÇÃO PRIMEIRA01 | G.U.E.T.O.
02 | A mesma dor
03 | Uma estória
04 | Esse homem é você
05 | Emoção
06 | Borboleta psicodélica
07 | Você errou
08 | Estação primeira
09 | Ensaio geral
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1989 | E AGORA É PRÁ DANÇAR01 | Você sabe bem
02 | Eu quero ter você
03 | Balaio de gato
04 | Orgulho
05 | Estive aqui
06 | Não sou eu, é onde eu vivo
07 | Respeito
08 | Eu sinto
09 | Alma
10 | Um louco caso
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Talk Talk
O Talk Talk é conhecido no Brasil apenas por uma música, “It’s My Life” (“It’s my life / don’t you forget / it’s my life / it never ends”). Apesar de ser uma grande canção, ela nos dá uma impressão errada sobre a banda. Por causa de sua sonoridade característica dos anos 80, muita gente acaba classificando o Talk Talk como uma banda imitação do Duran Duran. Isso pode até ser verdade se o Talk Talk parasse de gravar em 1985. O que muitos não sabem é que o Talk Talk é uma das bandas mais ousadas, visionárias e subestimadas de toda a história do rock.
O líder e mentor do Talk Talk é um cara chamado Mark Hollis, que, em 1977, resolveu largar o curso de psicologia infantil na universidade de Sussex, se mudar para Londres e formar a banda The Reaction. Seu irmão, Ed Hollis, que era bem conhecido no meio (ele era produtor da banda punk Eddie and the Hot Rods e, anos mais tarde, veio a trabalhar com os grandes The Damned e Stiff Little Fingers) ajudou o The Reaction a lançar o single “I Can’t Resist”. Depois deste único lançamento, o The Reaction se desintegrou e Mark passou dois anos escrevendo novas canções até, através de seu irmão Ed, ser apresentado ao baterista Lee Harris, ao baixista Paul Webb e ao tecladista Simon Brenner. Formava-se assim, em 1981, o Talk Talk.
Depois de ouvir algumas demos e ver algumas apresentações ao vivo, a EMI decide assinar com o Talk Talk. A gravadora tinha em mente lançar o Talk Talk como uma banda bem na linha do, na época, ultra-famosos Duran Duran. Por isso, até o mesmo produtor, Colin Thurston, é chamado para trabalhar no primeiro álbum, “The Party’s Over”, lançado em 1982. Apesar do sucesso do disco impulsionado pelos hits “Today” e “Talk Talk”, a banda se mostra bastante insatisfeita com o produtor do Duran Duran e com o tecladista Simon Brenner e resolve substituí-los por um só homem, Tim Friese-Greene, fato que veio mudar drasticamente os rumos do Talk Talk.
Em Friese-Greene, Mark Hollis encontra o parceiro ideal para realizar todas as suas ambições musicais. O segundo álbum, “It’s My Life”, lançado em 1984, mostra uma incrível evolução em relação ao primeiro álbum com a inclusão de canções mais introspectivas como “Renée” e “Tomorrow Started”. Apesar de ter atingido um sucesso menor do que o esperado no Reino Unido, “It’s My Life” conquista disco de ouro na Europa e o grupo também consegue certa notoriedade nos EUA.
Em 1986, o grupo dá mais um passo adiante, artística e comercialmente, e lança “The Colour of Spring”. Nesse disco, o Talk Talk finalmente decide largar a sonoridade enlatada característica de seus contemporâneos e faz uma obra ousada, com arranjos complexos, som mais orgânico e, ainda assim, pop. “Life’s What You Make It”, “Give It Up” e “Living in Another World” fazem de “The Colour of Spring” o disco mais vendido da carreira da banda. Assim, o Talk Talk ganha maior confiança de sua gravadora EMI, que dá à banda liberdade financeira para a gravação do álbum subseqüente.
