A Horse With No Name

cavalo

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Cocteau Twins


Do Livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer


Foi neste terceiro álbum que a beleza misteriosa dos Cocteau Twins começou a se revelar. O baixista Simon Raymonde, mais recente membro da banda, aos poucos foi se envolvendo cada vez mais com a composição, orquestração e produção musical. Junto com o guitarrista Robin Guthrie e a incomparável vocalista Liz Frazer, ele se enfurnou nos estúdios Palladium, em Londres, e criou uma obra-prima.

A reluzente teia abstrata da capa assim como os títulos das músicas inspirados em belos nomes mitológicos são um bom exemplo da influência estética do selo 4AD. Nada mais adequado, então, que a primeira música receba o nome do fundador do selo, Ivo. Com a delicada introdução vocal e a guitarra cortante que emerge ao longo da música "Ivo" inicia o álbum em alto e bom tom, literalmente.

Em seguida vem "Lorelei", a melhor música do álbum. Conduzindo os ouvintes com toques de sinos e camadas de sintetizadores, a música irrompe em ritmo persuasivo e uma interpretação vocal estupenda. A voz de Frazer se estende e sobe, suspira e plaina, flutuando acima da música. É difícil acreditar que seus refrões ascendentes e modulados estão saindo da mesma boca que os vibratos graves que estão na base da música.

"Persephone" dá ao álbum um toque industrial e um pouco grunge, enquanto "Pandora" desliza para uma vertente jazzística. "Domino" conclui o LP com a mesma intensidade do início com sua introdução ambiente e angelical de dois minutos que finalmente explode em um ritmo forte antes de se dissolver em silêncio. Treasure é inesquecível.

1984 - TREASURE

01. Ivo
02. Lorelei
03. Beatrix
04. Persephone
05. Pandora (For Cindy)
06. Amelia
07. Aloysius
08. Cicely
09. Otterley
10. Donimo

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Paulinho Pedra Azul

Paulo Hugo Morais Sobrinho, o Paulinho Pedra Azul, é um cantor, poeta, artista plástico e compositor brasileiro.

Nascido em Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, no dia 3 de agosto de 1954.

Além de músico, também é autor de 200 telas a óleo e acrílico e de 15 livros.

Sua carreira artística teve início por volta dos 13 anos de idade, inicialmente com as artes plásticas. Enveredando pela música participou de um conjunto chamado “The Giants”, em que trabalhou com Rogério Braga, Mauro Mendes, Marivaldo Chaves, Salvador, Edmar Moreira e André, interpretando canções dos Beatles, The Fevers, Os Incríveis, Erasmo e Roberto Carlos, dentre outros.

A partir do final dos anos 1960 participou de festivais regionais de música e de poesia, tendo realizado inúmeros shows em cidades do interior de Minas Gerais. Nos anos 70, mudou-se para São Paulo onde morou por dez anos, período no qual trabalhou com o cantor, humorista e ator Saulo Laranjeira, também oriundo de Pedra Azul. Retornou depois para Minas, se fixando em Belo Horizonte onde até hoje reside.

Durante o tempo em que viveu em São Paulo gravou seus três primeiros discos. O LP de estréia fez grande sucesso com a canção que lhe dá o título: "Jardim da Fantasia", popularmente conhecida como "Bem-te-vi".

Com um estilo que varia do romântico à MPB, fortemente influenciada pelo Clube da Esquina, e com algumas composições de chorinhos, Paulinho Pedra Azul tem 21 discos gravados, a maioria deles independentes, tendo vendido cerca de 500 mil exemplares de toda a sua obra. É também autor de 200 telas a óleo e acrílico e de 15 livros, dentre eles “Delírio Habanero - Pequeno Diário em Cuba”, escrito durante visita à ilha de Fidel Castro.

Apesar de não ser um constante freqüentador da mídia de massa, Paulinho Pedra Azul consegue ser conhecido por um segmento específico que envolve principalmente universitários. Pesquisa feita pela AMAR (Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes), o destacou como o segundo cantor mais conhecido de Minas Gerais, perdendo apenas para Milton Nascimento.

Texto: Wikipédia

1982 | JARDIM DA FANTASIA

01 | Ave cantadeira
02 | Pobre bichinho
03 | Valsa do desencanto
04 | Voarás
05 | Nascente
06 | Cortinas de ferro
07 | Jequitinhonha
08 | Cantar
09 | Jardim da Fantasia
10 | Vagando

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domingo, 31 de janeiro de 2010

Cocteau Twins


1988 - BLUE BELL KNOLL

01. Blue Bell Knoll
02. Athol-Brose
03. Carolyn's Fingers
04. For Phoebe Still A Baby
05. The Itchy Glowbo Blow
06. Cico Buff
07. Suckling The Mender
08. Spooning Good Singing Gum
09. A Kissed Out Red Floatboat
10. Ella Megalast Burls Forever

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Soundgarden

O Soundgarden, uma das bandas mais importantes da cena Grunge, nascida em Seattle, na década de 90. O som da banda era mais pesado que o dos outros grupos que faziam parte desse movimento como o Nirvana e Pearl Jam e suas músicas, tecnicamente superiores.

Mas a história do Soundgarden começou na verdade em Illinois, em 1981, quando Kim Thayil (guitarrista), Hiro Yamamoto (baixista) e Bruce Pavitt estudavam juntos. Após terminarem o colegial, resolvem dar continuidade aos estudos em Seattle, mas quando chegaram, foram atraídos pelo underground local e passaram a tocar em várias bandas.

Em 1984, Hiro conheceu o vocalista Chris Cornell e, junto a Thayil e o baterista Scott Sundquist formaram o Soundgarden. Bruce não entrou em nenhuma banda e sim, fundou um fanzine que viria a ser o selo Sub Pop.

Após dois anos tocando em pequenos lugares por toda a cidade, o baterista Scott deixa o grupo e é substituído por Matt Cameron (hoje no Pearl Jam). Já em 1987, o selo de Bruce, o Sub-Pop, estava começando a render bons resultados e ele assinou um contrato com seus amigos da época de colégio.

No mesmo ano, saiu o primeiro EP "Screaming Life" e, em 1988, o segundo "Fopp". Com esses primeiros lançamentos e os constantes shows, começam a ganhar fama dentro dos EUA, assinando com outro selo, o SST Records. Foi lançado então, ainda em 1988, o primeiro álbum, Ultraomega OK. Muitas gravadoras se interessaram pelo grupo e eles acabam aceitando uma proposta da A&M Records.

Em 1989, chegou Louder Than Love. Esse disco fez muito sucesso na época, chegando a receber uma indicação ao Grammy. O baixista Yamamoto abandona a banda e é substituído por Jason Everman. Após uma turnê com o Voivod e Faith No More, Everman é substituído por Ben Shepperd e ainda os dois primeiros EPs são relançados em um único álbum, chamado Fopp/Screaming Life.

Em 1991, alguns integrantes do Pearl Jam junto com Cornell e Cameron, montam um projeto paralelo batizado de Temple Of the Dog. As músicas são uma homenagem ao amigo Andy Wood, vocalista do Mother Love Bone, que havia morrido de overdose. A faixa "Hunger strike" vira hit, sendo tocada exaustivamente nas rádios e na MTV.

O Soundgarden entra em estúdio novamente e, ainda em 1991, é lançado Badmotorfinger. Esse álbum consolidou de vez a fama da banda. Fizeram grandes turnês, abrindo inclusive para o Guns N' Roses, sendo reconhecidos mundialmente. O grupo só voltou a lançar material inédito em 1994, no clássico Superunknow. A faixa "Black hole sun", virou um dos vídeos mais pedidos da MTV, inclusive no Brasil e o álbum faturou 3 Grammies.

Dois anos depois, chega Down on the Upside que, apesar de não ter feito tanto sucesso quanto os anteriores, foi muito bem aceito pelos fãs. Boatos sobre brigas internas e problemas com as cordas vocais de Cornell começaram a surgir e após a turnê desse, que acabou sendo o último disco da banda, o Soundgarden anuncia, em 1997, o fim de suas atividades. A gravadora ainda soltou uma coletânea intitulada A-Sides, com os maiores hits do grupo.