Mark Hollis se muda de Londres para a pacata Suffolk e o Talk Talk leva catorze meses para gravar “Spirit of Eden”, lançado em 1988. Nesse meio tempo, Hollis se recusou a mandar qualquer demo para sua gravadora e ainda anunciou que não haveria singles nem turnês promocionais, já que era impossível recriar ao vivo a complexidade que a banda atingira em estúdio. Diz a lenda que quando o diretor artístico da EMI ouviu “Spirit of Eden” pela primeira vez, ele chorou. Se é por causa de sua beleza ou por que o disco não era nem um pouco parecido com o bem sucedido “The Colour of Spring”, ninguém sabe. O que é fácil identificar é o nível que a banda havia atingido. “Spirit of Eden” é um disco que rejeita qualquer classificação, mas, ao mesmo tempo, abrange todas: rock, blues, jazz, pop, erudito. Não é nem preciso dizer que o disco foi um fracasso de vendas, mas aclamado pela crítica. “Spirit of Eden” ainda é o disco favorito de muitos artistas como Sarah McLachlan, Rob Dickinson, do Catherine Wheel e Cliff Jones, do Gay Dad.
Para tentar compensar os gastos de “Spirit of Eden”, a EMI lança em 1990, a coletânea “Natural History: The Very Best Of Talk Talk”, que, surpreendentemente, vende mais de um milhão de cópias.
Em 1991, o Talk Talk, já sem o baixista Paul Webb, lança “Laughing Stock”pelo selo de jazz Verve da Polydoor. “Laughing Stock” é para muitos a obra-prima do Talk Talk, mas, infelizmente, o último disco da banda.
Paul Webb e Lee Harris juntaram forças novamente e formaram a banda ‘O’Rang, que lançou o primeiro disco “Herd of Instinct”, em 1995. A dupla também participa de “Out of Season”, primeiro disco solo da cantora do Portishead, Beth Gibbons, lançado em outubro de 2002. Mark Hollis desapareceu por sete anos e voltou só em 1998 com seu primeiro álbum solo. Em 1999, é lançado o disco ao vivo “London 1986”.
O líder e mentor do Talk Talk é um cara chamado Mark Hollis, que, em 1977, resolveu largar o curso de psicologia infantil na universidade de Sussex, se mudar para Londres e formar a banda The Reaction. Seu irmão, Ed Hollis, que era bem conhecido no meio (ele era produtor da banda punk Eddie and the Hot Rods e, anos mais tarde, veio a trabalhar com os grandes The Damned e Stiff Little Fingers) ajudou o The Reaction a lançar o single “I Can’t Resist”. Depois deste único lançamento, o The Reaction se desintegrou e Mark passou dois anos escrevendo novas canções até, através de seu irmão Ed, ser apresentado ao baterista Lee Harris, ao baixista Paul Webb e ao tecladista Simon Brenner. Formava-se assim, em 1981, o Talk Talk.
Depois de ouvir algumas demos e ver algumas apresentações ao vivo, a EMI decide assinar com o Talk Talk. A gravadora tinha em mente lançar o Talk Talk como uma banda bem na linha do, na época, ultra-famosos Duran Duran. Por isso, até o mesmo produtor, Colin Thurston, é chamado para trabalhar no primeiro álbum, “The Party’s Over”, lançado em 1982. Apesar do sucesso do disco impulsionado pelos hits “Today” e “Talk Talk”, a banda se mostra bastante insatisfeita com o produtor do Duran Duran e com o tecladista Simon Brenner e resolve substituí-los por um só homem, Tim Friese-Greene, fato que veio mudar drasticamente os rumos do Talk Talk.
Em Friese-Greene, Mark Hollis encontra o parceiro ideal para realizar todas as suas ambições musicais. O segundo álbum, “It’s My Life”, lançado em 1984, mostra uma incrível evolução em relação ao primeiro álbum com a inclusão de canções mais introspectivas como “Renée” e “Tomorrow Started”. Apesar de ter atingido um sucesso menor do que o esperado no Reino Unido, “It’s My Life” conquista disco de ouro na Europa e o grupo também consegue certa notoriedade nos EUA.