Texto: Kiss Fm

1988 | ULTRAMEGA OK

01 | Flower
02 | All Your Lies
03 | 665
04 | Beyond The Wheel
05 | 667
06 | Mood For Trouble
07 | Circle Of Power
08 | He Didn’t
09 | Smokestack Lightning
10 | Nazi Driver
11 | Head Injury
12 | Incessant Mace
13 | One Minute Of Silence

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1989 | LOUDER THAN LOVE

01 | Ugly Truth
02 | Hands All Over
03 | Gun
04 | Power Trip
05 | Get On The Snake
06 | Full On Kevin’s Mom
07 | Loud Love
08 | I Awake
09 | No Wrong No Right
10 | Uncovered
11 | Big Dumb Sex
12 | Full On (Reprise)

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1991 | BADMOTORFINGER

01 | Rusty Cage
02 | Outshined
03 | Slaves & Bulldozers
04 | Jesus Christ Pose
05 | Face Pollution
06 | Somewhere
07 | Searching With My Good Eye Closed
08 | Room A Thousand Years Wide
09 | Mind Riot
10 | Drawing Flies
11 | Holy Water
12 | New Damage

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1994 | SUPERUNKNOWN

01 | Let Me Drown
02 | My Wave
03 | Fell On Black Days
04 | Mailman
05 | Superunknown
06 | Head Down
07 | Black Hole Sun
08 | Spoonman
09 | Limo Wreck
10 | The Day I Tried To Live
11 | Kickstand
12 | Fresh Tendrils
13 | 4th Of July
14 | Half
15 | Like Suicide
16 | She Likes Surprises

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1996 | DOWN ON THE UPSIDE

01 | Pretty Noose
02 | Rhinosaur
03 | Zero Chance
04 | Dusty
05 | Ty Cobb
06 | Blow Up The Outside World
07 | Burden In My Hand
08 | Never Named
09 | Applebite
10 | Never The Machine Forever
11 | Tighter & Tighter
12 | No Attention
13 | Switch Opens
14 | Overfloater
15 | An Unkind
16 | Boot Camp

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2012 | KING ANIMAL

01 | Been Away Too Long
02 | Non-State Actor
03 | By Crooked Steps
04 | A Thousand Days Before
05 | Blood on the Valley Floor
06 | Bones of Birds
07 | Taree
08 | Attrition
09 | Black Saturday
10 | Halfway There
11 | Worse Dreams
12 | Eyelid’s Mouth
13 | Rowing

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sábado, 19 de dezembro de 2009

U2

Primeiro registro em vídeo da banda, Live At Red Rocks foi gravado em 1983, no Red Rocks Amphitheatreme, Colorado.

O EP Under A Blood Red Sky, lançado no mesmo ano, contém músicas de três shows da banda durante a War Tour registrados na Europa e EUA.

O disco abaixo é o áudio retirado do DVD, e que traz cinco músicas que não estavam na fita original à época de seu lançamento. O U2 encontra-se na sua melhor forma, com suas influências do pós-punk.

1983 | LIVE AT RED ROCKS
"Under a Blood Red Sky"

(DVD áudio)


01 | Openning: "Clannad | Theme From Harry's Game"
02 | Out of Control
03 | Twilight
04 | An Cat Dubh
05 | Into the Heart
06 | Surrender
07 | Two Hearts Beat As One
08 | Seconds
09 | Sunday Bloody Sunday
10 | Cry/The Electric Co.
11 | October
12 | New Years Day
13 | I Threw a Brick Through a Window
14 | A Day Without Me
15 | Gloria
16 | Party Girl
17 | 11 O'Clock Tick Tock
18 | I Will Follow
19 | "40"
20 | End Titles: "Clannad | Theme From Harry's Game"

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Elton John

HONKY CHATEAU

Dia desses, eu estava saindo de casa para ir à aula, e fui procurar algum disco que combinasse com chuva para ouvir enquanto dirigia (fazer isso em Brasília é uma delícia), já que tenho dessa coisa de achar que um disco combina com determinado clima ou hora do dia. Vasculhando o iPod encontrei o “Honky Château”, do Elton John, que eu havia baixado, mas ouvido uma única vez. Mal me lembrava do disco.

Não lembrava, por exemplo, se esse disco de 1972 (quinto da carreira do cantor) podia ser ouvido sob chuva e a oitenta quilômetros por hora, limite de velocidade da via L4. Também não lembrava que é um clássico, um caso raro de aclamação de crítica e público (foi número 1 nas paradas americanas por cinco semanas), ou qualquer outra coisa. “Honky Château” é tudo isso.