Em 1986, o grupo dá mais um passo adiante, artística e comercialmente, e lança “The Colour of Spring”. Nesse disco, o Talk Talk finalmente decide largar a sonoridade enlatada característica de seus contemporâneos e faz uma obra ousada, com arranjos complexos, som mais orgânico e, ainda assim, pop. “Life’s What You Make It”, “Give It Up” e “Living in Another World” fazem de “The Colour of Spring” o disco mais vendido da carreira da banda. Assim, o Talk Talk ganha maior confiança de sua gravadora EMI, que dá à banda liberdade financeira para a gravação do álbum subseqüente.
Mark Hollis se muda de Londres para a pacata Suffolk e o Talk Talk leva catorze meses para gravar “Spirit of Eden”, lançado em 1988. Nesse meio tempo, Hollis se recusou a mandar qualquer demo para sua gravadora e ainda anunciou que não haveria singles nem turnês promocionais, já que era impossível recriar ao vivo a complexidade que a banda atingira em estúdio. Diz a lenda que quando o diretor artístico da EMI ouviu “Spirit of Eden” pela primeira vez, ele chorou. Se é por causa de sua beleza ou por que o disco não era nem um pouco parecido com o bem sucedido “The Colour of Spring”, ninguém sabe. O que é fácil identificar é o nível que a banda havia atingido. “Spirit of Eden” é um disco que rejeita qualquer classificação, mas, ao mesmo tempo, abrange todas: rock, blues, jazz, pop, erudito. Não é nem preciso dizer que o disco foi um fracasso de vendas, mas aclamado pela crítica. “Spirit of Eden” ainda é o disco favorito de muitos artistas como Sarah McLachlan, Rob Dickinson, do Catherine Wheel e Cliff Jones, do Gay Dad.
Para tentar compensar os gastos de “Spirit of Eden”, a EMI lança em 1990, a coletânea “Natural History: The Very Best Of Talk Talk”, que, surpreendentemente, vende mais de um milhão de cópias.
Em 1991, o Talk Talk, já sem o baixista Paul Webb, lança “Laughing Stock”pelo selo de jazz Verve da Polydoor. “Laughing Stock” é para muitos a obra-prima do Talk Talk, mas, infelizmente, o último disco da banda.
Paul Webb e Lee Harris juntaram forças novamente e formaram a banda ‘O’Rang, que lançou o primeiro disco “Herd of Instinct”, em 1995. A dupla também participa de “Out of Season”, primeiro disco solo da cantora do Portishead, Beth Gibbons, lançado em outubro de 2002. Mark Hollis desapareceu por sete anos e voltou só em 1998 com seu primeiro álbum solo. Em 1999, é lançado o disco ao vivo “London 1986”.
01 | Dum Dum Girl
02 | Such a Shame
03 | Renée
04 | It's My Life
05 | Tomorrow Started
06 | The Last Time
07 | Call in the Night Boy
08 | Does Caroline Know?
09 | It's Youaney
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domingo, 12 de setembro de 2010
Fernanda Takai
Adolescente no Rio de Janeiro, a primeira vez que vi e ouvi Nara Leão me apaixonei. Era um show de bossa nova – a nova moda recém-inventada por João Gilberto. Bossa nova não era só uma música, era um estado de espírito, dizia Ronaldo Bôscoli, apresentador do show e namorado de Nara. Ele sabia do que falava: ela era a encarnação da nova estética da bossa nova, com sua voz pequena e sua grande timidez, uma garota moderna de Copacabana com ares europeus e um look meio oriental, livre e independente, muito diferente de todas garotas que eu conhecia.
Dali em diante virei seu fã e, pouco depois e até o final, também seu amigo e parceiro de aventuras musicais. Acompanhei de perto a sua trajetória única na música brasileira, primeiro como musa da bossa nova, depois como fundadora da MPB e voz da oposição à ditadura, Nara doce guerreira, tropicalista de primeira hora, revelando talentos, quebrando preconceitos, renovando o samba e o chôro, a bossa nova e a MPB, Nara eternamente moderna, a voz mais inteligente do Brasil. Além disso, como raras artistas de seu tempo, Nara conduziu sua vida e sua carreira com liberdade, integridade e independência e sempre fez o que queria, como queria e quando seu coração de leão mandava.
40 anos depois, ouvi o Pato Fu e Fernanda Takai, vi seus clipes. Adorei. Minha primeira impressão foi um alto elogio: puxa, essa garota é a Nara Leão do pop rock. O oposto da exuberância e vulgaridade das estrelas pop, Fernanda era discreta e original, cool e elegante, tinha um look meio oriental e cantava letras inteligentes e irônicas com doçura e firmeza, uma garota tão moderna, tímida e talentosa quanto Nara em 1959.
Quando finalmente conheci Fernanda, em 2006, não resisti e sugeri que ela seria a cantora ideal para fazer um grande disco com releituras modernas das músicas que marcaram a carreira de Nara. Para minha surpresa, ela conhecia várias, e gostava muito, o pai tocava os discos de Nara para ela desde criança. Me pediu uma lista de sugestões e disse que faria alguma coisa com John em seu estúdio de casa e me mandaria. E logo veio uma, ótima, depois outra, bonitíssima, diferentona, e mais uma, beleza ! Tudo em mp3 por email, eu respondia com elogios e sugestõezinhas, e quando olhamos, e ouvimos, estávamos com um disco pronto ! E muito lindo, que com certeza Nara ouviria com prazer, alegria e orgulho, um disco que honra a sua memória e a revive e renova. Simples assim, quase sem querer, querendo muito. A cara de Fernanda, a cara de Nara.
O mais interessante desse disco feito em casa e co-produzido à distância é que, por sua geração e formação pop rock, Fernanda e John tinham pouca familiaridade com o universo rítmico do samba, chôro e bossa nova de Nara, o que resultou em leituras surpreendentes e renovadoras de todas as canções, escolhidas entre as mais importantes da carreira de Nara. O pop, o rock, o folk, o jazz, o dixieland, o baião-techno, o soul branco de John e Fernanda (com o auxílio luxuoso dos teclados polivalentes de Lulu Camargo) renovam e reinventam grandes canções de mestres como Chico Buarque, Zé Kéti, Roberto e Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Ernesto Nazareth e Nelson Cavaquinho, com beats, loops, grooves, timbres, solos e arranjos do terceiro milênio. A graça e o bom gosto, a elegância e a discrição – além de um look meio oriental – unem a delicadeza e a inteligência da música de Nara e Fernanda.
Dali em diante virei seu fã e, pouco depois e até o final, também seu amigo e parceiro de aventuras musicais. Acompanhei de perto a sua trajetória única na música brasileira, primeiro como musa da bossa nova, depois como fundadora da MPB e voz da oposição à ditadura, Nara doce guerreira, tropicalista de primeira hora, revelando talentos, quebrando preconceitos, renovando o samba e o chôro, a bossa nova e a MPB, Nara eternamente moderna, a voz mais inteligente do Brasil. Além disso, como raras artistas de seu tempo, Nara conduziu sua vida e sua carreira com liberdade, integridade e independência e sempre fez o que queria, como queria e quando seu coração de leão mandava.
40 anos depois, ouvi o Pato Fu e Fernanda Takai, vi seus clipes. Adorei. Minha primeira impressão foi um alto elogio: puxa, essa garota é a Nara Leão do pop rock. O oposto da exuberância e vulgaridade das estrelas pop, Fernanda era discreta e original, cool e elegante, tinha um look meio oriental e cantava letras inteligentes e irônicas com doçura e firmeza, uma garota tão moderna, tímida e talentosa quanto Nara em 1959.
Quando finalmente conheci Fernanda, em 2006, não resisti e sugeri que ela seria a cantora ideal para fazer um grande disco com releituras modernas das músicas que marcaram a carreira de Nara. Para minha surpresa, ela conhecia várias, e gostava muito, o pai tocava os discos de Nara para ela desde criança. Me pediu uma lista de sugestões e disse que faria alguma coisa com John em seu estúdio de casa e me mandaria. E logo veio uma, ótima, depois outra, bonitíssima, diferentona, e mais uma, beleza ! Tudo em mp3 por email, eu respondia com elogios e sugestõezinhas, e quando olhamos, e ouvimos, estávamos com um disco pronto ! E muito lindo, que com certeza Nara ouviria com prazer, alegria e orgulho, um disco que honra a sua memória e a revive e renova. Simples assim, quase sem querer, querendo muito. A cara de Fernanda, a cara de Nara.