Mas nem precisaria lembrar, bastava ouvir: mal começou “Honky Cat” e eu já estava encantado dentro do carro. Não consegui pegar a letra muito bem enquanto a música tocava, mas parecia interessante. Quando voltei para casa, descobri que ela termina dizendo “viver na cidade, garoto, vai partir seu coração / mas como você pode ficar, quando seu coração diz ‘não’/ como você pode parar quando seus pés dizem ‘vá’?”.

Como qualquer pessoa deveria saber, esse tal de Elton John faz umas melodias de te partir ao meio. Mas logo de cara, e com uma letra dessas acompanhando, é covardia. Tamanha covardia que “Mellow”, a segunda música, nem é memorável, talvez até um pouco chatinha, e não me importei com isso.

A terceira, em compensação, é uma porrada que se explica já no título: “I Think I’m Going To Kill Myself”. Mas por que, Elton? “I’m getting bored being part of mankind / there’s not a lot to do no more, this race is a waste of time”. Obra de Bernie Taupin, letrista parceiro de Elton John, um cara que escreve letras como se fosse um terno sob medida para mim, e para você. Mas Bernie, além de grande letrista, é um espertinho: como condição para não se matar, o suicida pede que Brigitte Bardot o visite todo dia, e o sacrifício não aconteça.

Depois vem “Susie (Dramas)”, e ele fala da linda e pequena Susie, uma garota de olhos negros que brinca com o coração dele o tempo todo - um drama que só. Ela fez com que ele congelasse patinando no gelo ao lado dela e com que ele comprasse novos sapatos, mas ele não liga para nenhum dos dramas, porque ela está ali com ele. Talvez pela imagem da patinação, talvez pela imagem dos dramas, sempre me lembro das tiras do Snoopy (”Peanuts”) na imagem que tenho dessa música.

Ok, melhor segurar. Não vamos chorar agora, porque é a vez de “Rocket Man”, o sucesso do disco. A vida no espaço pode ser uma metáfora para drogas ou para o estrelato, como já li em vários lugares alguém falando sobre o sentido dessa balada, mas o sentimento de solidão é o mesmo… seja num avião entre uma cidade e outra, seja num ônibus espacial entre um planeta e outro. O golpe de misericórdia vem nos versos “and all this science I don’t understand / it’s just my job five days a week”. Reconheceu o seu emprego burocrático aí?

Finda a primeira metade do disco, no lado 2 temos “Salvation”, mas não, não é a salvação, e sim mais uma melodia que deveria ser exposta em algum lugar, como referência para quem queira fazer música nos dias de hoje. “Slave”, em seguida, é o momento politizado, uma prima de “Southern Man”, música do Neil Young lançada dois anos antes. Não é ruim, mas não é como Elton John cantando sobre seus sentimentos.

Por isso mesmo, melhor falar da oitava canção, chamada “Amy”, em homenagem a alguma mulher-tsunami. Conhece esse tipo? São aquelas mulheres que varrem da sua vida tudo aquilo que você mais preza: seu sossego, sua honra, seus amigos, seu dinheiro. Daquelas que te fazem vender seu Honda Civic para comprar dois Fiestas, e um ficar com ela. “Meu pai disse que seu nome é Amy / E que me quebra o pescoço se eu jogar seu jogo / Mas ele não pode fazer isso porque eu te amo do mesmo jeito”, canta Elton, antes de dizer que apanha na rua por gostar dela. E liquida: “Amy, posso não ser o James Dean / Amy, posso não ter dezenove anos / E eu posso ainda usar botas e jeans / Mas você é a mulher que destrói meus sonhos”.

Essa música tem um clima country, o mesmo clima country que você encontra em “Amy”, do Ryan Adams, presente no disco de estreia do matuto de Jacksonville, “Heartbreaker”. Aí começa uma troca de figurinhas: Ryan já disse, numa entrevista, que adora o “Honky Château”, enquanto é sabido que seu “Heartbreaker” fez Elton John pirar e sair de um período de oito anos sem gravar nada. E, só por causa de um disco inspirador, acabou fazendo os dois dividirem um especial de TV um tempo depois, com direito até a um dueto em “Mona Lisas and Mad Hatters”, que sucede “Amy”.