O mais interessante desse disco feito em casa e co-produzido à distância é que, por sua geração e formação pop rock, Fernanda e John tinham pouca familiaridade com o universo rítmico do samba, chôro e bossa nova de Nara, o que resultou em leituras surpreendentes e renovadoras de todas as canções, escolhidas entre as mais importantes da carreira de Nara. O pop, o rock, o folk, o jazz, o dixieland, o baião-techno, o soul branco de John e Fernanda (com o auxílio luxuoso dos teclados polivalentes de Lulu Camargo) renovam e reinventam grandes canções de mestres como Chico Buarque, Zé Kéti, Roberto e Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Ernesto Nazareth e Nelson Cavaquinho, com beats, loops, grooves, timbres, solos e arranjos do terceiro milênio. A graça e o bom gosto, a elegância e a discrição – além de um look meio oriental – unem a delicadeza e a inteligência da música de Nara e Fernanda.
2007 | ONDE BRILHEM OS OLHOS SEUS
01 | Diz Que Fui Por Ai
02 | Lindoneia
03 | Com Açúcar, Com Afeto
04 | Luz Negra
05 | Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
06 | Insensatez
07 | Odeon
08 | Seja o Meu Céu
09 | Estrada do Sol
10 | Trevo de Quatro Folhas
11 | Descansa Coração
12 | Canta, Maria
13 | Ta-hi
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2009 | LUZ NEGRA
01 | Intro: Luz Negra
02 | Diz que Fui por Aí
03 | There Must Be an Angel (Playing With My Heart)
04 | Com Açúcar, com Afeto
05 | Insensatez
06 | Kobune (O Barquinho)
07 | Você Já Me Esqueceu
08 | Odeon
09 | Ordinary World
10 | Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
11 | 5 Discos
12 | Ben
13 | Trevo de Quatro Folhas
14 | Sinhá Pureza
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01 | Diz Que Fui Por Ai
02 | Lindoneia
03 | Com Açúcar, Com Afeto
04 | Luz Negra
05 | Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
06 | Insensatez
07 | Odeon
08 | Seja o Meu Céu
09 | Estrada do Sol
10 | Trevo de Quatro Folhas
11 | Descansa Coração
12 | Canta, Maria
13 | Ta-hi
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2009 | LUZ NEGRA
01 | Intro: Luz Negra
02 | Diz que Fui por Aí
03 | There Must Be an Angel (Playing With My Heart)
04 | Com Açúcar, com Afeto
05 | Insensatez
06 | Kobune (O Barquinho)
07 | Você Já Me Esqueceu
08 | Odeon
09 | Ordinary World
10 | Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
11 | 5 Discos
12 | Ben
13 | Trevo de Quatro Folhas
14 | Sinhá Pureza
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sábado, 4 de setembro de 2010
John Lennon
Mind Games consegue ser leve como o álbum Imagine, porém sem a orquestração e produção típica de Phil Spector, o que neste caso, faz bem ao trabalho. O álbum é também repleto de trocadilhos e expressões idiomáticas inglesas e americanas.
Encontra-se aqui rocks filosóficos, composições acústicas e baladas românticas, ao mesmo tempo em que se oferece letras interessantes, sempre associados ao amor e ideologias pacifistas. O tema central é essencialmente a conscientização da sociedade da necessidade de homens e mulheres dividirem igualmente as responsabilidades do mundo e de suas vidas, em harmonia.
Por: Márcio Ribeiro
01 | Mind Games
02 | Tight A$
03 | Aisumasen (I'm Sorry)
04 | One Day (At a Time)
05 | Bring on the Lucie (Freda Peeple)
06 | Nutopian International Anthem
07 | Intuition
08 | Out the Blue
09 | Only People
10 | I Know (I Know)
11 | You Are Here
12 | Meat City
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