O disco acaba com “Hercules”, uma melodia acolhedora como um abraço e que fala sobre perder a namorada (ou paixão platônica, você escolhe) para um bombado: “and it hurts like hell / to see my gal / messin’ with a mus cle boy / no superman gonna ruin my plans / playin’ with my toys”.

Não conheço muito mais da carreira de Sir Elton, mas também acho “Madman Across The Water” um disco lindo (”Tiny Dancer”, momento cantando junto do filme “Quase Famosos”, saiu daqui) e sei que “Goodbye Yellow Brick Road” não vendeu mais de 30 milhões de cópias à toa. Mas felizmente chove em Brasília durante seis meses seguidos e tenho gasolina no tanque para ir daqui a Uberlândia ouvindo os discos do cara. Bora pegar a estrada?

Por | Eduardo Palandi

Eduardo Palandi é colaborador do S&Y desde a Idade Média e assina o blog Life In Slow Motion

1972 | HONKY CHATEAU

01 | Honky Cat
02 | Mellow
03 | I Think I'm Going to Kill Myself
04 | Suzie (Dramas)
05 | Rocket Man (I Think It's Going to Be a Long Long Time)
06 | Salvation
07 | Slave
08 | Amy
09 | Mona Lisas and Mad Hatters
10 | Hercules

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Heitor Villa-Lobos

Passados 50 anos de sua morte, Heitor Villa-Lobos mantém seu lugar no panteão dos gênios da música.

Hoje (ontem) se completam 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos. Maestro e compositor, foi um gênio que ao longo de 72 anos imprimiu uma nova linguagem à música brasileira, ao incorporar elementos das canções folclóricas, populares e indígenas, com combinações inusitadas de instrumentos e imitação do canto de pássaros.

Villa-Lobos é um dos poucos compositores que conseguiu derrubar as barreiras entre o popular e o erudito ao fazer com que os dois gêneros conversassem entre si. Difícil? Não para ele, que percorreu o Brasil recolhendo toda a riqueza de sons ao desbravar florestas e sertões.

– É admirável o poder de absorção, catalização e síntese em Villa-Lobos. Dizem que muitas vezes compunha com o rádio ligado... Ele faz questão que o mundo que o circunda penetre em sua criação. Villa-Lobos foi um orquestrador magistral: impressionam até hoje as sonoridades que ele criou através da orquestra – diz o pianista e pesquisador Alberto Andrés Heller.

O resultado das viagens pelo interior do país foi um repertório com 1,2 mil peças. Para o pianista, a principal contribuição de Villa-Lobos foi a sistemática utilização da música folclórica em suas composições, aliando-a à estética modernista.

Por volta de 1915, a Europa estava na moda e a cultura popular não era valorizada no Brasil. O cenário muda em 1922, com a Semana de Arte Moderna, quando o trabalho de Villa tem grande repercussão junto a intelectuais. O modernismo de caráter nacionalista de Villa-Lobos se deve em grande parte à influência de Mário de Andrade, um dos principais articuladores ideológicos da Semana de 1922.

– Quer-se fugir do Brasil “romantizado” (como em Iracema, de José de Alencar, por exemplo) e ao mesmo tempo abrir-se a um futuro vanguardista e renovador. Trata-se, portanto, de criar uma identidade para o Brasil – comenta Heller.

Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro e traz em sua formação toda a sonoridade dos cariocas. A mãe queria que fosse médico, o pai o incentivou para a música. Aos 12 anos, começou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes. Interessou-se pelo choro e passou a conviver com representativos nomes da música popular. Entre suas composições mais conhecidas estão Trenzinho Caipira e As Bachianas, Uirapurú e choros para piano e orquestra.

O maestro Jeferson Della Rocca considera o compositor como um dos principais do cenário musical erudito, no Brasil e no exterior.

– Conseguiu, assim como Carlos Gomes, receber grande reconhecimento internacional e ter suas músicas na programação da maior parte das orquestras e cameristas de todo o mundo _ diz Jeferson.

Para a maestrina Mércia Ferreira Villa-Lobos tinha uma fertilidade incrível, tanto vocal quanto instrumental.

– Passadas cinco décadas de sua morte, sua música soa de outra forma aos ouvidos da crítica especializada. E a visão de nacionalistas e vanguardistas converge na mesma direção.

JACQUELINE IENSEN
jacqueline.iensen@diario.com.br

HEITOR VILLA LOBOS | BACHIANAS BRASILEIRAS

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